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(Repete matéria publicada na quinta-feira)
Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 17 Mai (Reuters) – A decisão do Banco Central de
manter a Selic inalterada na véspera poderia causar um efeito
positivo sobre o câmbio, mas a dinâmica recente da moeda
extremamente atrelada ao cenário externo acabou por esvaziar
essa percepção e reforçar a leitura de que a alta do dólar ante
o real ainda não chegou ao fim.
"O BC sendo mais conservador do que era esperado é positivo
para o mercado… mas enquanto lá fora não estabilizar, aqui
também não vai, independentemente do que fizer o BC", avaliou o
economista-chefe do banco Santander, Maurício Molon.
Em 2018, até agora, o dólar engatou uma trajetória firme de
alta ante o real, que se acentuou desde abril. A moeda já ficou
12,15 por cento mais cara, tendo atingido nesta quinta-feira o
patamar de 3,70 reais, registrado pela última vez em março de
2016.
A maior parte dessa valorização se deu justamente por causa
da perspectiva de que o Federal Reserve, banco central
norte-americano, possa subir os juros quatro vezes este ano, em
vez de três inicialmente esperadas, diante de dados recentes
mais robustos que o esperado para a economia norte-americana.
Ao mesmo tempo, o BC brasileiro vinha reduzindo a taxa
Selic, e consequentemente diminuindo o diferencial de juros e
também a atratividade do mercado doméstico a investidores
estrangeiros. Ao interromper o ciclo de afrouxamento na véspera,
desta forma, ao menos do lado doméstico houve o estancamento
desse diferencial, segundo economistas ouvidos pela Reuters.
O ajuste global na moeda norte-americana ocorre após o mais
longo ciclo de cortes da taxa básica de juros do país, iniciado
em outubro de 2016 e finalizado ontem após uma redução de 7,75
pontos percentuais.
"Nosso diferencial de juros caiu para as mínimas históricas,
a despeito de ele não ter cortado a Selic ontem. Uma redução de
0,25 ponto percentual não faria diferença no câmbio", explicou a
economista do Itaú Unibanco Julia Gottlieb.
Segundo a economista, a manutenção da Selic agora teria
pouco efeito para o carry-trade, negociações em que operadores
se endividam em títulos de países com juros baixos e investem em
papéis que pagam taxas mais altas.
Dessa forma, mesmo vista como uma decisão acertada, a
manutenção da Selic pelo BC tem efeito apenas marginalmente
positivo.
Pelo lado do carry trade, o que poderia favorecer o ingresso
de recursos no Brasil é a melhora das perspectivas econômicas do
país, o que só deve vir a ocorrer no novo governo, sobretudo se
for eleito um presidente comprometido com o ajuste das contas
públicas.
"Quando começar a arrumar e o fiscal não for mais um risco,
se a macroeconomia indicar que as coisas vão ficar bem, o carry
trade já vai ser bom por si só", avaliou o gerente de Tesouraria
do Bank of China, Jayro Rezende.

PRESSÃO DE INCERTEZAS
Por ora, as incertezas eleitorais à frente, sem que algum
candidato mais reformista ganhe tração, acabam se somando ao
cenário externo e pressionam a alta da moeda norte-americana, o
que não alivia o horizonte de curto e médio prazo.
"Os principais impulsionadores da moeda continuarão a ser a
incerteza externa e política", trouxe a Nomura em relatório ao
acrescentar que espera que o real "retorne à sua trajetória de
baixo desempenho no curto prazo, a menos que haja uma mudança
clara no cenário das eleições presidenciais, com sinais de que
um candidato pró-mercado provavelmente vencerá".
Nos Estados Unidos, a curva de juros precifica apostas
amplamente majoritárias de que os juros deverão subir no
encontro de política monetária de junho. O encontro será seguido
de entrevista do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell,
que poderá calibrar as apostas e acalmar um pouco o mercado.
"Difícil saber para que patamar vai o dólar", concluiu o
economista do banco UBS Fábio Ramos, ao ponderar, no entanto,
que "não tem por que a moeda seguir subindo aqui se lá
tranquilizar".

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(Edição de Iuri Dantas
MPP)
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