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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 10 Mai (Reuters) – Após três altas consecutivas,
o dólar deu uma trégua e fechou abaixo do patamar de 3,55 reais
nesta quinta-feira, favorecido pelo recuo global da moeda
norte-americana após dados mais fracos de inflação aliviarem a
pressão sobre alta de juros adicionais nos Estados Unidos neste
ano.
O dólar recuou 1,35 por cento, a 3,5467 reais na
venda, depois de acumular alta de 2,62 por cento no mês até a
véspera, quando encostou no patamar de 3,60 reais, o maior em
dois anos.
Entre fevereiro e abril, a moeda norte-americana já havia
saltado 10 por cento. O dólar futuro tinha queda de
cerca de 1,35 por cento no final da tarde.
"Esse alívio é momentâneo. Há muitas incertezas ainda.
Precisamos ver outros indicadores sobre a economia dos EUA e
ainda há a questão eleitoral doméstica", disse o gestor de
derivativos de uma corretora local, para quem 3,50 reais agora
seria um piso para o mercado.
Neste pregão, os mercados respiraram um pouco mais aliviados
depois da divulgação de que o índice de preços ao consumidor nos
Estados Unidos aumentou menos do que o esperado em abril.

O dólar caía ante uma cesta de moedas e tinha forte
perda ante divisas de países emergentes, como os pesos mexicano
e chileno .
"Os rendimentos dos Treasuries estão caindo, a moeda recua
no exterior e aqui aproveita para corrigir", afirmou o gerente
da mesa de câmbio do banco Ourinvest, Bruno Foresti.
O retorno dos títulos norte-americanos caía, com o papel de
dez anos abaixo do nível de 3 por cento tocado
recentemente em meio à percepção de que os juros poderiam subir
mais intensamente nos Estados Unidos neste ano em meio ao
cenário de inflação e atividade mais fortes.
Internamente, o chamado diferencial de juros também
influenciava os mercados, diante da expectativa de que o Banco
Central brasileiro vai reduzir a Selic na próxima semana para
nova mínima histórica, a 6,25 por cento ao ano.
E, com temores de que o Federal Reserve, banco central
norte-americano, possa elevar mais os juros nos Estados Unidos,
os investidores tendem a migrar para a maior economia do mundo
atrás de rendimentos com baixíssimo risco.
"Mesmo que o BC corte os juros por aqui, o mercado doméstico
continua atrativo. Não tanto quanto antes, mas continua",
afirmou Foresti, acrescentando que, diante do cenário eleitoral
incerto, o dólar deve sofrer mais pressão de alta do que de
baixa ante o real.
Apesar do nervosismo que tomou conta das moedas emergentes
nos últimos dias, pesquisa Reuters com analistas constatou que,
pelo menos para as seis principais divisas latino-americanas,
uma parte da perda de valor recente deve ser recuperada nos
próximos meses.
O dólar deve ser negociado a 3,40 reais em 12 meses, mostrou
a pesquisa, sobre 3,35 reais esperados no levantamento de um mês
atrás, enquanto o peso mexicano permaneceu em 18,5 por dólar.

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O BC vendeu, pela sexta sessão, a oferta integral de até
8.900 contratos em swaps cambiais tradicionais, equivalentes à
venda futura de dólares, rolando 2,670 bilhões de dólares do
total de 5,650 bilhões de dólares que vence em junho.

Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês,
o BC terá rolado integralmente os contratos que vencem no mês
que vem e colocado o equivalente a 2,8 bilhões de dólares
adicionais.

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
Messaging: [email protected];))


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