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BOA NOITE INVESTIDOR: Petróleo como grande diferencial para os mercados de risco

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A semana trouxe o petróleo como grande diferencial para os mercados de risco, com larga volatilidade de preços e afetando outras commodities e precificação de ações ligadas ao segmento. Internamente, Petrobras e Vale tiveram bruscas oscilações mexendo com o índice, adicionalmente mexendo com o setor siderúrgico. Porém, o que mais pesou na prudência dos investidores foi o encontro de Jackson Hole do FED e o julgamento do impeachment de Dilma.

A pesquisa semanal Focus do Bacen veio melhor com ao inflação de 2017 encolhendo para 5,12% e o PIB subindo para +1,20%. A produção industrial também melhorou para +1,05%, enquanto o dólar do final de 2017 ficava em queda para 3,45%. O saldo da balança comercial até a terceira semana de agosto mostrou superávit de US$ 31,09 bilhões. A FGV divulgou que a confiança da indústria caiu 0,2 pontos em agosto para 86,9 pontos, mas a confiança do comércio cresceu 7,2 pontos para 82,1 pontos. A do setor de construção subiu 1,8 pontos para 72,5 pontos, no maior patamar desde julho de 2015.

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A inflação voltou a mostrar desaceleração em índices parciais ou finais. O IPC-S da terceira quadrissemana de agosto desacelerou para 0,39% (anterior em 0,48%). O IPCA-15, prévia da inflação oficial declinou para 0,45% (anterior em 0,54%) acumulando inflação até agosto de 5,66% e em 12 meses de 8,95%. A desaceleração está sendo muito lenta e alimentos segue sendo incógnita. Citamos energia em agosto com queda de 1,87%, mas a difusão da inflação voltou a aumentar para 63,3%.

O Bacen anunciou déficit em conta corrente em julho de US$ 4,05 bilhões e em 12 meses de US$ 27,8 bilhões, algo como 1,57% do PIB. O IDP (Investimento Direto no País) foi muito baixo no mês e acumula ingresso em 12 meses de US$ 72,0 bilhões (4,06% do PIB), cobrindo com folga o déficit em conta corrente. Investimentos em ações brasileiras em julho foi de US$ 2,9 bilhões e houve saída de renda fixa de US$ 328 milhões. O Bacen também anunciou que o estoque de crédito encolheu 0,4%em julho para R$ 3,12 trilhões e a inadimplência total do crédito livre subiu para 5,7%. O nível de endividamento das famílias ficou estável em 43,7 % e o comprometimento da renda em 22,7%.

O lado político é que esteve pesado durante toda a semana e deixou investidores tensos. Muitos encontros de Temer, Meirelles e Dyogo Oliveira com parlamentares, mas o clima esteve sempre ruim. Tasso Jereissati chegou a dizer que o PSDB poderia sair da base de apoio, caso o governo acatasse o reajuste dos funcionários do judiciário (depois desmentido). Em outra oportunidade Meirelles e Dyogo expuseram aos político a premência de aprovar a PEC 241 do teto dos gastos, sendo que Dyogo aventou a hipótese do país colapsarem caso de negativa , nos moldes da Grécia, por exemplo. No último dia da semana, Lula e Marisa foram indiciados pela Polícia Federal por corrupção e lavagem de dinheiro referente ao tríplex.

Mas também tivemos boas notícias. O senado aprovou em segundo turno a recriação da DRU (Desvinculação de Receita da União) até 2023, produzindo bom alívio, apesar da contrapartida de aumento da defensoria pública. Em 25 de agosto, sob a presidência de Ricardo Lewandowski e Renan Calheiros, tivemos o início de julgamento do impedimento da presidente afastada Dilma Rousseff, com os mesmo lances repetidos pela tropa de choque tentando procrastinar o julgamento. Lewandowski não acatou demandas mais a sessão foi bem tumultuada pelo grupo de sempre. Pelo menos nos dois primeiros dias.

Está previsto que Dilma fará defesa de viva voz na sessão de segunda-feira e vai usar o final de semana para treinar com senadores de sua base. A oposição quer acelerar trabalhos e prepara a arguição da presidente. O processo deve ser encerrado nos dias 30 ou 31 de agosto. Temer tenta colocar panos quentes nos políticos de sua base e preparar o day after do processo de impeachment.

Na Bovespa, até a sessão de 24 de agosto, os investidores estrangeiros tinham retirado recursos da ordem de R$ 1,55 bilhão em agosto, com ingresso líquido no ano de R$ 15,7 bilhões.

No cenário externo, as preocupações estiveram sempre focadas na volatilidade do petróleo e nas expectativas com o encontro do FED de Jackson Hole. Depois de se aproximar da cotação de US$ 50 o barril WTI, o petróleo voltou a cair. Tudo por conta da reunião extraordinária da OPEP, marcada para setembro na Nigéria para tentar estabilizar preço e congelar produção. Aparentemente, Rússia e Arábia Saudita concordam com essa posição, mas Irã e Iraque são incógnitas, apesar do Irã não ter aumentado produção em julho.

Já com relação ao encontro do FED, as expectativas recaíram sobre o discurso de Janet Yellen em 26 de agosto. O nervosismo é natural já que se aproxima a nova hora de elevar juros. Presidentes regionais como Esther George (Kansas) e Robert Kaplan (Dallas) reforçaram esse conceito com declarações favoráveis à elevação dos juros no curto prazo, mas de forma gradual. A presidente do FED de Kansas chegou a citar o patamar de 3,0% a ser atingido em três anos. Yellen veio um pouco mais dura com relação a elevar juros ainda nesse ano, mas manteve a fórmula gradualista.

No plano econômico, a semana contemplou a divulgação de indicadores PMI para diferentes países, com a Alemanha mostrando fragilidade (queda para 54,4 pontos), mas todos acima ou muito próximos de 50 pontos (Japão), o que indica expansão da atividade.

Na Alemanha, o PIB do segundo trimestre expandiu 0,4% e taxa anualizada de 1,8%. Na Espanha, PIB maior em 0,8% e taxa anualizada de 3,2%. Na França, ficou estagnado no trimestre e no Reino Unido cresceu 0,6%, com taxa anualizada de 2,2%. Outro indicador fraco na Alemanha com índice IFO de sentimento empresarial de agosto com queda para 106,2 pontos, já incorporando pessimismo com o Brexit, coisa que não foi capturado ainda pelo PIB inglês. O mesmo efeito Brexit explica a confiança do consumidor da zona do euro em queda para -8,5 pontos.

Nos EUA, seguimos com comportamento misto para indicadores de atividade, com Kansas em alta, Richmond e PMI em queda. Porém, as expectativas são sempre otimistas quanto ao crescimento no curto prazo, com indicadores da força de trabalho positivos. Alguns dirigentes do FED entendem que será preciso mudar a política fiscal e meta de inflação. A confiança do consumidor de Michigan de agosto teve queda para 89,8, pior que o esperado. No encontro de Jackson Hole, as pressões para elevar juros aumentaram e a porta ficou aberta para elevação ainda em 2016.

RESUMO DA SEMANA
IBOV -2,34% (57716) DOW JONES -0,85% NASDAQ-0,34% DÒLAR +1,97% (R$ 3,268)

PERSPECTIVAS

A próxima semana promete grandes emoções para os participantes do mercado local. Depois de nove meses, vamos ter finalmente o desfecho do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Por tudo que está acontecendo uma reviravolta é improvável e Dilma deve mesmo ser impedida de voltar.

Com isso, a situação tende a mudar, mas ainda vamos guardar expectativas sobre o day after e comando de Michel Temer. Na semana passada, registramos alguns curtos-circuitos na base de apoio de Temer, o que pode comprometer o desempenho, já que serão necessárias medidas duras e urgentes para realizar o ajuste fiscal, ainda que de mais longo prazo. O presidente Temer e sua equipe econômica têm obrigação de se manter coesos e conseguir essa coesão também para a base de apoio, já que muitas decisões terão que passar pelo Congresso em época ingrata.

No mercado, diríamos que boa parte da expectativa sobre o impeachment já está expressa na recuperação dos preços dos ativos. Porém, na nossa visão, ainda haveria espaço para novas recuperações a partir do elenco de medidas adotadas irem na direção correta. Portanto, mais que mudanças no curto prazo, estimamos maior coerência de médio e longo prazo, considerando que lentamente ingressaremos no ciclo virtuoso de recuperação.

Lembramos que enquanto a Bovespa ainda está cerca de 20% abaixo de seu ponto máximo, o mercado americano opera próximo do patamar de antes da bolha de Internet. Assim, seguimos indicando que o Ibovespa pode retomar o patamar de 59300 e abrir objetivos na casa de 62000 / 63000 pontos.

Para que isso ocorra, será preciso contar com o “auxílio luxuoso” do exterior, resolvendo e aclarando o comportamento da política econômica americana, principalmente no que tange aos juros.

Na Europa, quais serão as medidas adotadas para a zona do euro em termos de distensão monetária; e finalmente como o Japão lidará com estímulos e valorização do iene e China em seguir crescendo dentro da meta e mais organizada.

O momento de virada parece ter chegado, mas precisa ser corretamente avaliado em todas suas nuances.


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