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BOA NOITE INVESTIDOR: Nova política de preços estabelecida pela Petrobras

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A semana começou forte na Bovespa e encerrou com comportamento mais fraco. O início do período ainda foi influenciado pela nova política de preços estabelecida pela Petrobras e alta da commodity no mercado internacional, pela valorização do minério de ferro e por noticiário decorrente da reunião dos BRICS e viagem de Temer ao exterior. Adicionalmente, tivemos vencimento de opções para o prazo outubro com exercício de R$ 3,8 bilhões, estrangeiros ampliando posição comprada no índice futuro e fluxo de recursos.

Na Bovespa, até a sessão de 17 de outubro, os investidores estrangeiros tinham alocado R$ 2,83 bilhões e acumulando no ano R$ 15,87 bilhões. Enquanto isso, no exterior, as discussões ficaram por conta de política monetária e juros. Nos EUA, Yellen, presidente do FED, deu declarações de aceitar inflação acima da meta para produzir crescimento, e isso foi interpretado como possível adiamento da elevação de juros; se bem que importantes presidentes regionais (como Dudley de NY) ainda acreditam em uma elevação em 2016.

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Em compensação, Mario Draghi do BCE, em coletiva depois da reunião de política monetária funcionou como “ducha fria”. Manteve taxa de refinanciamento em zero e de depósito em -0,4%, mas disse esperar que esse política permaneça por período prolongado. Porém, disse não terem discutido extensão da política de compra de ativos e que a falta de bônus não é um problema no momento. Disse que o foco deve estar em acelerar reformas e obter mais produtividade. Acrescentou que a inflação da região deve acelerar nos próximos dois meses.

Durante a semana na China, tivemos a divulgação de indicadores importantes de conjuntura. O PIB do terceiro trimestre mostrou expansão anualizada de 6,7% (igual ao trimestre anterior) e elevação no trimestre de 1,8%. A produção industrial de setembro desacelerou para taxa anualizada de 6,1% (previsão +6,4%) e vendas no varejo acelerando para 10,7%. Os investimentos em ativos fixos urbanos registrou alta de 8,2% nos nove primeiros meses de 2016. Novos empréstimos de setembro cresceram US$ 181 bilhões.

Na zona do euro, a inflação medida pelo CPI (Consumidor) de setembro ficou em 0,4%, mesma taxa para anualizada. Na Alemanha, a inflação pelo PPI (Atacado) foi deflação de 0,2% em setembro e taxa anualizada de -1,4%, pior que o previsto. No Reino Unido, a taxa de desemprego do trimestre encerrado em agosto foi de 4,9%, as vendas no varejo decepcionaram com estabilidade e a inflação pelo CPI subiu 0,2% com taxa anualizada de 1,0%.

Nos EUA, vários indicadores. O índice de atividade do FED de NY de outubro caiu para -6,8 pontos, saindo de -2,0 pontos. A produção industrial de setembro expandiu 0,1%, com utilização da capacidade em 75,4%. A inflação medida pelo CPI de setembro registrou elevação de 0,3%. A construção de novas residências de setembro observou queda de 9,0% e novas permissões cresceram 6,3%. O índice de atividade industrial de Filadélfia caiu para 9,7 pontos em outubro.

Além disso, o tema recorrente de elevação dos juros seguiu fazendo preço dos ativos no dia-a-dia, com o vice-presidente do FED, Stanley Fischer, dizendo que juros baixos deixam a economia vulnerável e podem levar a recessões mais longas. Sobre a safra de balanços do terceiro trimestre várias empresas de porte mostraram seus resultados e, via de regra, dentro ou melhor que o esperado.

No Brasil, duas notícias dominaram. O Copom, como esperado, reduziu juros em 0,25% com a Selic em 14% e o ex-presidente e deputado cassado Eduardo Cunha foi preso preventivamente. No que tange ao Copom, a surpresa ficou por conta do comunicado pontuando incertezas, bem mais duro que o suposto. Apesar disso, ficou a perspectiva de estar começando ciclo de baixa de juros, depois de quatro anos de alta/manutenção.

Com relação a Eduardo Cunha, chocou a velocidade de prisão e trouxe perplexidade aos políticos preocupados com possível delação premiada e incriminação de membros do atual governo Temer. Tudo isso pode trazer desdobramentos importantes e tirar um pouco do foco do ajuste fiscal. Alias, a S&P elencou Cunha e o ajuste fiscal como riscos.

Além disso, temos que considerar outro efeito em função do encaminhamento de documentos da Odebrecht pelo governo da Suíça para a Lava jato. Isso pode ser outra bomba de efeito retardado. Sobre repatriação, a Receita Federal indica arrecadação até o dia 19 de outubro de R$ 18,6 bilhões.

No plano econômico, citamos a divulgação das vendas no varejo em agosto pelo IBGE em queda de 0,6% e queda no ano de 6,6%. No setor de serviços, registraram queda no volume de 4,7% anualizado e com a receita bruta nominal crescendo somente 2,2%. O IPCA-15 de outubro (prévia da inflação oficial) desacelerou para 0,19%, mas em 2016 atinge 6,11% e em 12 meses 8,27%. Dados ruins que indicam que o terceiro trimestre pode ser também de contração do PIB, apesar de melhor que no trimestre anterior. Corroborando com isso, o Bacen divulgou o IBC-Br de agosto com queda de 0,91% e no ano com contração de 4,98%.

RESUMO DA SEMANA
IBOV +3,79% (64108) DOW JONES +0,04% NASDAQ +0,82% DÓLAR -1,34% (R$ 3,159)

PERSPECTIVAS

O Brasil começa a voltar a ser um dos principais emergentes reconhecidos para investimentos no mundo. O presidente Temer apurou isso, foi reforçado por Meirelles, mas também conseguimos apurar junto a parceiros internacionais. Parece mesmo que isso está acontecendo. Porém, isso só vai ganhar corpo se e, quando a PEC 241 for aprovada, em segundo turno no Senado. Onde Renan Calheiros espera ver tudo terminado em 09 de dezembro.

Isso só não basta, mas existem boas razões para bom encaminhamento da reforma da Previdência, fundamental para fazer valer o ajuste fiscal. A maior delas é que não haverá recursos para pagar novas aposentadorias.

Enquanto isso não acontece, a Bovespa vai sinalizando alguma antecipação pelos investidores, e muitas ações já mostram recuperações de mais de 100%.

Como temos afirmado por muitas semanas, seguimos acreditando em tendência de alta para a Bovespa, não sem alertar para realizações de lucros de curto prazo e muita volatilidade, ao sabor das nuances políticas e lances da Lava Jato e seus desmembramentos. Não importa, se o fluxo de recursos seguir carreado para a Bovespa (enquanto não saem os IPOs e outras emissões), vai conseguir absorver pressões vendedoras e seguir em frente.

Com esse espírito, é que traçamos a possibilidade do Ibovespa seguir na direção de buscar o patamar até 69000 pontos e, quem sabe, cravar no futuro recorde de pontos acima dos 74000. Claro que existem riscos, mas eles podem ser minorados com operações complementares em derivativos.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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