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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 11 Dez (Reuters) – As taxas dos contratos de
juros futuros fecharam a segunda-feira com oscilações tímidas,
com os investidores cautelosos sobre a capacidade política do
governo para colocar a reforma da Previdência em votação ainda
este ano.
"Esta será a semana da contagem de votos e o governo fará de
tudo para tentar garantir o dia 18. Porém, já considera que 18
será o ano e não o dia da votação", disse o economista-chefe da
gestora Infinity Asset, Jason Vieira, em relatório, referindo-se
à data que esperava-se iniciar a votação na Câmara dos
Deputados.
Em meio às dificuldades para conseguir apoio político, o
presidente Michel Temer admitiu na véspera a possibilidade de a
reforma da Previdência ser votada somente em 2018 na Câmara dos
Deputados, mas acrescentou que era "possível" aprovar o texto
ainda neste ano na Casa.
Na semana passada, Temer havia dito que não cogitava a
possibilidade de a reforma, considerada essencial para colocar
as contas públicas em ordem, ser apreciada em 2018.
No final da manhã, o presidente da Câmara dos Deputados,
Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que "não é fácil" votar a reforma
na semana que vem e afirmou que só pautará a proposta caso
existam garantias "muito claras" de que será aprovada.

Os esforços políticos do governo continuavam. Com a saída de
Antonio Imbassahy da Secretaria de Governo na última
sexta-feira, o presidente Temer escolheu o deputado Carlos Marun
(PMDB-MS) para a vaga e, assim, agradar ao centrão.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

O calendário do governo prevê que a reforma começará a ser
discutida na próxima quinta-feira e, na semana seguinte, exista
a possibilidade de ser votada pelo deputados. O governo precisa
de votos de 308 deputados em dois turnos de votação.
Mais cedo, os DIs chegaram a recuar mais, mas perderam força
conforme o noticiário sobre a Previdência ficou mais pesado e
puxou também o dólar , que anulou a queda e passou a subir
frente ao real. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de
2021 , um dos mais negociados, caiu à mínima de 9,18
por cento neste pregão. (Ver tabela)
Além da Previdência, que estará no foco nos próximos dias, o
mercado também aguardava a divulgação da ata do Comitê de
Política Monetária (Copom) do Banco Central no dia seguinte, em
busca de mais pistas sobre o futuro da taxa básica de juros.
Na semana passada, a Selic foi reduzida para o piso
histórico de 7 por cento ao ano e o BC deixou a porta aberta
para nova redução adiante, mas ressalvando que encarará a
investida com "cautela", o que, para analistas, foi uma
sinalização sobre como será o desfecho da reforma da
Previdência.
O ambiente inflacionário se mostra cada vez mais favorável a
novas reduções da Selic. Pesquisa semanal Focus do BC mostrou
que as expectativas dos analistas consultados são de que a alta
do IPCA deve fechar 2017 abaixo do piso da meta de inflação, de
4,5 por cento, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

A curva a termo precificou nesta sessão cerca de 70 por
cento de chances de corte de 0,25 ponto percentual da Selic em
fevereiro, próxima reunião do Copom, com o restante sinalizando
manutenção, segundo dados da Reuters.
Segundo operadores, os DIs também indicavam apostas
amplamente majoritárias que o corte da Selic em fevereiro será o
último desse atual ciclo de afrouxamento monetário, que começou
em outubro de 2016, quando a taxa foi reduzida em 0,25 ponto
percentual, a 14 por cento.
Veja as taxas dos principais contratos de DI às 16:30:
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (p.p.)
(%)
APR8 6,795 6,795 0
JAN9 6,99 7,01 -0,02
JAN0 8,29 8,29 0
JAN21 9,25 9,24 0,01
JAN23 10,14 10,11 0,03

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
Messaging: [email protected];))


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