Clicky

Semana marcada pela divulgação de índices de atividade (PMI)

Chart Trading 728×90

A semana pode ser interpretada como positiva para os mercados de risco, mas foi prejudicada pelo feriado de 02/01 em diferentes países no prolongamento do Ano Novo. Como consequência disso os mercados perderam muito da liquidez e também do referencial de preços. O melhor exemplo disso é que a Bovespa na sessão citada negociou bem menos que R$ 2,0 bilhões, só um pouco mais do que tinha negociado após o Natal (26/12) de R$ 1,2 bilhão.

Temos que considerar ainda que na virada de ano temos sempre menos indicadores de conjuntura sendo divulgados, o que ajuda a reduzir o giro de posições. Ocorre que especificamente na Bovespa vínhamos de sequencia de cinco pregões seguidos de alta no final de 2016, o que gerou lucros de curto prazo embutidos em posições, notadamente ações líquidas como Petrobras, Vale, bancos e siderúrgicas. Assim havia necessidade de fluxo de ingresso para absorver realizações. Apesar disso, o que dominou os investidores foi a preocupação com o governo Trump que começa em 20/01.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Preocupação dos investidores com o governo de Trump e incertezas claramente definidas na ata do FOMC do FED da reunião que elevou a taxa de juros básica para entre 0,50% e 0,75%. Na ata o FED manifesta sua incerteza sobre estímulos fiscais que Trump pode conceder, sua política expansionista e retomada dos investimentos. Fala de desemprego abaixo da taxa natural, mas também elevou suas projeções de crescimento do PIB para os próximos anos. Convém lembrar que o FED já tinha estimado a possibilidade de três elevações de juros em 2017 e anos seguintes, mas depois de leitura da ata alguns analistas passaram a considerar até quatro altas de juros no ano, podendo chegar até 1,50%.

No exterior a semana foi marcada pela divulgação de índices de atividade (PMI), tanto industrial como de serviços. Como regra geral houve boa melhora dos indicadores, exceto para a China com o industrial de dezembro desacelerando para 51,4 pontos (serviços em 54,5 pontos). Na ponta positiva ficaram os indicadores do Reino Unido em alta para 56,1 pontos (previsto era 53,5 pontos) no maior nível em dois anos. Positivo também para Alemanha, zona do euro e EUA, o que mostra o momento de expansão de economias importantes. Diferente do que acontece com o Brasil, novamente na contramão do mundo.

Nos EUA o PMI de dezembro da indústria subiu para 54,3 pontos, no maior nível em 21 meses, déficit da balança comercial de novembro em queda para US$ 45,2 bilhões e o payroll (criação de vagas) em +156000, abaixo do previsto. O desemprego subiu para 4,7% (anterior em 4,6%) e encomenda à indústria de novembro em queda de 2,4%.

Os investidores no mundo seguiram de perto as nomeações de Trump, seus twitties (nova forma de governar) e pressões. Aliás, na semana Trump pressionou Ford e GM pelos investimentos no exterior, e a Ford voltou atrás em seus planos de investir no México, causando forte queda do peso mexicano e obrigando o banco central a intervir. Além disso investidores tentam estimar como será a largada do novo governo, e como interferirá na performance dos mercados.

Outra variável que mexeu com os mercados foi o petróleo. Começou a vigorar o novo acordo de redução da produção de óleo de países membros e não membros com muitas suspeitas. O Kuwait e também o Iraque anunciaram que começaram a reduzir a produção, enquanto outra informação deu conta que a Líbia tinha ampliado. Isso causou enorme volatilidade na commodity durante toda a semana.

Internamente a virada do ano e recesso no legislativo e judiciário deixaram os mercados esvaziados (além dos feriados). Porém, tivemos a divulgação de dados importantes. O saldo da balança comercial de 2016 foi superávit de US$ 47,7 bilhões, com exportações em US$ 185,2 bilhões e importações de US$ 137,5 bilhões. Já o fluxo cambial do ano foi negativo em US$ 4,2 bilhões, com fluxo financeiro de saída de US$ 51,6 bilhões. O Bacen também relatou que as instituições terminaram o ano vendidas em câmbio em US$ 24,5 bilhões.

Já a FGV anunciou que a inflação medida pelo IPC-C1 das classes de mais baixa renda terminou 2016 em 6,22% e no mês com +0,19% O IBGE também anunciou a produção industrial de novembro em alta de 0,2%, e no ano acumulando queda de 7,1%. Bens intermediários de novembro com +0,5% e bens de capital com expansão de 2,5%. Automóveis e caminhões impulsionaram o segmento de bens duráveis. Mas destacamos que veículos caíram pelo terceiro ano seguido e a produção industrial está 21,4% abaixo do pico ocorrido em junho de 2013, semelhante à produção industrial de 2008.

O ano foi de volta ainda tímida dos investidores pessoa física. A participação desse segmento nos negócios em 2016 subiu de 13,7% para 17,0%. A alta da Bovespa ao longo do ano e expectativa de queda de juros parece ter motivado o retorno.

RESUMO

IBOV +2,39% (61664) DOW JONES +1,11% NASDAQ +2,71% DÓLAR -0,98% R$ 322

PERSPECTIVAS

Como temos afirmado esses próximos dias são de intensas incertezas. No próximo dia 11/01 teremos a reunião do Copom, onde o consenso formado é de queda de 0,5% da taxa Selic, com viés de que poderá atingir 0,75%. Isso vai definir a postura dos investidores e eventualmente empurrar para o próximo mês redução mais forte da Selic.

Também devem acirrar as discussões políticas sobre sucessão na Câmara e Senado. Na Câmara Rodrigo Maia é o favorito do governo, mas outras candidaturas se movimentam e isso pode fracionar a base de apoio de Temer e dificultar a aprovação de medidas. A eleição na Câmara está marcada para 02/02, e no Senado algumas correntes não querem Renan Calheiros na Liderança do partido, enquanto outras não querem Renan presidindo a CCJ.

No âmbito externo a grande incógnita é como Donald Trump iniciará seu governo e que medidas serão anunciadas. Trump discursará também em 11/01. Daí deriva uma série de atitudes dos investidores em função do comportamento futuro dos juros e, principalmente, do câmbio.

A China também espanta com os ajustes que está procedendo no sistema financeiro e proteção de suas reservas. Porém, a ampliação da cesta de moedas que balizará as cotações do yuan (de 13 moedas para 24) devem tornar os movimentos um pouco mais previsíveis.

Função disso, os próximos movimentos da Bovespa devem se pautar muito em função do fluxo de recursos carreado para o mercado. Havendo fluxo para absorver realizações de lucros de curto prazo, o mercado terá espaço para tentar buscar o objetivo anteriormente alcançado de 65000 pontos (antes terá que passar a faixa de 63000 pontos). Todavia, há ainda forte preocupação com o primeiro trimestre que se avizinha muito fraco e a situação precária de endividamento de muitas empresas. Apesar disso, ainda guardamos otimismo com relação ao ano e próximos pregões. Afinal, para os investidores que acreditam no Brasil do longo prazo, os preços dos ativos ainda estariam atraentes.


Assuntos desta notícia