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BRASÍLIA, 6 Dez (Reuters) – A despeito do clima de otimismo
de aliados, que apostam em uma votação da reforma da Previdência
na próxima semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo
Maia (DEM-RJ), defendeu nesta quarta-feira que a articulação
sobre a reforma da Previdência concentre-se no "convencimento"
dos indecisos, para só depois marcar uma data para deliberação.
O deputado aproveitou para criticar a estratégia de
governistas, que após um café da manhã no Palácio da Alvorada,
divulgaram estimativas de votos a favor da proposta. A mais
corrente gira em torno dos 260 votos, mas a mais otimista, que
leva em conta o apoio de indecisos, contabiliza 310 votos. Por
se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a
reforma precisa do "sim" de 308 dos 513 deputados em dois turnos
de votação.
"O que a gente precisa é trabalhar o convencimento de cada
parlamentar, entender se nós temos condição de votar a matéria.
E quando a gente tiver esse convencimento, indicar a data que
será votada", disse Maia a jornalistas.
"Acho que ficar falando número, acho que não ajuda muito o
processo de convencimento dos deputados. Fica parecendo uma
pressão sobre os deputados e isso não é bom, porque essa é uma
matéria difícil, fundamental, e a gente precisa ter muito
diálogo e muita paciência para que ela possa avançar na Câmara
dos Deputados."
O presidente da Casa disse ainda que não irá pautar a
proposta se ela não contar com os votos necessários para ser
aprovada, já que uma derrota passaria, na opinião do deputado,
uma mensagem ruim à sociedade.
"A gente ir para uma votação com clareza de derrota apenas
para ter uma data, a gente vai estar gerando uma sinalização de
que não há na Câmara uma responsabilidade fiscal majoritária, e
há. Essa maioria existe", disse Maia.
"O problema são as circunstâncias, tudo o que nós passamos
esse ano que acaba gerando um certo desconforto nos
parlamentares", afirmou.
As declarações de Maia servem de contraponto a avaliações de
aliados que, mais cedo, após café no Palácio da Alvorada,
apontaram uma mudança de ânimos na Casa. Eles apostam na
migração de indecisos assim que o sentimento favorável à
proposta for consolidado em um número próximo a 290.
Maia já declarou, em outra circunstância, que prefere ser
realista a otimista, e defende que o governo conte com uma
margem de votos acima dos 308 para levar a proposta a plenário.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello; Edição de Alexandre
Caverni)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))

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