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Por Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito
BRASÍLIA, 10 Jan (Reuters) – A ordem do governo é não mexer
na "cota" partidária da Esplanada, diante da perspectiva de
trocar mais de 10 ministros que vão concorrer a cargos como
deputado federal, senador e, eventualmente, até a Presidência da
República, a despeito da polêmica judicial sobre a nomeação da
deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para ministro do Trabalho.
A avaliação de aliados do presidente Michel Temer é que não
haverá mudanças nessa orientação, apesar do desgaste por que o
governo tem passado nos últimos dias, com a Justiça tendo
barrado, ao menos por ora, a posse de Cristiane Brasil como
ministra.
O governo, segundo um interlocutor do presidente no
Planalto, quer evitar qualquer tipo de estresse com a base no
momento em que trabalha para garantir ao menos 308 votos para
aprovar a reforma da Previdência na Câmara. O governo não tem
ainda esses apoios.
A votação está prevista para o dia 19 de fevereiro. Por se
tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), ela
precisa ser aprovada em dois turnos de votação.
Na segunda-feira, atendendo a uma ação popular, o juiz
federal Leonardo da Costa Couceiro, da 4ª Vara Federal de
Niterói (RJ), concedeu liminar suspendendo a posse dela por
conta de condenações sofridas pela parlamentar justamente na
Justiça do Trabalho.
Desde novembro, quatro ministros deixaram os cargos: os
tucanos e titulares das Cidades Bruno Araújo e da Secretaria de
Governo Antonio Imbassahy, trocados, respectivamente, por
Alexandre Baldy (sem partido) e Carlos Marun (MDB); e Marcos
Pereira (PRB), do Desenvolvimento, e Ronaldo Nogueira (PTB), do
Trabalho, cujos substitutos ainda não assumiram.
Um dos cotados para ocupar o Ministério do Desenvolvimento é
o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial
(Abdi), Guto Ferreira, ligado a Marcos Pereira, que deixou o
cargo para reassumir a presidência do partido e possivelmente
concorrer, pela primeira vez, a deputado federal.
Devem deixar o cargo até abril para concorrer nas eleições
deste ano os ministros da Saúde, Ricardo Barros (PP); da
Educação, Mendonça Filho (DEM); de Minas e Energia, Fernando
Coelho Filho (sem partido); da Integração Nacional, Helder
Barbalho (MDB); do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV); dos
Esportes, Leonardo Picciani (MDB); do Turismo, Marx Beltrão
(MDB); dos Transportes, Maurício Quintella (PR); do
Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB); e da Defesa, Raul
Jungmann (PPS). Nessa lista, avaliam concorrer a cargos de
deputado e senador.
Também avaliam concorrer a cargos eletivos os ministros das
Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), das Cidades,
Gilberto Kassab (PSD), e da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD).
Aloysio cogita concorrer à reeleição ao Senado, do qual está
licenciado; Kassab ainda avalia o cargo a disputar por São
Paulo; e Meirelles tenta se viabilizar para disputar a sucessão
de Temer.
O novo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun,
afirmou à Reuters que as saídas não vão gerar um "trauma" na
base, são trocas previstas.
"As opiniões dos partidos serão consideradas em todas as
substituições. Não é uma situação que nos traz maiores
preocupações", disse, ao avaliar que não considera as
modificações complicadas.
Marun admite, entretanto, que, em razão do critério de
reserva dos partidos, em um ano eleitoral o universo de
possíveis ocupantes que podem exercer a titularidade dos
ministérios diminui. "Mas soluções serão encontradas", acredita.
O ministro destacou que o governo não pode nem quer abrir
mão dos partidos da base. Para ele, não há substituição
automática, no caso em que um secretário-executivo passa a
ocupar o cargo do titular que saiu.
"(O presidente) quer ouvir os partidos, discutir nomes.
Ainda temos 40 por cento do tempo de governo a exercer, ainda
estamos em ascendente. Não é um goveno que pode dizer que
fizemos tudo o que temos de fazer", completou.
No Planalto, segundo fontes, a ordem é que os ministérios
vão continuar sendo dos partidos, exceto se eles abrirem mão. O
presidente vai aguardar as indicações e, se estiver dentro do
perfil e não tiver nenhum problema, será nomeado.
No caso de Cristiane Brasil, mesmo após a revelação de que
ela foi condenada em processo trabalhista, a avaliação é de que
as ações sobre ela não afetavam a performance como ministra.
Uma liderança governista da Câmara admitiu, reservadamente,
que o governo errou ao não ter feito uma triagem para avaliar o
perfil de Cristiane Brasil. Contudo, destacou, não há como
voltar atrás.
"Era só fazer um Google", brincou. "Evitaria esse tremendo
desgaste que estamos passando", reforçou.

(Edição de Alexandre Caverni e Maria Pia Palermo)
(([email protected]; +55 21 5644-7505;
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