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RESUMO DA SEMANA DO MERCADO FINANCEIRO

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Voltamos ao nosso mantra de quase todas as semanas: a cena política domina o quadro econômico com o agravante externo de aumento da aversão ao risco. A semana começou com o pedido de prisão de caciques do PMDB pedido pela PGR e, indignações à parte, o clima político voltou a ficar tenso e mexeu com os mercados. A aversão externa também detonou os mercados de risco com queda do petróleo e valorização do dólar.

Internamente a semana englobou oitivas de testemunhas de acusação do processo de impeachment de Dilma, votação da DRU e questionamento de Renan Calheiros sobre déficit aprovado de
R$ 170,5 bilhões, trazendo suspeitas de que foi inflado. O governo autorizou gastos discricionários, Dilma reclamou de cortes em seu orçamento e propôs carta compromisso caso o impeachment não saia (nos moldes de Lula em seu primeiro mandato).

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Na economia, Ilan Goldfajn foi aprovado para o Bacen e sua fala de inflação no centro da meta (esquecida na era Tombini) ajudou na queda do dólar no início do período. Falou em preservar tripé e forte controle de gastos. O dólar veio abaixo de R$ 3,40. O Copom manteve a Selic e o mesmo comunicado, oportuno em fase de mudanças no Bacen. Com isso, foi alongado o prazo para queda da Selic, provavelmente para setembro.

A inflação também deu sinais de aceleração. O IPCA de maio subiu para 0,78% (anterior em 0,61%) acumulando 4,05% em 2016 e 9,32% em 12 meses (bem longe da meta). O IGP-M da primeira prévia (inflação do aluguel) em 1,12% em maio (anterior em 0,59%) e 11,59% em 12 meses. Meirelles citou que estamos na pior recessão da história econômica e a Moody’s fez novas críticas e necessidade de forte ajuste fiscal. Apesar disso, empresas brasileiras voltaram a captar recursos, os investidores estrangeiros colocaram recursos na Bovespa. Até 08 de junho, R$ 1,07bilhão, e ano com
+R$12,54 bilhões.

No segmento externo, foi importante o comportamento de alta das commodities no início do período, perdendo embalo no final. O mais importante, no entanto, foi o discurso de Janet Yellen do FED e tirando a possibilidade de alta dos juros nessa semana que começa e provavelmente também na de julho. Falou das incertezas (emergentes, Brexit e baixa produtividade). Para confirmar fala de Yellen a produtividade da mão-de-obra caiu 0,6% no 1º trimestre, enquanto os custos da mão-de- obra cresceu 4,5%.

O crédito ao consumidor subiu US$ 13,4 bilhões (menos que o previsto), estoques no atacado com +0,6% em abril e a confiança do consumidor de Michigan caiu para 94,3 pontos. Na Alemanha, as encomendas à indústria encolheram 2,0% em abril e a produção industrial expandiu 0,8%. O saldo comercial foi recorde em 24 bilhões de euros. No Reino Unido, surpresa boa na produção industrial em alta de 2,0%, mas as discussões sobre Brexit atrapalham muito (estão equilibradas).

O BCE voltou a falar que os países da região precisam ajudar na alavancagem da economia e Draghi (Presidente) alertou para a falta de reformas estruturais. Na China, a situação parece querer normalizar e o PBOC projeta crescimento em 2016 de 6,8%. A inflação pelo CPI (Consumo) de maio ficou em 2,0%, mas o PPI (Atacado) teve deflação de 2,8% anualizada. No Japão, membros do BOJ querem fazer flexibilização definitiva para espantar a deflação, já que os dados de conjuntura voltaram a arrefecer.

RESUMO DA SEMANA
Bovespa -2,36% (49422) Dow Jones +0,33% Nasdaq -0,97% Dólar -2,83% (R$ 3,4255)

PERSPECTIVAS

Na nossa visão, estamos em momento de inflexão importante. Internamente, se o governo Temer vai ficar definitivamente e, adotar medidas para mudar os rumos da economia e obter credibilidade, ou não. No âmbito internacional, o principal tema é o Brexit, cujo plebiscito ocorre em 23 de junho. A disputa está equilibrada e a saída pode esfacelar o grupo.

Nos EUA, parece afastada a possibilidade de aumento dos juros no curto prazo e isso serve para acalmar os investidores. A China por sua vez parece querer voltar a crescer mais acelerada e as previsões do PBOC podem se concretizar. Isso seria importante para os preços das commodities, e por tabela para o Brasil. Na zona do euro, pode ser que haja espaço para novas flexibilizações monetárias.

Voltando ao cenário local, exceto pelos ruídos da corrupção endêmica, o situação se mostra mais tranquila com Temer aprovando com folga decisões importantes. A queda do dólar também alivia os endividados em moeda forte, além de ajudar na desinflação e redução futura dos juros.

Do ponto de vista da análise técnica, precisamos ultrapassar de vez a faixa de 51400 pontos (na semana conseguimos e voltamos) para abrir o objetivo em 54500 pontos e até 56000 pontos.

Mantemos o nosso otimismos de curto prazo, mas entendemos que a volatilidade vai permanecer, porém num viés de recuperação de maior prazo.


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