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O ano de 2017 começou e terminou com o dólar próximo do patamar de R$ 3,30. Em 2 de janeiro, era cotado a R$ 3,281. Em 27 de dezembro, a R$ 3,312. No período, a alta acumulada foi de 1,98%.

Nos primeiros meses havia otimismo em relação à retomada da economia, principalmente com o andamento das reformas da Previdência e trabalhista, o que resultou em queda na cotação do dólar ante o real. Havia também cautela quanto ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

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A partir de março, o patamar do dólar variava pouco, sempre em torno de R$ 3,20, até que explodiu com a delação da JBS, em maio.

Após correções e o andamento da reforma trabalhista, aprovada em julho, a cotação voltou a subir com a perspectiva de que a reforma da Previdência não sairia este ano. A suspeita foi confirmada em dezembro. No último mês do ano, o dólar voltou a ultrapassar os R$ 3,30.

Veja abaixo os principais pontos que afetaram a cotação do dólar em 2017.

Delação da JBS

A maior variação diária do dólar em 2017 foi causada pela imprevista delação da JBS, em maio. Na ocasião, o dólar chegou a R$ 3,389, em 18 de maio, com uma alta de 8,15% no dia.

Com base nas delações, o presidente Michel Temer foi acusado pela Procuradoria Geral da República pelo crime de corrupção passiva, em 26 de junho. Em 27 de junho o dólar subiu 0,51%, cotado a R$ 3,3185.

Em 03 de agosto o presidente Michel Temer conseguiu barrar na Câmara dos Deputados o andamento da denúncia por crime de corrupção passiva e o dólar caiu 0,20%, cotado a R$ 3,113.

Além de ter sido acusado de corrupção passiva, Michel Temer foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.

A Câmara dos Deputados barrou as denúncias em 25 de outubro, com placar menor do que o esperado. Em 26 de outubro, em resposta ao ocorrido, o dólar subiu 1,22%, a R$ 3,28. O entendimento foi de que a baixa adesão ao governo não é suficiente para garantir a aprovação da reforma da Previdência. A partir daí a cotação do dólar se manteve, com algumas variações, mais próxima do patamar de R$ 3,30 até o final do ano.

Reformas: Trabalhista e Previdência

Apresentada pelo presidente Michel Temer em 20 de janeiro, a reforma trabalhista foi um dos principais temas na agenda política e econômica do país em 2017. Em 20 de junho, o dólar subiu 1,5% na comparação com o dia anterior e fechou a R$ 3,33 após o Senado rejeitar o texto principal da reforma. Já em 12 de julho, após a aprovação da reforma, o dólar teve queda de 1,40%, e fechou o dia cotado a R$ 3,207.

Enquanto isso, a reforma da Previdência, que teve comissão na Câmara dos Deputados instalada em fevereiro, foi constantemente adiada em 2017.

Finalmente, em 14 de dezembro, foi prorrogada para 2018. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou que a reforma da Previdência será votada no dia 19 de fevereiro, após o Carnaval.

Juros nos Estados Unidos

O Federal Reserve (Fed) aumentou três vezes a taxa básica de juros dos EUA, mas os ajustes foram percebidos como baixos.

O primeiro aumento do ano foi em 15 de março, quando passou para a faixa entre 0,75% e 1%. Como a alta foi menor do que a esperada por analistas, o dólar registrou queda de 1,83%, na data, a R$ 3,111.

Em 14 de junho o Fed fez o segundo aumento na taxa de juros de 2017. A alta, de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 1% a 1,25%, também foi considerada baixa. O dólar caiu 0,83% em relação ao real no dia, a R$ 3,2805.

O terceiro aumento chegou apenas em 13 de dezembro e no mesmo percentual, e agora os juros permanecem entre 1,25% e 1,5%. Esta é uma das últimas decisões do Fed sob o comando de Janet Yellen, que será substituída por Jerome Powell, indicado pelo presidente Trump em novembro. O dólar teve queda de 0,37% na data, impulsionado também pelo anúncio da data de julgamento do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula pré-candidato

Em 12 de julho, mesma data da aprovação da reforma trabalhista, o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Lula por corrupção e lavagem de dinheiro no caso envolvendo um tríplex no Guarujá.

Em 13 de dezembro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) marcou para 24 de janeiro de 2018 o julgamento de recurso de Lula. O dólar recuou 0,37%, vendido a R$ 3,315. Lula é apontado pelo Datafolha como primeiro na pesquisa por intenção de voto para a presidência em 2018, mas sua candidatura pode ser barrada em caso de condenação em segunda instância.

*Por Fernando Pavani, CEO e fundador da Remessa Online


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