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WASHINGTON/JERUSALÉM, 6 Dez (Reuters) – O presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, reverteu de forma abrupta uma
política de décadas dos EUA e reconheceu Jerusalém como capital
de Israel, provocando a indignação de palestinos e desafiando
alertas sobre distúrbios no Oriente Médio.
Elogiado por Israel, Trump afirmou em discurso na Casa
Branca que o seu governo iniciaria o processo de transferência
da embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém, uma
medida que deverá levar anos e que os seus antecessores evitaram
tomar para que as tensões não aumentassem.
O status de Jerusalém, onde ficam locais sagrados para
muçulmanos, judeus e cristãos, é um dos maiores obstáculos para
um acordo de paz entre israelenses e palestinos.
A comunidade internacional não reconhece a soberania de
Israel sobre a cidade inteira, acreditando que o status do lugar
deve ser resolvido em negociações.
"Eu determinei que é hora de reconhecer oficialmente
Jerusalém como capital de Israel", disse Trump. "Enquanto
presidentes anteriores fizeram do tema promessa importante de
campanha, eles fracassaram em tomar a medida. Hoje, eu estou
tomando."
A decisão de Trump coloca sob risco o papel histórico dos
EUA como mediador do conflito entre israelenses e palestinos e
traz desgaste para as relações com aliados árabes dos quais
Washington depende no esforço para se opor ao Irã e para
combater militantes sunitas.
Israel considera a cidade a sua capital eterna e indivisível
e quer todas as embaixadas lá. Os palestinos querem que a
capital do seu Estado independente seja no leste da cidade,
capturado por Israel na guerra de 1967 e então anexado, uma
medida que nunca foi reconhecida internacionalmente.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, celebrou
o anúncio como um "marco histórico" e insistiu que outros países
também mudassem as suas embaixadas para Jerusalém.
Netanyahu declarou que qualquer acordo de paz como os
palestinos deve incluir Jerusalém como capital de Israel. Se
isso significa a cidade inteira sob o controle israelense, a
ideia não seria aceitável para os palestinos.

DECEPÇÃO PALESTINA
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou
nesta quarta que a cidade é "a capital eterna do Estado
Palestino". Abbas disse que a decisão de Trump equivale aos EUA
abdicarem do seu papel de mediador.
Os palestinos disseram que a iniciativa de Trump significa o
"beijo da morte" para a solução dos dois Estados, proposta que
prevê um Estado palestino no território que Israel tomou em
1967, ou seja, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e o leste de
Jerusalém.
Nenhum outro país tem embaixada em Jerusalém. El Salvador e
Costa Rica tinham suas representações lá, mas as transferiram
para Tel Aviv em 2006, dizendo querer seguir as normas
internacionais.
Com a decisão sobre Jerusalém, Trump cumpre uma promessa de
campanha e vai agradar conservadores republicanos e evangélicos,
grupos que formam uma parte considerável da sua base de apoio.
Outros benefícios políticos para ele com a medida não estão
claros.
"Ele não pode esperar ficar inteiramente do lado de Israel
na maior parte dos temas sensíveis e complexos do processo e
ainda esperar que os palestinos o vejam como mediador honesto",
disse Daniel Kurtzer, ex-embaixador dos EUA em Israel.
"O seu desejo declarado de fazer o 'acordo final' é agora
uma vítima da ingenuidade da sua própria política", afirmou.
O papa Francisco pediu que o status quo de Jerusalém fosse
respeitado, dizendo que uma nova tensão agravaria ainda mais os
conflitos mundiais. China e Rússia também expressaram
preocupação de que os planos pudessem agravar as hostilidades no
Oriente Médio.
Centenas de manifestantes de reuniram do lado de fora do
consulado dos EUA em Istambul por causa da decisão de Trump.
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o anúncio
de Trump era lamentável e que Paris não dá apoio à medida. O
secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou
que não há alternativa à solução dos dois Estados. "Não há plano
B."
Trump declarou que a sua iniciativa não tinha como objetivo
fazer a balança pesar para o lado de Israel, e que qualquer
acordo envolvendo o futuro de Jerusalém deveria ser negociado
entre as duas partes.
Buscando suavizar o golpe que o seu anúncio representa para
os palestinos, ele insistiu que não está tomando posição sobre
"qualquer tema relacionado ao status final, incluindo os limites
específicos da soberania israelense em Jerusalém ou a resolução
sobre as fronteiras em disputa".
Trump não mencionou os assentamentos judaicos em territórios
ocupados.
Ele disse que permanecia comprometido com a solução dos dois
Estados se as partes a quisessem.
O presidente pediu que a região recebesse a sua mensagem com
calma.
"Haverá claro desacordo e divergência em relação ao meu
anúncio, mas estamos confiantes de que no final, trabalhando
esses desacordos, vamos chegar a um ponto de maior entendimento
e maior cooperação", afirmou Trump.
Ele disse que a sua iniciativa reflete a realidade de
Jerusalém como centro da fé judaica e o fato de a cidade ser o
local do governo israelense.
(Reportagem adicional de Matt Spetalnick, Doina Chiacu,
David Alexander em Washington, Ali Sawafta em Ramallah, e Ori
Lewis em Jerusalém)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
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