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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 8 Dez (Reuters) – O dólar não conseguiu sustentar
a queda exibida mais cedo e operava em alta nesta sexta-feira,
de volta ao patamar de 3,30 reais, com o mercado cada vez mais
sensível ao andamento das negociações do governo para tentar
aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano na Câmara dos
Deputados.
Às 14:44, o dólar avançava 0,54 por cento, a 3,3043
reais na venda, depois de chegar a 3,2664 reais na mínima do
dia. Na véspera, a moeda norte-americana já havia saltado 1,73
por cento, maior alta em quase sete meses, também com a
preocupação sobre o futuro da reforma.
O dólar futuro avançava 0,32 por cento nesta tarde.
O mudança de humor dos mercados, que tem acompanhado com
lupa cada notícia sobre a batalha do presidente Michel Temer
para tirar a reforma do papel, veio com a publicação de um
levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com 83 por
cento dos deputados federais, no qual 212 disseram que votariam
contra o texto de reforma da Previdência.
Mantido esse número, o governo não conseguiria o mínimo de
308 votos para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição
(PEC), como é a da Previdência.
A dificuldade do governo de conseguir apoio à matéria
–considerada essencial para o ajuste das contas públicas– fez
o dólar mudar de patamar já em outubro passado, quando chegou a
ser negociado no nível de 3,15 reais, mas foi próximo a 3,30
reais.
Pela manhã, o mercado esteve menos tenso em razão da notícia
de que havia ficado acordado que a votação da reforma tinha sido
agendada para o próximo dia 18, segundo o líder do governo na
Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). A avaliação foi
que, com mais uma semana para convencer deputados da base, seria
possível garantir margem de segurança para aprovar o texto.
Mas a cautela não havia sido colocada de lado. "A data
fixada pelo governo, próxima do recesso, preocupa", trouxe mais
cedo a corretora Guide em relatório.
O Banco Central vendeu o total de até 14 mil swaps cambiais
tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para
rolagem do vencimento de janeiro. Até agora, rolou o equivalente
a 4,2 bilhões de dólares do total de 9,638 bilhões de dólares
que vencem no mês que vem.
O cenário externo aliviava a alta do dólar ante o real, já
que a moeda cedia ante algumas divisas de países emergentes após
bons dados econômicos da China puxarem os preços de importantes
commodities.
As importações chinesas cresceram 17,7 por cento em novembro
em relação a um ano antes, bem acima das expectativas de
crescimento de 11,3 por cento. Os números da China são bastante
favoráveis a países ligados a commodities, como o Brasil, o que
favorece o recuo do dólar ante o real.
"O salto da balança da China mostra que podemos esperar
melhora no preço das commodities em 2018", afirmou o diretor da
corretora Mirae Pablo Spyer.
Ante uma cesta de moedas , no entanto, a moeda
norte-americana subia, à medida que crescia o otimismo de que o
projeto de reforma tributária nos Estados Unidos será aprovado.

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
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