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BOM DIA INVESTIDOR: Saída do Reino Unido da União Europeia

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Ao invés de fazermos um resumo dos principais fatos da semana e indicadores, vamos usar o principal fato da semana para tentar esclarecer alguns pontos. Coincidentemente o Brexit – Saída do Reino Unido da União Europeia – já vem afetando os preços dos ativos por algumas semanas.

O Reino Unido realizou no dia 23 de junho um plebiscito para que a população do bloco indicasse se deveriam permanecer ou sair da União Europeia. A saída do bloco ganhou por estreita margem 51,9% e não deve haver volta.

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Quase que simultaneamente o primeiro ministro David de Cameron anunciou renúncia, alegando que “não poderia ser capitão nessa nova direção”. Quase que na mesma hora, Boris Johnson que era o divulgador do Brexit começou a ser cotado para assumir o lugar. Jonhson tem algumas semelhanças com Donald Trump, notadamente o penteado.

Os mercados também reagiram instantaneamente durante a noite/madrugada, assim que o Brexit foi se consolidando. É claro que os efeitos nas economias não se dá com essa rapidez, mas os mercados se ajustando no curtíssimo prazo. A libra chegou a despencar quase 10%, a bolsa de Londres de forma semelhante e o desequilíbrio no mercado de câmbio assustou todos. Ao ponto do BC suíço, fazer intervenção precipitada para inibir forte valorização do franco suíço.

Bolsas de outros países da Europa operaram até com quedas maiores e commodities também em forte queda com destaque para petróleo e cobre, por exemplo. A partir daí diferentes bancos centrais passaram a divulgar que estavam preparados para contingências, e citamos, BOJ, PBOC, BCE e até o FED; dizendo que estenderia as operações de swap com outros Bancos centrais para proporcionar liquidez. O mais efetivo foi mesmo o BOE que anunciou 250 bilhões de libras em liquidez primária.

Os efeitos do Brexit são de mais longo prazo, mas a situação na União Europeia (e por tabela a zona do euro), pode complicar a partir de agora com os questionamentos dos signatários. Já se fala em países escandinavos, como Suécia, Dinamarca e Finlândia; da mesma forma que crescem os ruídos dos EUROCÉTICOS na França, Holanda, Espanha e Itália.

Aliás, não foi por outra razão que as bolsas desses países foram as que mais perderam na última sessão da semana. Paris com -8,04%, Madri -12,35% e Milão com -12,48%. Com isso, queremos dizer que os acordos dos blocos estão em risco, terão que ser atualizados e não há qualquer garantia de que esse movimento do Brexit não irá se desmembrar em alguns outros.

O maior distúrbio é sempre no câmbio. Derivam muitos outros provenientes em boa parte dos desequilíbrios momentâneo do câmbio. Quanto maior for a atuação dos bancos centrais (coordenada ou não) em tentar acalmar os mercados e induzir equilíbrio em outro patamar, menos os mercados sofrerão. Quanto maior for o ruído de “eurocéticos”, maior será o estresse dos investidores e mais longa a busca pelo equilíbrio.

Isso posto, apesar da grande movimentação havida na sessão de 24 de junho, os movimentos estão só começando e ainda vão provocar enorme volatilidade na precificação dos ativos. Falamos no câmbio, mas ele interfere no fluxo internacional de recursos, nas intenções de investimento, nos processos de fusões e aquisições, interrompe um pouco o comércio de bens e serviços, induz preços erráticos para as commodities e traz como efeito secundário o voo para qualidade (fly to quality), e incorpora maior aversão ao risco.

Consequência direta disso, o dólar sobe, assim como o ouro e outros metais nobres e commodities sofrem. Os juros americanos também caem pela demanda maior por títulos seguros.

Nesse momento, é praticamente impossível extrapolar para onde essa situação levará o crescimento global, mas é fácil intuir que BCE, BOJ e outros bancos centrais vão produzir algum tipo de distensão monetária. Isso nos remete também à situação de adiamento de alta dos juros nos EUA, possivelmente só para 2017.

Os emergentes como dependentes dos países desenvolvidos também vão sofrer com a situação, notadamente no curto prazo e até que os mercados voltem a encontrar pontos de equilíbrio. Por mais que o Bacen tenha elencado que o Brasil possui reservas, sistema financeiro sólido e está preparado para atravessar essa instabilidade. A recuperação econômica fica mais comprometida e a atividade das empresas também.

Nossa torcida é para que os mercados encontrem rápido esses pontos de equilíbrio e que a situação vá se normalizando. Enquanto isso, prudência passa a ser a palavra de ordem, destacando que para os mais agressivos nos investimentos pode estar começando boa fase para redimensionar posições.

Para não perder o hábito, fazemos um resumo da semana:

RESUMO DA SEMANA
IBOV +1,15% (50105) Dow Jones -1,56% Nasdaq -1,94% Dólar -1,26% (R$ 3,378)
24/06-2,82% -3,39% -4,12% +1,07%


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