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Por Guy Faulconbridge e Michael Holden
LONDRES, 30 Nov (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, causou indignação no Reino Unido nesta
quinta-feira com uma resposta áspera à primeira-ministra
britânica, Theresa May, pelo Twitter depois de ela criticá-lo
por retuitar vídeos anti-islâmicos da extrema-direita britânica.
Enquanto políticos britânicos condenavam Trump por
compartilhar vídeos publicados originalmente por uma líder de um
grupo britânico periférico de extrema-direita, o
norte-americano, em um ataque sem precedentes a uma das aliadas
mais próximas dos EUA, replicou com uma mensagem impenitente.
"Theresa @theresamay, não se concentre em mim, concentre-se
no Terrorismo Radical Islâmico destruidor que está ocorrendo
dentro do Reino Unido. Estamos bem", tuitou.
Sua resposta truculenta causou revolta no Reino Unido, onde
aconteceram vários grandes ataques de militantes islâmicos neste
ano, e um ministro descreveu os tuítes de Trump como "alarmantes
e desesperados". O prefeito muçulmano de Londres pediu o
cancelamento de um convite para que o presidente faça uma visita
de Estado ao país.
"Depois deste incidente mais recente, está cada vez mais
claro que qualquer visita oficial do presidente Trump ao Reino
Unido não seria bem-vinda", disse.
May, que visita a Jordânia, reafirmou sua opinião, expressa
anteriormente por seu porta-voz, de que o líder dos EUA está
errado de compartilhar vídeos anti-islâmicos postados por Jayda
Fransen, vice-líder do Reino Unido Primeiro, mas não respondeu
diretamente à réplica de Trump.
"Deixo muito claro que retuitar o Reino Unido Primeiro foi a
coisa errada a fazer", afirmou May aos repórteres na Jordânia.
Ela disse que o grupo é uma "organização detestável" que procura
semear a divisão e a desconfiança.
O embaixador britânico nos EUA, Kim Darroch, disse ter
expressado suas preocupações a autoridades da Casa Branca. "O
povo britânico rejeita maciçamente a retórica preconceituosa da
extrema-direita, que procura dividir comunidades e erodir a
decência, a tolerância e o respeito", escreveu ele no Twitter.
Jayda Fransen, que neste mês foi condenada por insultar uma
muçulmana e cujo grupo quer proibir o islamismo, enfrenta
acusações criminais adicionais de assédio racialmente agravado.
Inicialmente Trump direcionou sua resposta a uma conta de
Twitter que não era a de May, mas mais tarde retuitou para a
conta da premiê.
Os vídeos compartilhados por Trump supostamente mostram um
grupo de pessoas muçulmanas espancando um adolescente até a
morte, agredindo um menino de bengalas e destruindo uma estátua
cristã.
A Casa Branca defendeu os retuítes do presidente, que
durante a campanha eleitoral de 2016 pediu "um veto total e
completo à entrada de muçulmanos nos EUA", dizendo que ele
estava abordando questões de segurança.
(Reportagem adicional de Estelle Shirbon, Elizabeth Piper e
William James)


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