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Por Ahmed Aboulenein e Maher Chmaytelli
BAGDÁ, 14 Mai (Reuters) – O clérigo populista Moqtada
al-Sadr, um adversário de longa data dos Estados Unidos,
praticamente venceu a eleição parlamentar do Iraque, informou a
comissão eleitoral, em uma surpresa para o líder xiita.
Na primeira eleição desde que o Estado Islâmico foi
derrotado no país, o bloco do chefe da milícia xiita apoiada
pelo Irã, Hadi al-Amiri, ficou em segundo lugar, enquanto o
primeiro-ministro Haider al-Abadi, que já foi visto como
principal candidato, ficou em terceiro.
Os resultados preliminares foram baseados em uma apuração de
mais de 91 por cento dos votos feitos em 16 das 18 províncias do
Iraque.
O bloco de Sadr não concorreu nas duas províncias restantes,
a curda Dohuk e a província petroleira e etnicamente mista de
Kirkuk. Os resultados nestas regiões, que podem ser adiados por
conta de tensões entre partidos locais, não irão afetar a
posição de Sadr.
Diferentemente de Abadi, um raro aliado tanto dos EUA quanto
do Irã, Sadr é um adversário de ambos países, que têm exercido
influência no Iraque desde uma invasão liderada pelos EUA que
derrubou o ditador sunita Saddam Hussein em 2003 e colocou a
maioria xiita no poder.
Sadr liderou dois levantes contra forças norte-americanas no
Iraque e é um dos poucos líderes xiitas que se distanciam do
Irã.
Apesar do retrocesso na eleição, Abadi ainda pode receber um
segundo mandato no cargo pelo Parlamento e nesta segunda-feira
pediu para todos os blocos políticos respeitarem os resultados e
sugeriu que está disposto a trabalhar com Sadr para formar um
governo.
“Nós estamos prontos para trabalhar e cooperar para formar o
governo mais forte para o Iraque, livre de corrupção”, disse
Abadi em discurso televisionado. O combate à corrupção está no
topo da agenda de Sadr há anos.
Se projetando como um nacionalista iraquiano, Sadr tem
seguidores fieis entre os jovens e pobres, mas foi colocado de
lado por influentes figuras apoiadas pelo Irã.
Ele não pode se tornar primeiro-ministro, à medida que não
concorreu na eleição, embora sua vitória aparente o coloque em
uma posição para escolher alguém para o cargo.
Mas mesmo assim, pode ser que seu bloco não forme
necessariamente o próximo governo. Quem vencer a maioria dos
assentos deve negociar um governo de coalizão para ter a maioria
no Parlamento. O governo deve ser formado dentro de 90 dias dos
resultados oficiais.
A eleição de sábado é a primeira desde a derrota do Estado
Islâmico, no ano passado. O grupo comandava um terço do Iraque
em 2014.
O comparecimento foi de 44,52 por cento, com 92 por cento
dos votos contados, informou o Alto Comissariado Eleitoral
Independente, a menor taxa de participação na história iraquiana
pós-Saddam. Resultados completos devem ser anunciados
oficialmente mais tarde nesta segunda-feira.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759))
REUTERS ES


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