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Bovespa registra mês de janeiro positivo com valorização de 7,4%

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O mês de janeiro foi bem positivo para a Bovespa, que registrou valorização de 7,4%, com destaque para as ações de Vale com valorização de 30,9% e Itaú com 10,0%. Destaque para o fluxo positivo dos investidores estrangeiros, mesmo com nova desvalorização do dólar e alta das ações. Em janeiro, os investidores estrangeiros alocaram liquidamente R$ 6,24 bilhões.

A pesquisa semanal Focus do Bacen veio pela terceira semana seguida bem (dessa feita mais comedida), indicando queda da inflação na margem para 4,70% e Selic em 2018 de 9,0% (anterior
em 9,38%). Melhor ainda foram as declarações do presidente Ilan Goldfajn confirmando que a velocidade cruzeiro de queda da Selic é agora de 0,75%, e que o Brasil está menos vulnerável. Disse que a redução do estoque de swap traz conforto à política cambial e voltou a destacar as incertezas externas, especialmente relacionada com o novo governo Trump.

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O Bacen anunciou o déficit primário do setor público de R$ 155,8 bilhões em 2016, o pior da série. O déficit nominal foi de R$ 562,8 bilhões, cerca de 9,0% do PIB. A dívida bruta fechou 2016 em 69,5% do PIB e a líquida em 45,9%. Isso só foi possível por conta do acerto do BNDES devolvendo ao Tesouro R$ 100 bilhões.

O IBGE anunciou dados da PNAD contínua com a taxa de desemprego recorde de 12% no trimestre encerrado em dezembro, com a massa de renda real permanecendo estável. A população desempregada foi para 12,3 milhões de indivíduos, como se toda a população de São Paulo estivesse desempregada. Esse é certamente um indicador que ainda vai piorar mais, e pode chegar perto de 14% no final do ano. O mesmo IBGE anunciou que a produção industrial de 2016 encolheu 6,6%, o terceiro ano seguido de encolhimento. Em três anos, a produção caiu 16,9%. A queda em três anos de bens de capital foi de 39,8%, e tecnicamente é o que prepara o país para o crescimento futuro.

Durante o período, muitas declarações de ministros e do presidente Temer sobre a situação do país sempre colocando perspectivas positivas. Em sua mensagem ao Congresso, Temer expôs a necessidade de reformas e ainda recriou dois ministérios (não era para reduzir?). Foi muito comentado e discutido sobre a situação do Rio de Janeiro e ajuda da União, com Pezão querendo acelerar antecipação junto ao STF e privatização da Cedae.

A volta do recesso do Judiciário e do Legislativo provocou muito ruído. No STF, a presidente Carmen Lúcia de plantão, homologou as delações de 77 executivos da Odebrecht, mas manteve o sigilo. No sorteio realizado na segunda turma para relatoria, acabou sendo escolhido exatamente o ministro Fachin. Os mercados comemoraram com mudança de comportamento para alta. Destacamos a eleição de Eunício de Oliveira como novo presidente do Senado e Rodrigo Maia como presidente da Câmara em eleição bem mais conturbada. A esposa de Lula foi diagnostica com morte cerebral.

No cenário externo, o presidente americano Donald Trump continuou determinando o comportamento volátil dos mercados de risco e o volume de estresse dos investidores. Restrições à imigração e refugiados seguiu como tema, mas tivemos novos discursos xenófobos sobre empresas receberem benefícios para produção interna. Trump demitiu sua secretária de justiça por não apoiar decisão e manteve conversar ruim com a Austrália sobre refugiados.

Na economia, o FED manteve as taxas de juros inalteradas e o comunicado foi mais suave que o previsto, com destaque para o ponto negativo que empresas estão com investimentos fracos. O FED deixou a porta aberta para alterar juros na reunião de março e terá chance de sinalizar isso em discursos de sua presidente ao Congresso e outros encontros. Ainda nos EUA, a renda pessoal cresceu 0,3% em dezembro e gastos com +0,5%. O deflator de preços do consumo PCE cresceu 1,6% no comparativo entre os meses de dezembro.

O índice de atividade de Dallas caiu para 11,9 pontos em janeiro (anterior em 14,8 pontos) e o Case-shiller de preço dos imóveis nacional subiu 5,6% em novembro. Os gastos com construção (investimentos) encolheram 0,2% em dezembro e indicadores de atividade industrial (PMI e ISM) subiram. O payroll de janeiro (criação de vagas) subiu para 227000 postos, bem maior que o previsto e o desemprego evoluiu para 4,8% (anterior em 4,7%).

No Reino Unido, a primeira ministra Theresa May divulgou o Livro Branco com os planos do Brexit e o parlamento passou boa parte da semana discutindo o tema. O BOE manteve a política monetária estabilizada (juros em 0,25%) e compra de ativos no montante de 435 bilhões de libras. Carney, presidente do BOE, diagnosticou que as empresas estão investindo pouco por conta do Brexit e que salários em alta e gastos podem acelerar juros.

Tivemos indicadores PMI da atividade industrial divulgados para o mês de janeiro em diferentes países, e como tônica geral mostraram expansão da atividade, já que ficaram acima de 50 pontos. No Brasil, seguimos caindo com o PMI de janeiro em queda para 44 pontos, o que mostra contração.

RESUMO DA SEMANA
IBOV -1,64% (64953) DOW -0,15% NASDAQ ESTÁVEL DÓLAR -0,76% (R$ 3,125)

PERSPECTIVAS

Em todas as últimas semanas, temos mostrado nosso viés otimista com relação ao desempenho do mercado acionário. Continuamos a manter essa postura para o próximo período, apesar de reconhecermos como de intensa volatilidade.

Os indicadores de atividade (PMI) anunciados durante a semana para o mês de janeiro em diferentes países dão respaldo à postura de arriscar um pouco mais em ativos. Isso se espalha pelo mundo em recuperação e é válido também internamente. Basta ver que os investidores estrangeiros alocaram recursos de pouco menos da metade de todo o ano passado, somente no mês de janeiro.

A liquidez no sistema financeiro internacional dá espaço para assunção de maior volume de risco pelos investidores, e é fato que o Brasil, por conta das mudanças que estão sendo propostas, está de volta ao radar dos investidores. Basta continuar nesse rumo para que o fluxo de recursos canalizados seja mantido.

Com a volta de recesso do Judiciário e Legislativo e, com novos presidentes nas duas casas, tudo pode ser acelerado. Porém, os ruídos e vazamentos seletivos das delações serão inevitáveis e agregam maior volatilidade. Do lado do governo, a queda dos juros vai melhorar um pouco as contas públicas e dar mais de fôlego para as empresas. Podemos contar ainda com novas reformas microeconômicas por parte do governo, ajudando um pouco mais as empresas.

Somos de opinião que vamos conquistar novamente o patamar perdido do Ibovespa em 65400 pontos, abrindo novamente o objetivo inicial próximo de 68000 pontos, para depois consolidar e buscar novos horizontes.

É claro que vamos precisar de comportamento positivo de outros mercados importantes do mundo e que Trump adquira perfil mais amistoso e menos xenófobo.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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