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Por Dan Williams e Nidal al-Mughrabi
JERUSALÉM/GAZA, 7 Dez (Reuters) – O grupo islâmico Hamas
defendeu nesta quinta-feira que os palestinos abandonem os
esforços de paz e iniciem uma nova revolta contra Israel em
resposta à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, de reconhecer Jerusalém como capital israelense.
Grupos palestinos convocaram um "Dia de Fúria" para esta
sexta-feira, e uma onda de protestos na Cisjordânia e em Gaza
nesta quinta resultou em confrontos entre palestinos e tropas
israelenses. Pelo menos 31 pessoas ficaram feridas por tiros e
balas de borracha israelenses, segundo médicos.
Os militares de Israel afirmaram que um avião e um tanque
atacaram dois pontos de militantes na Faixa de Gaza, controlada
pelo Hamas, após três foguetes terem sido lançados contra
Israel.
Um grupo jihadista em Gaza chamado Brigadas Al-Tawheed, que
não segue a instrução do Hamas para não disparar foguetes,
assumiu a responsabilidade pelos lançamentos.
Os militares declararam que reforçavam a segurança na
Cisjordânia ocupada.
Médicos disseram que 11 pessoas foram atingidas por balas
reais e 20 por balas de borracha nos distúrbios desta quinta.
Uma delas estava em estado grave.
Alguns manifestantes atiraram pedras nos soldados, e outros
cantaram: "Morte a América! Morte ao idiota Trump!".
Na quarta-feira, Trump reverteu uma política norte-americana
de décadas ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel,
irritando o mundo árabe e desapontando aliados ocidentais.
O status de Jerusalém, onde há locais sagrados para
muçulmanos, cristãos e judeus, é um dos principais obstáculos
para um acordo de paz entre Israel e palestinos.
"Nós devemos convocar e devemos trabalhar para lançar uma
intifada (revolta palestina) diante do inimigo sionista", disse
Ismail Haniyeh, líder do Hamas, em discurso em Gaza.
No "Dia de Fúria" nesta sexta, manifestações e protestos são
esperados perto dos postos de controle israelenses na
Cisjordânia e ao longo da fronteira com Gaza.
As orações de sexta-feira na mesquita Al-Aqsa em Jerusalém
podem também ser um foco de conflito.
Naser Al-Qidwa, um assessor do presidente da Autoridade
Palestina e apoiado pelo Ocidente, Mahmoud Abbas, insistiu para
que os palestinos realizem protestos pacíficos.
Nesta quinta-feira, Abbas se encontrou com o rei Abdullah,
da Jordânia. O país é um aliado dos EUA, mas classificou a
medida de Trump como "legalmente nula".
Israel considera Jerusalém a sua capital eterna e
indivisível. Os palestinos desejam que a capital do seu estado
próprio seja a região leste da cidade, capturada pelos
israelenses na guerra de 1967 e então anexada, uma medida que
nunca foi reconhecida internacionalmente. Nenhum outro país tem
a sua embaixada em Jerusalém.
Yoav Gallant, ministro israelense responsável pelo setor de
habitação, disse que na semana que vem levaria para a aprovação
do gabinete 14 mil unidades residenciais, das quais cerca de 6
mil estão previstas para serem construídas em áreas árabes do
leste de Jerusalém.
"Após a declaração histórica do presidente Trump, eu
pretendo promover e reforçar a construção em Jerusalém", afirmou
Gallant em comunicado.

REAÇÃO
Trump anunciou na quarta que o seu governo iniciaria a
transferência da embaixada norte-americana de Tel Aviv para
Jerusalém, um processo que deve levar anos e que seus
antecessores evitaram para não aumentar as tensões.
Israel e os EUA consideram o Hamas uma organização
terrorista. O grupo não reconhece o direito de Israel de
existir, e seus atentados suicidas a bomba deram força à última
intifada, ocorrida entre 2000 e 2005.
Temendo uma interrupção nos esforços de reconciliação entre
o Hamas e o Fatah, o primeiro-ministro palestino, Rami
Al-Hamdallah, e outros representantes do Fatah chegaram em Gaza
nesta quinta para uma reunião com o Hamas.
No Líbano, Sayyed Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah,
apoiou os chamados por uma nova intifada. "Estamos enfrentando
uma evidente agressão americana", disse.
O grupo militante Al Qaeda na Península Arábica declarou que
a decisão de Trump era o resultado das "medidas de normalização"
entre os países árabes do Golfo e Israel.
Protestos ocorreram depois do anúncio de Trump na Jordânia,
do lado de fora do consulado norte-americano em Istambul e no
Paquistão.
Os insurgentes do Taliban no Afeganistão disseram que os EUA
estavam "mostrando a sua ambição colonial em território
muçulmano".
(Reportagem adicional de Hamid Shalizi em Cabul, Kay Johnson
em Islamabad, Ellen Francis em Beirute, Ori Lewis in Jerusalém,
Steve Holland em Washington, e Michelle Nichols nas Nações
Unidas)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS TR

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