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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 1 Dez (Reuters) – Um início de verão com chuvas
acima da média na região das hidrelétricas e a antecipação da
entrega de uma linha de transmissão que liga a usina de Belo
Monte ao Sudeste tiraram do radar a necessidade de acionar
termelétricas com custo de operação mais elevado para atender à
demanda brasileira por energia.
A avaliação é do diretor-geral do Operador Nacional do
Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, que concedeu
entrevista à Reuters nesta sexta-feira.
A projeção alivia algumas preocupações vistas há pouco tempo
sobre custos aos consumidores.
Entre o final de outubro e o início de novembro, o governo
avaliava que seria preciso recorrer a térmicas mais caras do que
os indicados por modelos computacionais utilizados pelo ONS, o
chamado despacho fora da ordem de mérito, para dar algum alívio
aos reservatórios das hidrelétricas.
Mas a chinesa State Grid e a Eletrobras estão em
testes de um enorme linhão de ultra-alta tensão que terá
capacidade para enviar 4 gigawatts em energia de Belo Monte
diretamente do Pará para o Sudeste.
Esse volume equivale à energia assegurada da maior usina
unicamente em solo brasileiro, a de Tucuruí –e Belo Monte ainda
conseguirá suprir mais quase 1 gigawatt na região Norte, segundo
Barata.
"Eles estão concluindo os testes e estão indo muito bem…
vamos poder aproveitar toda a água que chega no Xingu em
janeiro, fevereiro, é realmente um reforço extraordinário para
nós. À medida que entrar a linha, Belo Monte pode gerar quase 5
mil megawatts", disse.
Quando concluída, em 2020, Belo Monte deverá ter 11,2
gigawatts, uma das maiores usinas do mundo.
Como o linhão estava previsto para fevereiro, o sistema
passa a contar com uma energia extra, ao mesmo tempo em que
agora se espera chuvas próximas à média histórica nas
hidrelétricas em dezembro, contra expectativas de 70 por cento
apontadas em setembro, pela Câmara de Comercialização de Energia
Elétrica (CCEE). [ ]
"As avaliações que fizemos foram conservadoras…
aparentemente, não é esse o quadro que está se configurando, é
um quadro melhor", afirmou o diretor-geral do ONS.
"Não sei dizer a trajetória, mas o quadro que está se
configurando não é o que a gente vinha estudando, está começando
melhor que o esperado, novembro foi bom, dezembro está sendo…
Por enquanto, nossa expectativa é de não gerar termelétricas
fora da ordem de mérito", disse Barata.

NÃO É UNANIMIDADE
A previsão mais otimista do ONS, no entanto, não chega a ser
uma unanimidade no setor elétrico neste momento.
O presidente da consultoria Thymos Energia, João Carlos
Mello, disse à Reuters que houve uma melhora no quadro
hidrológico, mas que deveria ser aproveitada justamente para
recuperar os reservatórios das hidrelétricas de maneira
consistente, para evitar sustos em 2018, quando há previsões de
maior crescimento econômico.
"Eu vinha dizendo que para recuperar teria que cair um
dilúvio, e isso não mudou muito", afirmou ele, que defende o
acionamento das termelétricas mais caras fora da ordem de
mérito.
"Com isso (atual previsão de não despachar usinas mais
caras), não se economiza água nos reservatórios e se perpetua
ainda mais o problema. Em abril de 2018, final do período de
chuvas, os níveis de armazenamento podem estar com valores pouco
seguros", adicionou Melo.
As hidrelétricas do Sudeste, que concentram os maiores
reservatórios, estão hoje com quase 19 por cento de
armazenamento, perto do recorde negativo de 15,8 por cento em
novembro de 2014.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Por Luciano Costa; edição de Roberto Samora)
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