Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

A Autoridade Monetária está num dilema. Num ótimo dilema para ser mais exato. Com a inflação em queda – e o IPCA-15 divulgado hoje segue sinalizando isso – o COPOM pode se dar ao luxo de escolher a velocidade do corte na SELIC. Acreditamos que vá continuar de 75 em 75, uma velocidade mais que suficiente para chegar à 9% no fim do ano (nossa projeção) e assim numa taxa real ex-post de 4,5% (assumindo IPCA em outros 4,5% no fim do ano). A ideia atrás do corte de 75 é não exagerar na dose, mas digo isso menos por mim e mais pelo BCB, a atitude serena de Ilan sugere esse tipo de manuseio da taxa básica.

O fato é que estamos amplamente deflacionários, como geralmente digo “a boa notícia é que está ruim.” No gráfico abaixo temos o PIB dessazonalizado e a linha de tendência obtida através de um filtro HP; fica evidente que estamos trabalhando abaixo do potencial e isso tem implicações claras para o manuseio do sistema de metas dentro de uma visão estritamente ortodoxa.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Outra evidência ortodoxa do tamanho do corte total que deve ser conduzido é através da estimação de uma simples regra de Taylor. Assumindo um desemprego de 12,25% no final do ano, com um IPCA em 4,5%, NAIRU em 8% a taxa SELIC deveria estar em 8,86%.

Não acredito em taxas naturais por definição, mas minha opinião pouco importa, no mercado de SELIC eu não “formo” preço, mas sim “tomo” preço e sabemos bem da leitura criteriosa do BCB sobre estas métricas. Em alguma medida a diretoria do BCB está atrás da curva, poderia criticar algum ortodoxo mais radical, mas nesse caso – levando em conta a infinidade de ruídos que podem acontecer em 2017 tanto internos como externos – acho mesmo melhor o COPOM deixar o mercado ir na frente…

O IPCA-15 divulgado hoje veio acima da mediana das projeções e bem acima da nossa própria estimativa, mas foi o menor nos últimos 10 anos (empatado com fevereiro de 2012). A boa notícia, como disse, é que está ruim…

*André Perfeito é economista-chefe da Gradual Investimentos


Assuntos desta notícia