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Por Maria Carolina Marcello
BRASÍLIA, 7 Dez (Reuters) – O clima de otimismo que empolgou
lideranças governistas perdeu força nesta quinta-feira, quando
até mesmo defensores mais apegados à reforma da Previdência
admitiam o recuo de expectativas, e a data de votação da
proposta segue indefinida.
Quase que diariamente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), avisa que só colocará a medida na pauta quando ela
contar com os votos necessários –por se tratar de uma Proposta
de Emenda à Constituição (PEC), precisa dos votos favoráveis de
ao menos 308 dos 513 deputados em dois turnos de votação para
ser aprovada na Casa. Nesta quinta-feira, mais cedo, voltou a
dizer que o governo ainda não tem o mínimo de votos exigidos.
Na véspera, no entanto, lideranças aliadas deixaram café da
manhã com o presidente Michel Temer no Palácio da Alvorada
animados com a perspectiva de votação. Alguns chegaram a cravar
que ela poderia ocorrer na próxima terça-feira. As estimativas
de voto, ainda que preliminares, oscilaram de 260, entre os mais
cautelosos, a 310, esta última com provável contabilidade de
votos dos indecisos.
Nesse clima de otimismo, líderes aliados passaram a quarta
em reuniões e conversas, e assistiram duas legendas governistas
(PMDB e PTB) fecharem questão a favor da reforma, parte da
estratégia elaborada para angariar votos. À noite voltaram ao
Alvorada para um relato das articulações até então e ouviram um
apelo de Temer por apoio à reforma.
Nesta quinta-feira, no entanto, o ânimo já era outro.
Liderança super engajada pela aprovação da reforma já admitia
uma diminuição das chances de votação da reforma da Previdência
na próxima semana. Segundo o parlamentar, a negociação enfrenta
obstáculos em partidos aliados –o PRB, o PR e o PSD.
"A data enfraqueceu", afirmou a liderança, sob condição de
anonimato, citando dificuldades em reverter votos contrários à
reforma nas três siglas.
Se a primeira liderança usou a expressão "enfraqueceu" para
descrever as chances de votação na próxima semana, outro
parlamentar da base aliada ouvido pela Reuters apresentou uma
avaliação mais pessimista. Para ele, a proposta não deve ser
votada neste ano.
"Não tem mais a ver com texto, é o momento que não ajuda",
disse, referindo-se à proximidade do fim do ano e do período
eleitoral.
Em uma posição mais moderada, outra liderança reconheceu que
a proposta ainda não tem os votos necessários, mas não descartou
uma votação ainda neste ano.
Ainda que reconheça que a PEC não conta com os votos
necessários, Maia garante que vai seguir trabalhando pela
reforma. O presidente da Câmara trabalha com um prazo de até 10
dias para "criar as condições" de votá-la.
"Eu tenho certeza que se nós tivéssemos mais quatro semanas,
eu não tenho dúvida que a reforma da Previdência estaria com
certeza aprovada. Mas nós não temos. Nós temos no máximo uma
semana, dez dias e nós vamos trabalhar com esse prazo para criar
as condições", disse Maia a jornalistas. "Agora, sempre de forma
realista."
Em outro momento, o presidente da Câmara negou ter
informação de que não há condições para votar a reforma semana
que vem. Mas não definiu, até o momento, uma data para a
votação.

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))

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