Clicky

Resumo da Semana do Mercado Financeiro

mm bolsa 728

A semana começou bem, ficou péssima e terminou mostrando recuperação nos mercados de risco no Brasil. Chegamos a emplacar seis pregões seguidos de alta na Bovespa e outros tantos na taxa cambial, para perder tudo isso com vazamentos de informação envolvendo gravações de Joesley Batista do Grupo JBS com o presidente Michel Temer e com o senador Aécio Neves (com ação controlada da Polícia Federal). A última sessão do período transcorreu em clima de recuperação e tentativa de reequilíbrio.

A semana começou com dados da pesquisa Focus mais positivos, assim como melhora em todas as previsões dos agentes do mercado, chegando mesmo a se falar em Selic de 7,0% no final do ano, e o ministro Meirelles dizendo que o PIB do primeiro trimestre já estaria girando na casa de 4,0%. O índice IBC-Br do primeiro trimestre mostrou alta de 1,12%, indicando melhora da economia.

300×250 4 reais

Melhora para os dados do Caged de abril com a criação de 59856 empregos com carteira assinada. Os dados de fluxo cambial até o dia 12 de maio mostravam ingresso no mês de maio de
US$ 502 milhões, mesmo com fluxo financeiro negativo em US$ 899 milhões. No ano, o fluxo cambial se manteve positivo em US$ 11,54 bilhões. Deflação na segunda prévia do IGP-M de maio de 0,89%, deixando deflação no ano de 1,25% e inflação em 12 meses de somente 1,61%.

Tudo ia muito bem até que sobreveio o terremoto envolvendo o presidente Temer e o presidente do PSDB, Aécio Neves. O Jornal O Globo divulgou que Joesley Batista tinha gravações de Temer dando aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha (recente do mês de março) e gravações de Aécio pedindo recursos de R$ 2,0 milhões com ação controlada pela Polícia Federal. Isso desmontou tudo.

No início da noite de 17 de maio, o Brasil começou a desmoronar com o pedido de impeachment do Presidente Temer ou sua renúncia. No dia seguinte, os desdobramentos. Prisão da irmã de Aécio, afastamento das atividades públicas do senador, entrega de passaporte, destituição da presidência do PSDB; e outras tantas declarações. O ministro Edson Fachin não aprovou a prisão de Aécio, mas abriu inquérito contra o Presidente Temer e contra o Presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Algumas situações daí decorrentes parecem inevitáveis. As reformas, na melhor das hipóteses, demandarão mais tempo em tramitação (muito ruim), a crise política reduz a tração da economia e a governabilidade de Temer, sem aprovação popular, ficou absolutamente comprometida. Não podemos descartar, dependendo dos desdobramentos e da duração, alguma fuga mais acentuada de capitais. Temer em rede nacional disse que não renunciará e conseguiu reverter a demissão de ministros e defecções na base de apoio.

O exemplo do estresse ficou claramente demonstrado nos mercados na sessão de 18 de maio. Os juros em forte alta (traumas previstos nos títulos prefixados), dólar em limite de alta e Bovespa com circuit breaker interrompendo as negociações. Ações como Banco do Brasil abrindo com -24%, Itaú com -19%, Petrobras com -18,0% e Vale um pouco mais comedida. O CDS (Credit Default Swap) do Brasil de cinco anos que girava abaixo de 200 pontos no início da semana foi a 267 pontos.

A destruição de valor das empresas foi muito forte nesse primeiro momento e a sensação de perda de riqueza dos investidores deve adiar consumo num mercado já fraco e com crédito escasso.

Teremos efeitos sobre o nível de atividade na taxa de juros futura e dependendo da duração mexe com as previsões do PIB. Na última sessão, da semana recuperação e, mais divulgações de Joesley sobre Temer, Cunha, Mantega , Dilma e Lula. Ou seja, nada resolvido e um final de semana para mais noticiários ajustar os mercados no próximo período.

Fitch e Moody’s duas das principais agências de classificação de risco falaram sobre o Brasil e a situação crítica e fundamental de serem feitas reformas para melhorar a força fiscal e reafirmaram as notas do Brasil e perspectiva negativa. O FMI emitiu comentários semelhantes sobre o momento.

No âmbito externo, problemas políticos foram o destaque e já vinham mexendo com a volatilidade dos mercados. Donald Trump andou aprontando mais algumas, dessa feita envolvendo pedido de acabar com investigações do FBI sobre Michael Flynn e com testemunho marcado no senado americano por Comey na próxima quarta-feira.

Dirigentes do FED discursando na semana e defendendo a elevação dos juros na próxima reunião e voltando a abordar a redução do tamanho do balanço do FED. O primeiro trimestre foi ponto fora da curva no crescimento econômico e a taxa de desemprego deve se manter abaixo de 5%. O secretário Mnuchin também declarou que Trump está comprometido em aprovar a reforma tributária, vista como inédita no país.

Tivemos indicadores de conjuntura sendo divulgados com índice de atividade em alta, pedidos de auxílio desemprego na semana em queda e índice de indicadores antecedentes subindo. A ata do BCE divulgada veio tranquila, mas sugeriu variedade de opiniões dos membros sobre a economia, com reavaliação da situação marcada para a reunião de junho. No Japão, o PIB do primeiro trimestre expandiu 0,5% e taxa anualizada de 2,2%, maior que a prevista e Kuroda desconversou sobre o novo mandato no BOJ (BC Japonês).

RESUMO DA SEMNA
IBOVESPA -8,18 (62639) DOW JONES -0,45 NASDAQ -0,62 DÓLAR +3,81% (R$ 3,243)

PERSPECTIVAS

O final de semana deve ser pródigo em mais informações e especulações sobre os desdobramentos da crise política em que o presidente Temer se viu envolvido.
O presidente da JBS fez confidências sobre troca de juiz, troca de delegados e interrupção e procrastinação das investigações da Lava Jato e outras. Temer pode não ter se comprometido nos áudios divulgados, mas não deveria ter ouvido e cortado a conversa. A desculpa que Joesley estaria fazendo bravatas não colam muito para a opinião pública.

É fato que a governabilidade do país ficou bem mais comprometida com um presidente que já não tinha o apoio popular e pode perder parte de sua base de sustentação importante para fazer reformas. Além de adiar reformas (essa a hipótese mais branda), alguns estragos já podem ser calculados com efeitos sobre juros praticados e taxa básica (Selic), taxa cambial mudando de patamar e até comprometendo a performance da economia e afetando o PIB levemente positivo projetado para o ano em curso.

Há ainda a destruição de valor das empresas brasileiras e perda da sensação de riqueza de investidores, o que pode comprometer o desempenho da economia. Além disso, não podemos desprezar que investimentos podem ser paralisados e se a crise se arrastar abrindo a possibilidade de fuga de capitais. Trump viaja durante toda a semana e pode cometer gafes.

Assim consideramos que o quadro está completamente indefinido e a prudência deve dominar os negócios com câmbio, juros e Bovespa. Será preciso avaliar os desdobramentos e o noticiário no dia a dia.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


Assuntos desta notícia