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SÃO PAULO, 17 Mai (Reuters) – Após abrir em queda reagindo à
manutenção da Selic em 6,50 por cento pelo Banco Central, o
dólar voltou a sucumbir à cena externa e firmou trajetória de
alta nesta quinta-feira, já encostando no patamar de 3,70 reais,
o maior em pouco mais de dois anos.
Às 11:58, o dólar avançava 0,22 por cento, a 3,6864
reais na venda, depois de acumular valorização de 3,71 por cento
em quatro pregões seguidos.
Na máxima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,6974
reais, maior patamar intradia desde abril de 2016. O dólar
futuro tinha alta de cerca de 0,25 por cento.
"A decisão do BC foi acertada, mas o dólar está com a
dinâmica das moedas lá fora", comentou o analista econômico da
gestora Rio Gestão, Bernard Gonin.
No cenário internacional, o dólar subia ante uma cesta de
moedas e também divisas de países emergentes, como o peso
mexicano e a lira turca .
O rendimento do Treasury dos Estados Unidos de 10 anos
também subia e se mantinha acima do nível de 3 por
cento nesta sessão. Os investidores têm reforçado suas apostas
de mais altas de juros no país este ano, depois de dados firmes
sobre a economia.
Taxas mais elevadas na maior economia do mundo têm o
potencial de atrair recursos aplicados hoje em praças
financeiras consideradas de maior risco, como o Brasil.
Por isso, pelo menos no início deste pregão, o dólar chegou
a recuar, batendo 3,6438 reais na mínima. O BC surpreendeu na
noite passada ao manter a Selic em 6,50 por cento ao ano,
contrariando as apostas majoritárias de novo corte de 0,25 ponto
percentual.
Assim, o diferencial de juros com os Estados Unidos pode não
ficar tão pequeno, mantendo os ativos brasileiros com rendimento
que possa continuar atraindo investidores.
Mas o movimento durou pouco. Para Gonin, a manutenção da
Selic pode não ser suficiente para segurar os recursos aplicados
no Brasil diante da perspectiva de alta de juros mais firme este
ano nos Estados Unidos.
O BC realiza nesta quinta-feira leilão de até 4.225
contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda
futura de dólares, para rolagem do vencimento de junho no total
de 5,650 bilhões de dólares.
Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês,
o BC terá rolado integralmente os contratos que vencem no mês
que vem.
A autoridade já vendeu 5 mil novos contratos de swap,
totalizando 1 bilhão de dólares em quatro dias de leilões.

(Por Claudia Violante; Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
Messaging: [email protected];))

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