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RIO DE JANEIRO, 5 Jun (Reuters) – Mais de 62 mil pessoas
foram assassinadas no Brasil em 2016, fazendo com que o país
superasse pela primeira vez o patamar de 30 homicídios por 100
mil habitantes, revelou o Atlas da Violência publicado nesta
terça-feira.
No total, foram 62.517 homicídios registrados em 2016, o que
representa 30,3 assassinatos por 100 mil habitantes, número 30
vezes maior do que o observado na Europa naquele ano, segundo o
levantamento produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Os assassinatos não ocorreram de maneira homogênea pelo
país, com Estados das regiões Norte e Nordeste aparecendo na
frente com as maiores taxas de homicídios por 100 mil
habitantes.
Em primeiro lugar na lista aparece Sergipe, com 64,7,
seguido por Alagoas com 54,2. São Paulo, por outro lado, tem a
menor taxa de assassinatos, com 10,9. Já o Estado do Rio de
Janeiro registrou 36,4 assassinatos por 100 mil habitantes.
"Esse índice crescente revela, além da naturalização do
fenômeno, a premência de ações compromissadas e efetivas por
parte das autoridades nos três níveis de governo: federal,
estadual e municipal", afirmam os pesquisadores no relatório.
"Além de outras consequências, essa tragédia traz
implicações na saúde, na dinâmica demográfica e, por
conseguinte, no processo de desenvolvimento econômico e social",
acrescentam.
Além das diferenças geográficas, as taxas de homicídio foram
sentidas de maneira desigual por parcelas da sociedade.
Em 2016, 71,5 por cento das vítimas de assassinato eram
pretas ou pardas e a taxa de homicídios de negros foi de 40,2
por cento, frente a 16 por cento de não negros.
"É como se, em relação à violência letal, negros e não
negros vivessem em países completamente distintos", afirma o
relatório da pesquisa.
Além de dados sobre homicídios, o Atlas da Violência tratou
também de casos de estupro, apontando 49.497 estupros
registrados nas polícias brasileiras ao longo de 2016 –número
que deve ser ainda maior considerando a grande subnotificação do
problema, segundo os pesquisadores.

(Por Maria Clara Pestre
Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 5511 56447702; Reuters
Messenger: [email protected]))

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