Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

Por Jonathan Spicer
NOVA YORK, 13 Jun (Reuters) – O Federal Reserve está guiando
uma economia norte-americana próxima do ideal que poderia ter
sonhado há uma década, quando dias mais sombrios de recessão
forçaram o banco central a correr grandes riscos para proteger
trabalhadores, bancos e economias ao redor de mundo de uma
devastação ainda maior.
Após nove anos de uma estável, mas irregular, recuperação,
os EUA agora estão crescendo em um ritmo beirando 4 por cento, o
desemprego está mais baixo do que já esteve neste século e a
inflação sobe com segurança para a meta oficial.
Com apenas alguns itens permanecendo na lista de desejos do
banco central dos EUA, como ganhos salariais maiores e maior
produtividade, as metas principais de preços estáveis e pleno
emprego estão efetivamente cumpridas.
Os pesadelos que atormentaram tanto hawks, quanto doves, não
chegaram a passar, mesmo com o Fed mantendo taxas de juros perto
do zero por anos e tendo adquirido 3,5 trilhões de dólares em
títulos em um esforço extraordinário para impulsionar a
recuperação. Preços não cresceram em resposta ao imenso estímulo
monetário, nem o mercado de empregos resfriou desde 2015, quando
o Fed começou a política de aperto.
O aumento de taxa nesta quarta-feira é o sétimo neste ciclo
e marcou efetivamente uma mudança para uma postura neutra, na
qual a taxa de política se iguala à inflação em menos de 2 por
cento, deixando uma acomodação “real” igual a zero.
“O Fed merece tremendo crédito por conduzir a economia para
águas mais calmas, apoiando o que é provavelmente a mais longa
expansão na história dos EUA, ao mesmo tempo cumprindo objetivos
de inflação e emprego”, disse Stephen Gallagher,
economista-chefe do Société Générale para os EUA. “Política
fiscal desempenhou um papel durante a crise, mas política
monetária esteve no primeiro plano”.
A atual expansão econômica é a segunda mais longa da
história dos EUA e irá estabelecer um recorde se durar um pouco
mais de um ano.
Ao menos no horizonte imediato, parece haver pouco no
caminho, dado o 1,8 trilhão de dólares do governo Trump em
cortes fiscais e gastos planejados do governo. Não é até o
estímulo começar a enfraquecer, no final de 2019 a meados de
2020, que uma recessão é provável, de acordo com metade dos
consultados em uma pesquisa da Associação Nacional de Economia
de Negócios.
O membro do Fed, Lael Brainard, que está entre os membros
mais dovish menos ansiosos para apertar os juros, disse em 31 de
maio que “o considerável estímulo fiscal que está em curso deve
fornecer um vento de cauda para o crescimento na segunda metade
do ano e além.”
O Fed não está inclinado a aumentar taxas mais que
gradualmente após anos de previsões demasiadamente otimistas
para inflação e crescimento econômico, e ganhos salariais
decepcionantes de cerca de 2,5 por cento ao ano. Outra razão
para preocupação são as ameaças da Casa Branca de mais tarifas,
incluindo sobre seus aliados mais próximos, levantando dúvidas
sobre como o comércio internacional irá afetar o crescimento.
Mas, por ora, o Fed de Atlanta estima que a economia dos EUA
está se movendo a uma taxa de 4,6 por cento, um nível que
alcançou somente duas vezes desde a recessão. Economistas, no
geral, esperam que o crescimento permaneça acima de 3 por cento
até o fim de ano, enquanto membros do Fed elevaram suas
previsões para 2,8 nesta quarta-feira.


Assuntos desta notícia

Join the Conversation