Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 8 Jun (Reuters) – As taxas dos contratos futuros
de juros voltaram a operar em queda nesta sexta-feira, depois de
já terem caído e subido com força mais cedo, influenciados pelo
tombo de mais de 5 por cento do dólar, que voltava a encostar
nos 3,70 reais após o Banco Central anunciar que reforçaria sua
atuação no câmbio e que poderia fazer ainda mais, se necessário.
"O pregão está muito volátil. Dólar pegou na abertura,
depois mercado mudou de ideia, mas a queda da moeda se acentuou
e o DI voltou atrás", comentou um operador da mesa de renda fixa
de uma corretora local.
A alta dos DIs ainda durante a manhã levou o secretário do
Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, a conceder entrevista para
também tentar tranquilizar os mercados, a exemplo do que fez o
presidente do BC, Ilan Goldfajn, na véspera.
No início dos negócios, os DIs tinham forte baixa,
acompanhando a trajetória do dólar ante o real até então, mas
não sustentaram o movimento e passaram a subir ainda pela manhã,
com investidores ampliando os prêmios na curva diante da
perspectiva de que a Selic terá que subir em breve.
"Os investidores estão especulando nos juros, já que o dólar
está mais calmo, mas continuará em patamares elevados, obrigando
talvez o Banco Central a elevar a Selic", afirmou naquele
momento um gestor de derivativos de uma corretora local.
O DI com vencimento em janeiro de 2021 , um dos
mais líquidos, por exemplo, chegou a cair 0,29 ponto percentual
na mínima desse pregão enquanto que, na máxima, avançou 0,48
ponto. No meio da tarde, operava com leve baixa.
Nesta tarde, no entanto, o dólar já operava com mais de 5
por cento de baixa, próximo a 3,70 reais, levando os DIs
novamente para baixo.
Mas desde fevereiro até a véspera, o dólar deu um salto de
mais de 20 por cento, com potencial para pressionar a inflação,
mas cujo impacto nos índices de preços tende a ser amortecido
pela grande ociosidade da economia.
A recente e forte turbulência nos mercados locais foi
alimentada por temores sobre o quadro fiscal do país, além da
cena política. Pesquisas eleitorais têm mostrado dificuldade dos
candidatos que o mercado considera como mais comprometidos com
ajustes fiscais de ganharem tração na corrida presidencial.
Investidores comentaram mais cedo, em meio ao nervosismo nos
DIs, que a divulgação do IPCA de maio acima do esperado, com
alta de 0,40 por cento sobre o mês anterior, pesava na curva.

"O resultado do IPCA reforça a percepção de que uma alta de
juros venha acontecer e que ela se manterá no longo prazo",
comentou o gestor de renda fixa da gestora GGR, Thiago
Figueiredo.
O BC tem indicado que não vai elevar a Selic tão cedo,
mensagem reforçada na noite passada pelo presidente da
autoridade monetária, Ilan Goldfajn. Ele afastou ainda a
possibilidade de encontros extraordinários do Comitê de Política
Monetária (Copom) antes dos 45 dias regulamentares de intervalo.
O próximo encontro está previsto para 19 e 20 de junho.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

A curva a termo precificava nesta sessão cerca de 80 por
cento de chance de alta de 0,50 ponto percentual da Selic em
junho, segundo dados da Reuters, com o restante indicando
manutenção. Hoje, a Selic está na mínima histórica de 6,50 por
cento.
Para o Itaú Unibanco, no entanto, a Selic deve fechar o ano
em 6,50 por cento, inalterada. "A dinâmica cambial pode
influenciar as próximas decisões apenas se impactar de forma
relevante as expectativas de inflação", escreveu o
economista-chefe, Mario Mesquita, em nota.
O Tesouro continuou com sua atuação e fez novo leilão de
compra e venda de Notas do Tesouro Nacional Série-F, com oferta
de, respectivamente, até 1,5 milhão e até 300 mil papéis, com
vencimentos entre 2023 e 2029.
Vendeu e comprou apenas papéis com vencimento em 2029. Foram
168 mil comprados, à taxa de 12,091 por cento, e 10 mil
vendidos, à taxa de 12 por cento.
Veja as taxas dos principais contratos de DIs às 15:57:

mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (%) (p.p.)
JUL8 6,51 6,645 -0,135
JAN9 7,365 7,593 -0,228
JAN0 8,73 8,846 -0,116
JAN21 9,64 9,795 -0,155
JAN23 11,15 11,324 -0,174

(Edição de Patrícia Duarte e Iuri Dantas)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
Messaging: [email protected];))


Assuntos desta notícia