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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 14 Jun (Reuters) – O dólar subiu mais de 2,5 por
cento e fechou esta quinta-feira acima do patamar de 3,80 reais
influenciado pelos mercados externos, após o Banco Central
Europeu (BCE) anunciar que vai acabar com seu programa de
compras de títulos no fim deste ano, mas que isso não
significava juros maiores no curto prazo.
O mercado local também foi pressionado pela perspectiva de
que está chegando ao fim o plano anunciado pelo Banco Central de
intervir mais pesado até o fim dessa semana.
O dólar avançou 2,64 por cento, a 3,8119 reais na
venda, maior alta desde 18 de maio do ano passado, quando
disparou 8,15 por cento após delações de executivos da J&F
acertarem em cheio o presidente Michel Temer.
Na máxima da sessão, a moeda norte-americana foi a 3,8160
reais, com valorização de 2,75 por cento. O dólar futuro
tinha alta de cerca de 2,45 por cento no final da tarde.
"O euro despencou e fortaleceu o dólar no mundo todo. Lá
fora as moedas emergentes pioraram muito, tínhamos que
acompanhar", comentou um operador de câmbio de uma corretora
local.
O euro caía mais de 1,5 por cento ante o dólar nesta sessão,
após o BCE decidir manter as taxas de juros em baixas recordes
até o verão de 2019 no hemisfério Norte e estender seu enorme
programa de compra de títulos até o final deste ano, embora vá
reduzir o volume de compras a partir de outubro.
A decisão do BCE de prolongar o estímulo monetário veio em
meio a preocupações com a desaceleração do crescimento na zona
do euro, a turbulência política na Itália e as tensões
comerciais globais, disseram analistas.
A decisão do banco europeu vem um dia depois de o Federal
Reserve, banco central norte-americano, ter anunciado que
pretende elevar os juros quatro vezes neste ano, ambas decisões
com implicações sobre o fluxo global de recursos e impacto sobre
países emergentes, como o Brasil.
Com a fraqueza do euro, o dólar subia mais de 1 por cento
ante uma cesta de moedas e avançava ante as divisas de
países emergentes, como os pesos chileno e mexicano
, devolvendo as quedas de mais cedo.
Os profissionais das mesas de operações no Brasil citaram
que contribuiu para reforçar o salto do dólar ante o real a
proximidade do fim do lote de 20 bilhões de dólares em swaps
cambiais tradicionais –equivalentes à venda futura de dólares–
que o BC sinalizou que injetaria no mercado até esta semana.
"O estoque do BC está acabando. Voltou a especulação, o
mercado está chamando o BC, quer saber o que ele vai fazer",
comentou o gerente de câmbio da corretora Ourominas, Mauriciano
Cavalcante.
Nesta sessão, a autoridade fez três leilões de swaps,
somando desde a sexta-feira passada até agora 18 bilhões de
dólares. O último leilão do dia, de 20 mil contratos, foi
realizado no meio da tarde, quando o dólar disparava ao redor do
mundo.
Na véspera, especialistas consultados pela Reuters avaliaram
que a atuação mais firme do BC deveria cumprir o prazo dado pelo
presidente da instituição, Ilan Goldfajn, e terminar nesta
sexta-feira, o que não queria dizer que a autoridade deixará o
mercado à deriva.
Ilan também disse na semana passada que, se fosse
necessário, o BC continuaria atuando no mercado, inclusive com
outros instrumentos.
O BC vendeu ainda nesta sessão a oferta integral de até
8.800 swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura
de dólares, para rolagem, já somando 4,4 bilhões de dólares do
total de 8,762 bilhões de dólares que vence em julho. Se
mantiver esse volume até o final do mês, fará rolagem integral.

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
Messaging: [email protected];))

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