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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 8 Jun (Reuters) – O dólar despencava mais de 3
por cento nesta sexta-feira, já abaixo do patamar de 3,80 reais,
após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciar
reforço na atuação no mercado nos próximos dias e lembrar os
agentes que a autoridade tem outros instrumentos para ampliar a
liquidez.
Às 10:37, o dólar recuava 3,26 por cento, a 3,7980
reais na venda, após tocar a mínima de 3,7930 reais no dia.
Nos três últimos pregões, o dólar havia saltado 4,87 por
cento, encerrando a véspera em 3,9258 reais, maior nível desde
1º de março de 2016. O dólar futuro tinha baixa de 2,40
por cento.
"O BC demorou a vir a público, deixando o mercado num ponto
de tensão tão violenta que chegou muito perto de 4 reais… Mas
foi só aparecer, dizer que estava a atento, já deu uma
tranquilizada", comentou o diretor da mesa de câmbio da
corretora MultiMoney, Durval Correa.
Na noite passada, Ilan informou que serão ofertados 20
bilhões de dólares adicionais em swaps cambiais tradicionais
–equivalentes à venda futura de dólares– até o fim da próxima
semana. E acrescentou que, se necessário, o BC poderá fazer
leilões de linha, venda de dólares com compromisso de recompra,
ou até mesmo vender dólares das reservas no mercado à vista.
Ele ainda afastou a possibilidade de reunião extraordinária
do Comitê de Política Monetária (Copom) para mudar a taxa de
juros, e reforçou as mensagens nesta sexta-feira.

O mercado ficou mais nervoso nos últimos dias em meio a
preocupações com a situação fiscal do país, após a greve dos
caminhoneiros gerar impacto bilionário sobre as contas públicas.
A cena política também pesava, a poucos meses da eleição
presidencial e sem que um candidato que o mercado considera mais
reformista decolando nas pesquisas de intenção de voto. E essas
preocupações ainda continuavam entre os investidores.
"As condições que levaram o dólar a esticar não mudaram… O
BC conseguir tranquilizar, (mas) não significa que a moeda vai
voltar a 3,50 reais. É possível ele voltar a trabalhar entre
3,75 e 3,80 reais", afirmou Correa.
Nesta sessão, o BC já vendeu integralmente o lote de até 15
mil novos swaps, injetando 7,306 bilhões de dólares neste mês no
mercado. Também anunciou que fará outro leilão de até 60 mil
contratos ainda pela manhã, dentro da nova estratégia de vender
mais 20 bilhões de dólares em swaps até a próxima sexta-feira.

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Desde que começou a ofertar novos contratos de swap, no dia
14 de maio passado, o BC já injetou no sistema até o momento o
equivalente a 14,866 bilhões de dólares.
O BC também ofertará até 8.800 swaps para rolagem do
vencimento de julho. Se mantiver esse volume até o final do mês,
rolará integralmente o volume de 8,762 bilhões de dólares.
O cenário externo também continuava como uma luz amarela
para os mercados, em meio a temores de altas de juros além do
esperado nos Estados Unidos ainda este ano.
Na próxima semana, o Federal Reserve, banco central do país,
volta a se reunir e as apostas majoritárias são de que ele
promoverá a segunda alta de juros neste ano. A dúvida é se
indicará que vai acelerar o passo até o final do ano ou fará
apenas mais uma elevação até o fim do ano.
Juros elevados têm potencial de atrair à maior economia do
mundo recursos aplicados hoje em outras praças financeiras
consideradas de maior risco, como a brasileira.
Nesta sessão, o dólar operava em alta ante uma cesta de
moedas e também divisas de países emergentes, como o rand
sul-africano e o peso mexicano .
"A expectativa com o Fed e também com nova pesquisa de
intenção de voto no final de semana seguram um pouco a correção
do dólar", afirmou o operador da mesa de câmbio de uma corretora
local, ao citar a pesquisa Datafolha para as eleições
presidenciais que deve ser divulgada no final de semana.

(Edição de Camila Moreira)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
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