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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 30 Nov (Reuters) – O dólar fechou com alta de
quase 1 por cento nesta quinta-feira, no patamar de 3,27 reais,
repetindo o movimento da véspera com o mercado precificando cada
vez mais que o governo do presidente Michel Temer não conseguirá
aprovar a reforma da Previdência em breve.
O dólar avançou 0,97 por cento, a 3,2716 reais na
venda, fechando novembro praticamente estável, com leve queda de
0,04 por cento. Desde agosto passado, a moeda norte-americana
acumula alta de quase 5 por cento.
O dólar futuro subia cerca de 0,50 por cento no
final da tarde.
No mês até a última terça-feira, quando o mercado estava
mais otimista de que seria possível votar a reforma da
Previdência, o dólar acumulava queda de 1,96 por cento, mas o
humor dos investidores azedou com o sinais de falta de apoio
político à medida, considerada essencial para colocar as contas
públicas do país em ordem.
"A incerteza cada vez maior sobre a votação da reforma da
Previdência na Câmara dos Deputados este ano tende a manter os
investidores locais na defensiva", trouxe a Advanced Corretora
em relatório.
Na véspera, os investidores começaram a reduzir seu otimismo
com a possibilidade de votação da reforma depois que o ministro
da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o governo não via mais
possibilidade de fazer novas concessões no atual texto.

O ministro disse ainda que o PSDB havia deixado a base
aliada do governo. Era justamente a percepção de que a legenda
ajudaria Temer a tirar a reforma do papel que sustentou o bom
humor dos mercados nos últimos dias.
"O fiel da balança está sendo o PSDB. O partido tem um peso
grande e acabou gerando um problema ao governo", disse o
economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira.
Nesta quinta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados,
Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a proposta de reforma da
Previdência está "muito longe" dos 308 votos necessários para
ser aprovada na Casa.
"Existe ainda um espacinho para o dólar (rondar os atuais
níveis) nos próximos dias. Mas tudo muda muito rápido", afirmou
o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da
Silva. "Se não aprovar, (o dólar) pode ir a 3,40 reais",
acrescentou.
Com esse cenário mais tenso nos próximos dias, o mercado
também já se preparava para a volta do Banco Central ao mercado
de câmbio para rolar os swaps cambiais, contratos que se
assemelham à venda futura de dólares, que vencem em janeiro, no
valor equivalente a 9,638 bilhões de dólares.
Em novembro e em dezembro, não houve vencimentos e, por
isso, o BC ficou de fora do mercado. Atualmente, segundo dados
da autoridade monetária, o estoque total dos swaps estava em
23,794 bilhões de dólares.
"O BC deve agir rápido porque o volume é grande e também
para tirar um foco de tensão", afirmou o gerente da mesa de
câmbio do Banco Ourinvest, Bruno Foresti.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Edição de Patrícia Duarte)
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