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SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) – As taxas dos contratos futuros
de juros de longo prazo abandonaram a trajetória de baixa e
passaram a subir nesta sexta-feira, depois que os rendimentos
dos Treasuries também passaram a operar em alta e com o dólar
voltando a encostar no patamar de 3,60 reais.
No trecho mais curto da curva, as oscilações continuavam bem
mais tímidas, com as apostas consolidadas de que o Banco Central
vai cortar a Selic na semana que vem.
"O dólar voltou a se fortalecer ante real, trajetória dos
Treasuries virou, investidor prefere a cautela", resumiu um
gestor de derivativos de uma corretora local.
O dólar subia mais de 1 por cento e estava encostado
nos 3,60 reais no começo desta tarde, com temores sobre a cena
política a poucos meses das eleições presidenciais de outubro.
Os mercados financeiros temem que um candidato que eles
considerem menos comprometido com o ajuste fiscal possa
despontar.
Na próxima segunda-feira, está prevista a divulgação da
pesquisa CNT/MDA, cuja coleta dos dados ocorre entre 9 e 13
desse mês e que já deve captar para onde estão indo esses
eleitores que pretendiam votar em Barbosa (PSB).
Em pesquisa Datafolha realizada no mês passado, Barbosa
chegava a ter 10 por cento das intenções de voto em seu melhor
cenário. Tanto analistas como políticos viam grande potencial na
sua candidatura.
Há avaliações de que o PSB possa se coligar a um partido de
mais de esquerda, como o PDT do pré-candidato Ciro Gomes.
"O quadro, no curto prazo, segue sendo mais desafiador para
os mercados locais. Ainda vale cautela", escreveu a corretora
Guide em relatório.
Nas últimas semanas, os mercados globais reagiram diante da
percepção de que os juros poderiam subir mais intensamente nos
Estados Unidos neste ano em meio ao cenário de inflação e
atividade mais fortes.
Juros elevados no país têm potencial para atrair recursos
aplicados hoje em praças financeiras consideradas de maior
risco, como a brasileira.
Os DIs mais curtos tinham oscilações bem mais tímidas, após
os dados do varejo de março no Brasil sinalizarem recuperação
gradual da atividade, o que mantém espaço para corte da Selic na
semana que vem.
A curva a termo de juros precificava 72 por cento de chance
de corte de 0,25 ponto percentual da Selic no dia 16 de maio,
ante 76 por cento na véspera, com o restante indicando
manutenção, segundo operadores. Hoje, a Selic está na mínima
histórica de 6,50 por cento.
Para junho, próximo encontro do Comitê de Política Monetária
(Copom) do BC, as apostas de novo corte da mesma magnitude
estavam em 20 por cento, ante 17 por cento na véspera, com o
restante indicando manutenção.
Pesquisa feita pela Reuters com economistas constatou que o
recente salto do dólar, que chegou a encostar em 3,60 reais,
não vai impedir o BC de cortar em 0,25 ponto a Selic agora, já
que a lentidão da retomada econômica deve limitar quaisquer
pressões inflacionárias.
O banco Itaú Unibanco vai nessa linha: "Dado que a
desvalorização recente do real não alterou as expectativas de
inflação de médio prazo e levando em conta os sinais de
atividade um pouco mais fraca e de uma dinâmica inflacionária
contida na margem, esperamos que o Copom anuncie corte final de
0,25 p.p.", escreveu o economista-chefe da instituição, Mario
Mesquita, em nota.
Veja as taxas dos principais contratos de DIs às 12:37:
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (p.p.)
(%)
JUL8 6,212 6,215 -0,003
JAN9 6,285 6,26 0,025
JAN0 7,26 7,22 0,04
JAN21 8,31 8,26 0,05
JAN23 9,49 9,44 0,05

(Por Claudia Violante; Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
Messaging: [email protected];))

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