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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 7 Dez (Reuters) – O dólar saltou nesta
quinta-feira, voltando a se aproximar do patamar de 3,30 reais,
diante da avaliação de que o governo do presidente Michel Temer
tem poucas chances de aprovar a reforma da Previdência em breve
devido à dificuldade de conquistar apoio político.
O dólar avançou 1,73 por cento, a 3,2865 reais na
venda, maior ganho desde 18 de maio passado (+8,15 por cento),
quando o mercado reagiu à delação de executivos do grupo JBS que
atingiram em cheio Temer.
Na máxima da sessão, a moeda norte-americana foi a 3,3194
reais, e o movimento de agora foi mais do que suficiente para
anular a queda acumulada de 1,26 por cento nos quatro pregões
anteriores.
O dólar futuro subia cerca de 1,60 por cento no
final da tarde.
"A situação volta a complicar… Vamos ter que conviver com
mais uma sessão de informações desencontradas, o que agrega
volatilidade aos mercados", afirmou o economista-chefe da
corretora Modalmais, Alvaro Bandeira.
O nervosismo do mercado veio com os sinais mais claros de
que Temer não está conseguindo apoio político para aprovar a
reforma da Previdência na Câmara dos Deputados ainda neste ano.
Uma liderança governista disse à Reuters nesta tarde que as
chances de votar a matéria estão menores por causa de
resistências de partidos aliados como o PRB, PR e PSD.
A dificuldade do governo de conseguir apoio à reforma
–considerada essencial para o ajuste das contas públicas– fez
o dólar mudar de patamar já em outubro passado, quando chegou a
ser negociado no nível de 3,15 reais, mas foi próximo a 3,30
reais.
Mas, nas últimas semanas, diante dos esforços do governo, os
investidores começaram a enxergar maiores chances à reforma, o
que levou o dólar a recuar nas quatro sessões passadas, por
exemplo. Agora, o nervosismo voltou à tona.
"Se não houver uma definição sobre o tema ainda este ano,
com sua aprovação, o Brasil tende a ter sua nota de crédito
rebaixada por agências de classificação de risco, afetando
inclusive a política monetária", afirmou em nota o operador da
Advanced Corretora Alessandro Faganello.
O Banco Central vendeu o total de até 14 mil swaps cambiais
tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para
rolagem do vencimento de janeiro. Até agora, rolou o equivalente
a 3,5 bilhões de dólares do total de 9,638 bilhões de dólares
que vencem no mês que vem.
No exterior, o dólar rondava a estabilidade ante uma cesta
de moedas , mas subia ante divisas de países emergentes.

(Edição de Camila Moreira e Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
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