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Semana positiva para os mercados de risco em quase todo o mundo. Donald Trump foi mais comedido em suas declarações e acalmou os mercados (o problema é que dura pouco). No Brasil, menos confusões políticas e mais discussões positivas sobre Previdência e reforma trabalhista e, bom anúncio, sobre saque de FGTS e financiamento maior da casa própria.

No cenário externo, destacamos encontros de Trump com os primeiros ministros do Canadá e de Israel, com um Trump bem mais amigável e cordato em suas declarações. Falou muito sobre desregulação dos mercados e economia, sendo endossado, inclusive, por declarações da presidente do FED, Janet Yellen. Mas tivemos curtos-circuitos com afastamento de secretário e o escolhido para chefiar o departamento do trabalho declinando do convite.

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A presidente do FED, Janet Yellen, depôs no Congresso (duas vezes) repetindo discurso um pouco mais duro que o habitual no que tange ao comportamento futuro dos juros, mas não convenceu que poderia haver alta na reunião de março. O FED quer esperar para conhecer as políticas de estímulos de Trump, para somente aí determinar seu comportamento. Porém, tivemos vários presidentes regionais discursando, todos bem mais duros que Yellen. Alguns destacaram a possibilidade de mais de três aumentos ao longo de 2017, o que poderia surpreender os agentes dos mercados.

Foi uma semana de muitos indicadores, quase todos mostrando o momento favorável da economia americana. A inflação medida pelo PPI (Atacado) de janeiro subiu para 0,6% (esperado era +0,3%) e o CPI registrou alta idêntica, com o núcleo evoluindo 0,2%. Foi a maior alta mensal desde fevereiro de 2013. O índice de atividade de NY subiu forte para 18,7 pontos (anterior em 6,5 pontos), e o da Filadélfia para 43,3 pontos; ambos referentes a fevereiro. As vendas no varejo cresceram 0,4% em janeiro e a produção industrial foi o dado negativo com queda de 0,3%. Incluímos o bom momento das bolsas americanas, com os índices batendo sucessivos recordes históricos.

Na Europa, a ata do BCE (BC Europeu) destacou as incertezas políticas que rondam a economia global e que as políticas desenvolvidas foram insuficientes em relação à meta de inflação. Na Alemanha, o PIB do quarto trimestre teve expansão de 0,4% e taxa anualizada de 1,7% (menor que esperados 1,8%). Na zona do euro, o PIB do quarto trimestre subiu 0,4% e taxa anualizada de 1,7%. A produção industrial no país de dezembro encolheu 1,6%, mas no ano cresceu 2,0%. O saldo da balança comercial em dezembro subiu para 24,5 bilhões de euros.

Na China, a inflação pelo CPI de janeiro foi de 2,5% e pelo PPI 6,9%, ambas anualizadas. A China proibiu os gestores de ativos de investir no mercado imobiliário de 16 importantes cidades para evitar bolha. Disse que ira coibir irregularidades no câmbio. No Japão, Kuroda do BOJ disse que lucros em queda dos bancos pode afetar o sistema financeiro. A produção industrial de dezembro cresceu 0,7% e o PIB já cresce por quatro trimestre seguidos.

No cenário local, tivemos declarações de Temer em todos os dias da semana, mas a pesquisa da CNT indicou que 62,4% dos entrevistados desaprovam seu governo, enquanto somente 10,3% acham seu governo bom ou ótimo. Durante o período, a Câmara aprovou texto-base da segunda rodada da repatriação de recursos no exterior. A pesquisa Focus veio novamente positiva com a inflação em queda para 4,47% no ano e PIB de 2018 subindo para +2,30%. O dólar de final de ano caiu para R$ 3,36 e a produção industrial mantida em +1,0%. O saldo da balança comercial até a segunda semana de fevereiro estava acumulado no ano em superávit de US$3,89 bilhões.

IBGE anunciou que as vendas no varejo de dezembro encolheram 2,1% e no ano caíram 6,2%. A queda no varejo ampliado foi maior de -8,7%. Foi o pior resultado desde 2001. Nos últimos dois anos, a queda no varejo atinge 10,3%. O volume de serviços encolheu no ano 5,0% e a receita nominal -1,5% no comparativo com dezembro de 2015. Tivemos o anúncio do IBC-Br de dezembro pelo Bacen com queda em 2016 de 4,34% sem ajuste e queda em dezembro de 0,26%. Com isso, há carregamento negativo para o início de 2017 de algo como 0,68%.

Na Bovespa, até a sessão de 15 de fevereiro, os investidores estrangeiros tinham aportado recursos no mês no montante de R$ 1,75 bilhões e o saldo de ingresso do ano estava em R$ 8,0 bilhões. Ainda no mercado, tivemos a fase das ações de commodities, seguida por busca por ações mais maduras que não tinham valorizado muito e depois, por conta da queda do dólar as ações de empresas endividadas em outras moedas. De qualquer forma, foi um período positivo para o mercado e de mais um IPO lançado.

RESUMO DA SEMANA
IBOVESPA +2,45% DOW JONES +1,52% NASDAQ +1,62% DÓLAR -0,45% (R$ 3,096)

PERSPECTIVAS

Faz tempo que temos anunciado nosso otimismo com o desenvolvimento do mercado secundário de ações, não só por aqui, mas também no resto do mundo, como resultado da extrema liquidez e menor aversão ao risco. Por aqui principalmente, já que sofremos três anos seguidos e muitas empresas perderam-na precificação de seus ativos.

Também não custa lembrar que faz tempo já traçávamos o objetivo de 68000 pontos do Ibovespa, principalmente quando passou a sinalizar que iria superar a faixa de 65400 pontos. Pois bem, na semana que passou conseguimos em diversos momentos superar a barreira dos 68000 pontos, quase fixando acima desse patamar.

O lado político prossegue muito grave, mas no que tange à economia o governo tem conseguido mudar o discurso. Durante a semana tivemos discussões positivas sobre reformas, o modelo de concessão está sendo flexibilizado para atrair investidores e as reformas parecem encaminhar para lado bom.

Com isso o fluxo de recursos para o país está sendo ampliado, o que é facilmente demonstrado pelo comportamento do câmbio em queda e ingresso de recursos na Bovespa. No âmbito externo também existem boas expectativas, com o governo de Donald Trump fazendo boa largada (apesar de contramarchas) e a economia americana começa a responder de forma mais firme, comprovando o bom momento. Isso explica o dólar mais fraco e os índices americanos em constantes recordes.

Claro que ainda vamos ter muita volatilidade nos próximos períodos, mas reafirmamos nossa crença que os mercado vão manter tendência primária de alta. Nesse contexto, vamos ter algumas paradas para respirar, mas o objetivo é o recorde histórico pouco abaixo dos 74000 pontos.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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