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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 7 Jun (Reuters) – As taxas dos contratos futuros
de juros mais curtos disparavam nesta quinta-feira diante da
forte alta do dólar, que já rondava o patamar de 3,90 reais em
meio ao nervosismo do mercado com a cena política local e o
quadro fiscal, alimentando as apostas de alta da Selic em breve.
Os DIs de prazo bem mais longos, por outro lado, operavam em
baixa após a atuação conjunta mais forte do Banco Central e do
Tesouro Nacional no mercado.
"Se não fosse a forte alta do dólar ante o real, os DIs
longos estariam ainda piores. A atuação conjunta de certa forma
aliviou um pouco a pressão nos DIs (longos)", comentou o gestor
da mesa de derivativos de uma corretora local.
O mercado doméstico piorou após a greve dos caminhoneiros
elevar as preocupações com a deterioração do quadro fiscal do
Brasil, com a redução do preço do diesel gerando impacto
bilionário sobre as contas do governo.
Além disso, pesquisas eleitorais têm mostrado dificuldade
dos candidatos que o mercado considera como mais comprometidos
com ajustes fiscais de ganhar tração na corrida presidencial.
Os DIs com vencimento em janeiro de 2027 recuavam
0,17 ponto percentual, depois de acumularem alta de 0,77 ponto
nos dois pregões anteriores. (Ver tabela)
"O mercado vê riscos fiscais e incertezas eleitorais
agravadas pelo movimento dos caminhoneiros, que reduz as
previsões de crescimento da economia e afeta a confiança",
trouxe a corretora CM Capital Markets, em relatório.
Desta forma, o dólar disparava nesta sessão, impactando a
curva de juros e minimizando os efeitos da ação conjunta de BC e
Tesouro. Na noite passada, o BC anunciou operação compromissada
com prazo de nove meses, enquanto o Tesouro anunciou que fará
leilão de compra e venda de Notas do Tesouro Federal série F
(NTN-F), nos vencimentos de 2025, 2027 e 2029, além de 2023, uma
novidade.
Em meio a esse nervosismo, a curva a termo de juros já
passava a precificar apostas, ainda que minoritárias, de alta de
0,50 ponto percentual da Selic em junho, próxima reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom). Na véspera, as apostas
minoritárias eram de manutenção, segundo dados da Reuters.

Os DIs também precificavam cerca de 75 por cento de chances
de avanço de 0,25 ponto percentual da taxa. Atualmente, a Selic
está em 6,50 por cento ao ano.
"Se o BC mudou de plano e manteve os juros na reunião
passada por causa do (cenário) externo e do câmbio, é bem
razoável supor que ele pode mudar de plano de novo e subir os
juros em breve pelos mesmos motivos", disse o sócio de uma
gestora de recursos no Rio de Janeiro.
Veja as taxas dos principais contratos de DIs às 10:47:
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (p.p.)
(%)
JUL8 6,5 6,462 0,038
JAN9 7,255 6,979 0,276
JAN0 8,42 8,064 0,356
JAN21 9,41 9,234 0,176
JAN23 11,11 11,114 -0,004

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(Edição de Patrícia Duarte)
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