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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 26 Jan (Reuters) – O principal índice de ações do
mercado brasileiro, Ibovespa , tem espaço para continuar
subindo apesar dos recordes renovados neste mês, uma vez que as
ações brasileiras ainda não estão exatamente caras para os
investidores estrangeiros, que representam quase metade do
volume negociado no pregão paulista.
"Quando o estrangeiro olha para o Brasil não acha que está
caro", afirmou o Jorge Ricca, gerente executivo de Fundos de
Ações da BB DTVM.
Em reais, o Ibovespa alcançou o maior patamar intradia de
sua história nesta sexta-feira, superando 85 mil pontos pela
primeira vez. Em dólar, contudo, situava-se ao redor de 27 mil
pontos, ainda longe do nível ao redor de 45 mil de maio de 2008.
Ao mesmo tempo, o índice de preço sobre lucro do Ibovespa,
que mede o tempo em que o investidor demora para ter o retorno
do seu investimento e é uma medida amplamente monitorada por
agentes financeiros, está em linha ou abaixo do verificado por
pares emergentes e dos maiores mercados na América Latina.
"Falta bastante na visão dos estrangeiros (para o Ibovespa
ficar caro)", disse o diretor de operacões da corretora
sul-coreana Mirae no Brasil, Pablo Stipanicic Spyer, citando que
os asiáticos começaram a vir com mais força para a bolsa no
Brasil.
Dados de fluxo endossam a atratividade recente do mercado
brasileiro para o capital externo neste ano, com todos os dias
de janeiro até dia 23 registrando saldo positivo. No acumulado,
as entradas líquidas somam 6,55 bilhões de reais.
Agentes financeiros, ponderam, contudo, que tal movimento
está inserido dentro de um contexto de excesso de liquidez
global, com taxas de juros em níveis baixos mundialmente. No
caso do Brasil, o fato de fundos globais estarem com reduzida
exposição ao país corrobora a alocação.
Apesar de alguns riscos, como o cenário eleitoral e a
questão fiscal, entre outros, Ricca diz que o país talvez seja
uma oportunidade, com cenário macroeconômico melhor e baixo
nível de juros. "Isso precisa ser mantido nos próximos anos",
afirmou.
O analista da corretora Lerosa, Vitor Suzaki, disse que a
expectativa de lucros maiores deve ajudar no fluxo, que deve ser
corroborado nos resultados corporativos com início na próxima
semana.
O cenário político, contudo, é citado como um dos principais
fatores para uma não descartada volatilidade, com eleições no
país este ano.
Em relatório nesta semana, avaliando que o Ibovespa teve ter
um desempenho melhor do que o índice mexicano ,
estrategistas do UBS Alan Alanis e Sambuddha Ray também citaram
que os eventos políticos têm um papel crucial e que as eleições
são a sua maior preocupação.
Para os estrategistas do BTG Pactual Carlos Sequeira e
Bernardo Teixeira, a eleição presidencial no Brasil pode
aumentar a volatilidade no mercado, uma vez que o resultado do
pleito pode causar mudanças radicais na política econômica.

(Por Paula Arend Laier; edição de Aluísio Alves)
(([email protected]; +55 11 5644 7764; Reuters
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