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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 11 Jun (Reuters) – O dólar voltou a fechar em
alta ante o real nesta segunda-feira, sob influência do mercado
externo, embora a intervenção "surpresa" do Banco Central no
mercado cambial tenha limitado o movimento.
O dólar avançou 0,54 por cento, a 3,7267 reais na
venda, depois de despencar 5,59 por cento na sexta-feira, maior
queda em quase 10 anos.
Na mínima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,6715 reais
e, na máxima, a 3,7309 reais. O dólar futuro tinha alta
de cerca de 0,25 por cento.
O BC conseguiu conter a valorização do dólar após anunciar
durante a sessão leilão de até 50 mil novos swaps cambiais
tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Vendeu
integralmente a oferta, de 2,5 bilhões de dólares, somando neste
mês 13,116 bilhões de dólares em novos swaps.
Diferentemente do que vinha fazendo, o BC não fez o anúncio
sobre o leilão de swaps cambiais após a sessão anterior, quando
o dólar despencou sobre o real. Ele vinha ofertando diariamente
até 15 mil novos contratos desde 21 de maio passado e, de 14 a
18 de maio, o BC também tinha feito oferta extra, mas de até 5
mil contratos novos.
A atuação "surpresa" foi bem-vista pelos agentes: "Ele (o
BC) não pode dar previsibilidade porque cria uma banda, um teto
e um piso, e mercado fica esperando", disse um gestor de
derivativos de uma corretora local.
"É uma abordagem correta. Atuar 'discricionariamente' traz
alguma incerteza ao mercado, evitando especulações”, emendou o
diretor de Tesouraria de um banco estrangeiro.
Após a forte disparada do dólar e das taxas de juros
futuros, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse na
quinta-feira passada que o órgão ofereceria mais 20 bilhões de
dólares em novos swaps até o fim desta semana.
No pregão passado, assim, vendeu integralmente o lote de até
15 mil novos swaps, e também a oferta integral de até 60 mil
contratos, dentro dessa nova estratégia.
O BC também realizou nesta segunda-feira leilão de até 8.800
swaps para rolagem do vencimento de julho, já somando 3,080
bilhões de dólares do total de 8,762 bilhões de dólares que
vence em julho. Se mantiver esse volume até o final do mês,
rolará integralmente o total.
"Serão 20 bilhões de dólares até sexta-feira, isso pode
ajudar o dólar a cair um pouco mais, até 3,65 reais, 3,60 reais,
no máximo. Mas o dólar só vai ficar mais fraco aqui se o Fed não
trouxer surpresas", afirmou o diretor da consultoria de valores
mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao lembrar
que haverá reunião do banco central norte-americano nesta
semana, em meio a expectativas no mercado de que possa elevar
mais do que o esperado os juros da maior economia do mundo.
Por ora, as apostas ainda são majoritárias para três altas
de juros este ano, a segunda esperada para esta semana. Mas os
indicadores recentes podem levar o Fed a indicar que pode
ampliar o passo, o que tem potencial para atrair aos EUA
recursos hoje aplicados em outras praças, como a brasileira.
No exterior, o dólar tinha leve alta ante a cesta ,
mas subia firme ante as divisas de países emergentes, como os
pesos mexicano e chileno .
"O clima não é favorável para o dólar cair", afirmou Faria
Júnior.

ELEIÇÕES NO RADAR
A cena política também continuava no radar dos mercados
nesta sessão. Pesquisa Datafolha divulgada na véspera, no
entanto, acabou servindo para trazer alguma calma aos agentes.
O levantamento mostrou que o deputado Jair Bolsonaro
(PSL-RJ) liderava a corrida presidencial quando o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva não aparece na disputa, seguido pela
ex-senadora Marina Silva (Rede), mas a maior fatia do eleitorado
se diz sem candidato.
Também mostrou que, que nos cenários sem Lula, Marina
variava de 14 a 15 por cento, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT)
oscilava entre 10 e 11 por cento, o tucano Geraldo Alckmin tinha
7 por cento e senador Alvaro Dias (Podemos), 4 por cento.

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(Edição de Patrícia Duarte e Iuri Dantas)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
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