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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 8 Mai (Reuters) – A forte alta do dólar, que
encostou no patamar de 3,60 reais nesta terça-feira, içou também
as taxas dos contratos futuros de juros com os investidores
adotando posição de cautela e levando a apostas praticamente
iguais de corte e manutenção da Selic na próxima semana.
"O mercado está na defensiva porque Ilan vai dar entrevista
hoje. Ele vai entrar no período de silêncio antes do Copom e o
investidor teme que ele possa sinalizar que o ciclo de
afrouxamento acabou", disse o gestor de derivativos de uma
corretora local, referindo-se à entrevista prevista para esta
noite do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, à
GloboNews.
Em março, última reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom) e quando cortou a Selic para 6,50 por cento, o BC
indicou que faria mais uma redução em maio antes de encerrar o
ciclo de afrouxamento monetário, em meio ao cenário de inflação
e atividade baixa.
Naquele momento, no entanto, ponderou que a reversão do
cenário externo favorável para economias emergentes era um risco
para provocar eventual pressão inflacionária.
Neste pregão, o dólar chegou a subir mais de 1 por cento na
máxima, encostando em 3,60 reais, depois de acumular valorização
de 10 por cento só entre fevereiro e abril, movimento que pode
afetar a inflação.
A tensão no cenário internacional puxou o mercado, com a
possibilidade de os Estados Unidos deixarem o acordo nuclear com
o Irã, o que foi confirmado à tarde pelo presidente
norte-americano, Donald Trump. O temor em geral é que os preços
do petróleo subam com sanções aos iranianos.
Preços mais caros da commodity impactam a inflação e podem
levar o Federal Reserve, banco central norte-americano, a ser
mais austero e elevar mais do que o esperado os juros, o que
poderia atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados
em mercados considerados de maior risco, como o brasileiro.
Diante disso, os DIs reduziram a precificação para corte de
0,25 ponto percentual na Selic na semana que vem a 55 por cento,
ante cerca de 70 por cento na véspera, com o restante indicando
manutenção da taxa, informaram operadores.
Para a reunião de junho, os DIs precificavam 15 por cento de
apostas de outro corte de 0,25 ponto da Selic, ante 16 por cento
no pregão passado, com o restante indicando manutenção.
Mais cedo, o Bank of America Merrill Lynch mudou sua
estimativa para manutenção da Selic na próxima semana em 6,50
por cento, ante corte de 0,25 ponto percentual previsto até
então, com aumento das incertezas globais e domésticas, a poucos
meses das eleições presidenciais de outubro.
Dado mais salgado de inflação também ajudou a pressionar o
trecho mais curto da curva a termo neste pregão. O IGP-DI subiu
0,93 por cento em abril depois de subir 0,56 por cento em março,
com pressão maior dos preços tanto no atacado quando ao
consumidor. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de
0,62 por cento.
Na quinta-feira, sai o IPCA, índice que baliza a meta de
inflação e, segundo pesquisa Reuters, sua variação deve ficar em
0,28 por cento em abril ante maio e 2,82 por cento em 12 meses
até abril. Se confirmado, o indicador mostrará aceleração, mas
ainda seguirá abaixo do piso da meta, de 3 por cento.

As taxas dos DIs também subiram pelo forte movimento de
zeragem de posição vendida. "Vimos 'stop' sobretudo no (DI com
vencimento em) janeiro de 2020 ", comentou o chefe da
mesa de renda fixa de uma corretora local.
Veja as taxas dos principais contratos de DIs às 16:30:
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (p.p.)
(%)
JUL8 6,267 6,245 0,022
JAN9 6,33 6,3 0,03
JAN0 7,27 7,13 0,14
JAN21 8,29 8,16 0,13
JAN23 9,48 9,33 0,15

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(Edição de Patrícia Duarte)
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