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Por Guy Faulconbridge e Michael Holden
LONDRES, 13 Mar (Reuters) – O Reino Unido deu à Rússia até a
meia-noite desta terça-feira para explicar como um agente
nervoso da era soviética foi usado contra um ex-agente duplo
russo em território britânico, e o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, disse que repreenderá a Rússia se indícios
britânicos incriminarem Moscou.
A primeira-ministra britânica, Theresa May, que na
segunda-feira disse ser "altamente provável" que a Rússia esteja
por trás do envenenamento de Sergei Skripal e de sua filha,
recebeu apoio de alguns dos principais aliados europeus do Reino
Unido e da da União Europeia, que denunciou o ataque
descrevendo-o como "chocante" e ofereceu ajuda para rastrear os
responsáveis.
Jens Stoltenberg, secretário-geral da Organização do Tratado
do Atlântico Norte (Otan), disse que o ataque foi "horrível".
Mas Moscou sinalizou ser pouco provável que responda ao
apelo de Londres por uma explicação crível até
quarta-feira. Negando ter desempenhado qualquer papel no ataque,
que deixou Skripal, de 66 anos, e sua filha Yulia, de 33 anos,
em estado grave, a Rússia disse que ignorará o ultimato até que
Londres entregue amostras do agente nervoso usado e cumpra as
obrigações internacionais para investigações conjuntas de tais
incidentes.
"Quaisquer ameaças de adotar 'sanções' contra a Rússia não
ficarão sem resposta", disse o Ministério das Relações
Exteriores russo em um comunicado. "O lado britânico deveria
entender isso".
A Rússia terá uma eleição presidencial no domingo, na qual o
presidente Vladimir Putin, ele mesmo um ex-espião da KBG, deve
conquistar um quarto mandato no Kremlin com facilidade.
Skripal, ex-membro da inteligência militar russa, entregou
dezenas de agentes russos à inteligência britânica até ser
detido em Moscou e preso em 2006. Em 2010 ele foi libertado em
uma troca de espiões e recebeu refúgio no Reino Unido, onde
vivia discretamente na cidade de Salisbury até ser encontrado
inconsciente ao lado da filha em um banco público em 4 de março.
Na segunda-feira, May disse que seu país identificou a
substância como pertence ao grupo de agentes nervosos conhecido
como Novichok, desenvolvido pelos militares soviéticos nos anos
1970 e 1980.
Somando-se às mensagens de solidariedade do presidente
francês, Emmanuel Macron, e da nova coalizão de governo da
Alemanha, a expressão de apoio de Trump deu a May uma esperança
adicional de cortejar endosso ocidental para seu governo, que
parece a caminho de uma disputa de forças com a Rússia.
"O presidente Trump disse que os EUA estão com o Reino Unido
até o fim, concordando que o governo russo precisa fornecer
respostas não ambíguas sobre como esse agente nervoso chegou a
ser usado", disse um porta-voz de May em comunicado.
Se nenhuma resposta satisfatória de Moscou for recebida até
a meia-noite do horário de Londres, May provavelmente delineará
a reação britânica no Parlamento na quarta-feira.
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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