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SÃO PAULO, 17 Mai (Reuters) – As taxas dos contratos futuros
de juros de curto prazo terminaram com forte alta nesta
quinta-feira, num movimento de correção depois que o Banco
Central contrariou as expectativas e manteve em 6,50 por cento a
Selic na véspera, encerrando o ciclo de afrouxamento monetário
antes do esperado diante do cenário externo mais difícil.
"A decisão do BC foi uma clara resposta à queda do real
(frente ao dólar) nas últimas semanas e à forte onda vendedora
nos mercados emergentes em geral", escreveu o economista-chefe
da empresa de pesquisas macroeconômicas Capital Economics (CE),
Neil Shearing.
Na noite passada, o BC justificou sua decisão com o cenário
externo mais desafiador e volátil, apesar de reconhecer que a
atividade do país perdeu força e o comportamento da inflação
continua favorável.
Pesquisa Reuters com 42 analistas mostrou que 40 deles
esperavam mais um corte de 0,25 ponto percentual agora e, nos
DIs, as apostas eram de 60 por cento de chances neste movimento
sobretudo após o presidente do BC, Ilan Goldfajn, ter advertido
na semana passada que a autoridade observava inflação e
atividade para decidir sua política monetária.
Agora, o mercado trabalha com o cenário de que o próximo
movimento da Selic será de alta, tendo em mente que a retomada
econômica, quando ganhar tração, deve reacender a inflação, que
também pode ser afetada com a continuidade do atual movimento de
alta global do dólar.
A curva a termo de juros precificou nesta sessão cerca de 90
por cento de chances de manutenção da Selic no próximo encontro
do Comitê de Política Monetária (Copom), em junho, mas já
embutia 56 por cento de alta de 0,25 ponto percentual da Selic
em setembro, ante 36 por cento na véspera.
Até então, os DIs precificavam chances majoritárias de alta
da taxa básica de juros apenas em outubro, segundo operadores.
"Não significa necessariamente que vai subir em setembro…
Significa apenas que o mercado está colocando no preço que o
próximo movimento é de alta da taxa", explicou o
economista-sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano.
Os DIs mais longos, que chegaram a recuar pela manhã, também
fecharam com alta firme, mas com a curva perdendo um pouco de
inclinação. A alta do dólar para 3,70 reais e a do
rendimento do Treasury de 10 anos acima de 3 por
cento, para 3,10 por cento, influenciavam no movimento.
No cenário externo, os temores são de que os juros nos
Estados Unidos podem subir mais do que o esperado neste ano,
movimento que pode afetar o fluxo global de capitais.
Veja as taxas dos principais contratos de DIs às 16:30:
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (p.p.)
(%)
JUL8 6,407 6,224 0,183
JAN9 6,6 6,32 0,28
JAN0 7,62 7,34 0,28
JAN21 8,67 8,46 0,21
JAN23 9,77 9,63 0,14

(Por Claudia Violante; Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
Messaging: [email protected];))

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