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Conheça os fatos que mexeram com os mercados esta semana

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Semana intensa para os mercados pelo menos no que tange à política local e internacional. No Brasil, muitas complicações na área e nos EUA Donald Trump novamente dominou a cena. Com isso, queremos confirmar que a volatilidade seguiu forte no mercados e, em alguns momentos, a aversão ao risco se fez presente.

Internamente, o ministro Moreira Franco, recém empossado no cargo foi suspenso por liminar, com alegação que seu caso era idêntico ao de Lula. Depois de algumas liminares o processo foi para o STF que determinará o destino de Moreira Franco. A chapa Pezão/Dornelles também foi impugnada pelo TER-RJ por abuso de poder econômico. De outra feita, o ex-governador Sérgio Cabral, Eike Batista e Adriana Ancelmo foram indiciado pela Polícia Federal, junto com mais nove envolvidos na operação Eficiência.

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Complementando o caos político, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está sendo acusado de ter recebido propina da OAS e Edison Lobão foi galgado à função de presidente da CCJ (Comissão mais importante), ele que é investigado em dois processos da Lava Jato. Certamente, não foi o melhor dos mundos para a política nacional, e isso pode trazer consequências ao governo de Temer. O ministro Padilha disse que tributamos o consumo e muito pouco a renda e ganhos de capital. Já ouvimos isso em outras bocas não faz muito tempo.

Em contraposição a isso, na economia a situação andou bem. Logo no início do período, a nova pesquisa Focus trouxe dados novamente positivos, com a expectativa de inflação para 2017 caindo para 4,64% (anterior em 4,70%) e o PIB de 2018 subindo para estimativa de 2,25% (anterior em 2,20%). O PIB de 2017 encolheu na margem para 0,49%, mas já há quem acredite que pode chegar até 1,0%.

Essa postura benigna acabou confirmada pela inflação oficial medida pelo IPCA de janeiro que subiu para 0,38% (anterior em 0,30%), mas com a taxa de 12 meses em 5,35%, no menor mês de janeiro de décadas. Com isso, reforçou o consenso de que na reunião do Copom de 22 de fevereiro o Copom possa reduzir até 1,00% na Selic levando para 12,0%.

O saldo da balança comercial na primeira semana de fevereiro mostrou superávit de US$ 212 milhões, deixando o saldo acumulado de 2017 em US$ 2,94 bilhões. O Bacen anunciou que o fluxo cambial de janeiro foi positivo em US$ 3,7 bilhões (financeiro de US$ 1,6 bilhão). No mercado acionário, anotamos que os investidores estrangeiros sacaram em fevereiro (até o dia 08 de fevereiro) R$ 149,0 milhões, mas em 2017 o saldo e positivo com ingressos de R$ 6,1 bilhões. Tivemos a primeira operação de IPO do ano na Movida, mas a abertura foi em queda de quase 3,0%.

No cenário externo, Trump continuou dominando. Represálias ao Irã pelo teste nuclear realizado, novas críticas ao judiciário americano por conta do veto ao decreto inibindo entrada de refugiados e imigrantes; além de algumas críticas geradas no próprio partido Republicano. A repercussão tem sido grande na sociedade que algumas medidas podem ser revistas. Trump voltou a acusar a mídia de desonesta.

Dirigentes regionais do FED se posicionaram sobre alta gradual dos juros e três etapas em 2017, inflação em direção a meta e situação de pleno emprego. Mostraram incertezas sobre perspectivas fiscais. Há reconhecimento de que a economia está engrenando e pode crescer mais rápido a partir dos estímulos do governo Trump. O déficit comercial de dezembro caiu para US$ 44,3 bilhões, abaixo do previsto.

A OCDE anunciou que o crescimento global ganha força com EUA e Japão e citou emergentes como Brasil, Rússia e China. O presidente do BCE (BC Europeu) Mario Draghi citou que o risco de deflação aguda desapareceu e que as condições econômicas da zona do euro melhoraram, mas o suporte monetário ainda é necessário. Na Alemanha, as encomendas à indústria expandiram 5,2%, mas a produção industrial encolheu surpreendente 3,0% em dezembro.

No Reino Unido, houve intensa discussão sobre o projeto do Brexit e a Câmara dos Comuns aprovou o projeto por 494 votos contra 122. O projeto agora vai para a Câmara dos Lordes. Alias, o presidente da Câmara dos Comuns não quer que Trump frequente a tribuna do parlamento.

A Austrália manteve a taxa de juros estabilizada em 1,5% e a Índia ficou estável em 6,25%. A China elevou diversas taxas de juros de sua economia. O saldo comercial de janeiro no país foi superávit de US$ 51,3 bilhões e cresceram as importações de petróleo e minério. Trump disse que vai honrar a “China Única”.

RESUMO DA SEMANA
BOVESPA +1,79% (66124) DOW JONES +0,99% NASDAQ +1,24% DÓLAR -0,45% (R$ 3,11)

PERSPECTIVAS

Seguimos manifestando nosso otimismo com a retomada de alta na Bovespa e a consecução de recordes sucessivos no mercado americano, ajudando outros mercados do mundo. Apesar de Trump ser imprevisível em suas declarações, no que tange aos planos para a economia, as orientações estão corretas. Redução de impostos para empresas setores e classe média. Aceleração de investimentos em infraestrutura, estímulos ao aumento da produtividade, etc, são vertentes aprovadas por todos.

Não podemos esquecer a capacidade de arrasto da economia americana sobre a economia global. Isso já começa a ser capturado pelo Japão e outras economias, onde bancos centrais estão revendo projeções de crescimento para melhor. Até agora as instituições que antes já chegaram a projetar crescimento zero em 2017 (ou até negativo), já falam em crescimento de mais de 0,5%, mesmo com o carrego negativo de 2016.

Isso tem reflexo positivo sobre os resultados das empresas, e claro sobre a precificação positiva dos ativos em bolsa. Assim, é possível intuir que o fluxo de recursos para o mercado secundário será contínuo não havendo ainda muitas emissões de novas ações, o ajuste terá que se dar sobre os preços.

É nesse contexto que seguimos ser possível a superação do patamar perdido em 65400 pontos e logo em seguida superando a máxima alcançada ao redor de 66200 pontos, para galgar novos patamares em seguida.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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