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BOA NOITE INVESTIDOR: Comportamento volátil do petróleo e expectativas sobre aumento de juros na economia

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A semana foi integralmente dominada pelas discussões e perspectiva de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e eventuais consequências. No exterior, ainda pesou o comportamento volátil do petróleo e expectativas sobre o próximo aumento de juros na economia. Apesar disso, também tivemos indicadores importantes sendo anunciados no Brasil e no exterior que ajudaram a compor o quadro dos mercados de risco na semana. Citamos, por exemplo, o payroll americano de agosto.

No cenário local, tivemos verdadeira maratona parlamentar, com longas sessões do Senado presidida pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Muito bem conduzida quase até o final dos trabalhos. O único erro foi o fatiamento da votação. Depois de intensos debates, quase quatorze horas de arguição da presidente e, respostas duvidosas e, nenhuma admissão de erro, os parlamentares julgaram a presidente que foi afastada do poder por placar de 61×20. Bem mais que os 54 votos requeridos.

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O fatiamento do julgamento trouxe fissura na base de apoio de Temer que terá que costurar a posição do PMDB com o PSDB e DEM. Isso pode dificultar aprovação de medidas que serão certamente duras e que apesar de serem para o povo, podem não ser entendidas. Diga-se de passagem que o PT mesmo esfacelado sabe fazer oposição e infernizar o governo. Com essa página do impeachment virada, o governo tem que arregaçar as mangas e partir para medidas e reformas.

Na área econômica, o IBGE anunciou dados da PNAD contínua do trimestre encerrado em julho, com a taxa de desemprego em 11,6%, queda da renda real de 3,0% sobre igual trimestre de 2015 e massa salarial real encolhendo 4,0%. Quase atingimos 12 milhões de desempregados e 3,2 milhões só nos últimos 12 meses. Nem precisa dizer que foram os piores dados da série. Também anunciou crescimento da produção industrial em julho de 0,1% (5º mês de alta), mas ainda mostra queda em 2016 de 8,7%. Citamos bens de capital como ponto negativo, em queda contra igual período de 2015 de 11,9%. A melhora da produção se deve a ajustes e recomposição de estoques.

O mesmo IBGE divulgou o PIB referente ao segundo trimestre em contração de 0,6%, e contra igual período de 2015 em queda de 3,8%. Contra igual período de 2015 o consumo das famílias encolheu 5,0% e o de governo 2,2%. A taxa de investimento muito baixa em 16,8% e taxa de poupança em 15,8%. A formação bruta de capital fixo (FBCF) é que expandiu no trimestre 0,4%, interrompendo sequência de 10 meses de queda. Mas contra igual trimestre registrou queda de 8,8%. O PIB encolheu pelo nono trimestre consecutivo e não mostra grande alento para o próximo que pode ser levemente negativo.

Outro dado horrível ficou por conta do déficit primário que em 12 meses atinge R$ 154 bilhões, algo como 2,54% do PIB. O gasto com juros em 12 meses ascenderam a R$ 427 bilhões e o déficit nominal do setor público ficou em R$ 581,1 bilhões, em 9,58% do PIB, extremamente elevado. Tais números indicando risco para se atingir as metas de déficit em 2016 e 2017, situação que fragilizaria o governo Temer. De melhor mesmo, só o saldo da balança comercial com superávit em julho de US$ 4,1 bilhões e acumulando no ano de US$ 32,4 bilhões.

O Copom manteve a taxa Selic estabilizada como previsto em 14,25%, mas retirou a expressão “sem espaço para flexibilização” o que deixou a janela aberta para possível redução dos juros na reunião de outubro. Nos mercados de risco, internamente, absorvemos tudo isso e, exterior, com volatilidade no câmbio, juros e Bovespa, essa com liquidez mais estreita e larga oscilação de Petrobras e Vale.

Já os investidores estrangeiros em agosto sacaram R$ 2,25 bilhões, deixando o saldo de ingresso do ano de 2016 positivo em R$ 15,0 bilhões.

No cenário externo, na China, foi anunciado o lucro industrial crescendo anualizado 11% em julho e os bancos chineses fizeram baixa contábil em empréstimos inadimplentes no montante de US$ 19,5 bilhões, expansão de 44% sobre anterior. O PBOC (BC Chinês) anunciou injeção no sistema financeiro via empréstimos de US$ 53,6 bilhões. Destaque para o PMI oficial de agosto em alta para 50,4 pontos, o que pode calar aqueles que falavam em problemas para crescer dentro da meta de 6,5%.

No Japão, a taxa de desemprego de julho caiu para 3,0%, no menor patamar desde maio de 1995. A produção industrial de julho ficou estável, quando o esperado era +0,8% e membros do BOJ se mostram preocupados com a queda do consumo. O PMI da atividade industrial de agosto subiu para 49,5 pontos, mas ainda abaixo de 50,0 pontos, o que indica contração da atividade.

Na Alemanha, a inflação medida pelo CPI (Consumo) ficou estável, mas as vendas no varejo subiram forte 1,7% em julho, quando a previsão era +0,5%. O PMI caiu para 53,6 pontos em agosto, enquanto na zona do euro desceu para 51,7 pontos, ambos ainda mostrando expansão. Tivemos indicadores PMI para outros países, no geral desacelerando em relação ao mês anterior. O próprio BCE tem dito que pode fazer uso de medidas não convencionais com maior frequência.

Nos EUA, continuamos com indicadores mistos, mas os indicadores do mercado de trabalho seguem fortes. Porém, o mais importante foram os recados passados por presidentes regionais do FED deixando a porta aberta para aumentos de juros e recolocando no radar a reunião de setembro. O payroll anunciado no último dia da semana veio fraco em 151000 (previsão era 180000) vagas criadas e voltou a reduzir a expectativa de aumento dos juros em setembro e alavancou os mercados de risco em todo o mundo.

RESUMO
IBOV +3,29% (59616) DOW JONES +0,52% NASDAQ +0,61% DÓLAR -0,55% (R$ 3,250)

PERSPECTIVAS

Realmente viramos a página do processo político, mas isso não nos faz instantaneamente melhores e nem o país será inundado de recursos externos e investidores locais querendo aportar recursos.

A partir de agora, caberá avaliar a profundidade das medidas adotadas e sua velocidade de aprovação e implantação. Isso é que irá dar a credibilidade necessária para movimentação dos investidores.

Mas o que vai mover será mesmo a avaliação do governo e cumprimento de metas. Como já estamos no final de 2016, o foco passa a ser o ano de 2017 e expectativa com os indicadores macro.

Como ficará o teto de gastos e meta de déficit? Como se comportará a inflação e câmbio, daí derivando os juros básicos? Qual será a retomada efetiva da economia e quanto crescerá o PIB (dele deriva a preocupação com o déficit)? A meta de crescimento de 1,6% é atingível?

Se tudo for olhado pelo ângulo positivo, os mercados terão boa chance de evoluir. Afinal, a liquidez internacional continua elevada, mesmo considerando que até o final do ano, os EUA devem fazer pelo menos mais uma elevação gradual de juros. É claro que vamos ter que contar com performance positiva das principais economias e mercados por lá na mesma direção.

Depois disso, os investidores de mais longo curso irão avaliar o processo sucessório para as eleições majoritárias de 2018. Se Michel Temer for bem sucedido nesses dois anos e quatro meses de mandato, não haveria condição de guinada ao populismo exacerbado. Caso isso não aconteça, muito provavelmente surgirá algum “salvador da pátria” com muito apelo político.

Nessa vertente, parece lícito supor que a Bovespa tem condição de passar consistentemente o patamar de 59300 pontos e abrir objetivo seguinte em 62000/63000 pontos e, a partir daí, poder até buscar próximo de 66000 pontos. O câmbio pode buscar em momentos mais leve cotação ao redor de R$ 3,00, mas a zona de equilíbrio parece estar ao redor de R$ 3,20. Os juros, podem encolher na reunião de outubro e, seguinte, preparando o início de 2017.


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