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Por Claudia Violante
SÃO PAULO, 13 Jun (Reuters) – A atuação mais firme do Banco
Central no mercado cambial deve cumprir o prazo dado pelo
presidente da instituição, Ilan Goldfajn, e terminar nesta
sexta-feira, o que não quer dizer que a autoridade deixará o
mercado à deriva, afirmaram especialistas ouvidos pela Reuters.
"As atuações já limparam muito das posições de quem estava
muito mal dado. Acho que o BC vai manter a rolagem, mas tirar as
intervenções novas, deixando a questão da incerteza (na atuação)
para administrar a volatilidade", avaliou o estrategista da
corretora Coinvalores, Paulo Nepomuceno.
No final da semana passada, depois que o dólar se aproximou
do patamar de 4 reais, o BC decidiu intervir mais pesadamente no
mercado, anunciando oferta de 20 bilhões de dólares em novos
swaps cambiais o fim dessa semana. O montante, somado ao que já
vinha sendo injetado em novos contratos, poderá totalizar 24,5
bilhões de dólares.
Além disso, o BC passou a agir de forma discricionária, sem
anunciar previamente quando fará os leilões de novos swaps,
utilizando o fator surpresa para conter o ímpeto dos agentes e
conter a volatilidade.
Desde o início do mês até esta quarta-feira, a autoridade
monetária já colocou 18,116 bilhões de dólares em novos
contratos de swap cambial, equivalente à venda futura de
dólares. Além disso, seguia rolando os contratos que vencem
julho, que soma 8,762 bilhões de dólares.
"Os motivos para a alta do dólar continuam… O BC pode
apenas manter a rolagem ou manter a ação disricionária com
menores volumes. Ele não pode queimar cartucho, temos as
eleições pela frente", afirmou o operador da corretora H.Commcor
Cleber Alessie Machado, ao citar a corrida presidencial como um
dos motivos que ajudaram a içar a moeda norte-americana
recentemente.
As últimas pesquisas eleitorais não trouxeram um
pré-candidato que o mercado considere mais comprometido com
reformas despontando, o que azedou o humor dos investidores,
sobretudo após o impacto bilionário da greve dos caminhoneiros
sobre as contas públicas.
Só em maio, o dólar acumulou alta de 6,66 por cento sobre o
real e, no pico deste mês, chegou a ultrapassar o patamar de
3,90 reais, cerca de 0,20 centavos de real a mais do que o
fechamento do mês passado. Após a ação mais contundente do BC, a
partir do dia 8, o dólar já era negociado ao redor de 3,70 reais
novamente.
O cenário externo também pesou sobre a recente turbulência
nos mercados, com expectativas de ritmo mais forte de aumentos
de juros nos Estados Unidos neste ano.
O Federal Reserve, banco central norte-americano, deverá
promover nessa tarde a segunda elevação na taxa do país. O
mercado estava dividido entre três ou quatro altas de juros
neste ano ao todo, em meio a sinais de melhor desempenho
econômico que os Estados Unidos têm dado.
"Mesmo que o Fed sinalize uma quarta alta neste ano,
acredito que o dólar encontrou seu piso, ao redor de 3,70 reais,
com os riscos que estão aí", avaliou o economista-chefe do Banco
Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, para quem o BC pode não
dar continuidade a essa atuação mais firme no câmbio.

TESOURO
A avaliação de que o BC pode aliviar suas ações no mercado
cambial não é compartilhada quando se olha para o mercado de
juros futuros. Para os especialistas, o Tesouro terá de
continuar atuando de forma contundente para continuar dando
equilíbrio, sensível tanto ao cenário externo quanto interno.
"O Tesouro tem que continuar atuando. Seria pior sem ele, o
mercado estaria mais estressado, mais volátil", disse Gonçalves.
A autoridade tem feito diariamente leilões de compra e venda
de Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F), um papel
pré-fixado, e suspendeu, neste período, seus leilões
tradicionais.
No final da semana passada, o próprio Tesouro anunciou que
continuaria atuando nos mercados, por meio de leilões
extraordinários de compra e venda títulos públicos, até o final
deste mês para tentar buscar o equilíbrio das taxas de juros
novamente.
E que, para esta semana, estariam mantidas as ofertas
diárias de NTN-Fs e, a partir daí, seria avaliado se a
estratégia de leilões diários seria mantida ou não até o fim de
junho.
"Acho que a atuação do Tesouro tem que ser mantida até o
mercado se acalmar, precisa continuar dando saída a seus
parceiros, mas sem dar moleza", avaliou Nepomuceno, da
Coinvalores. "Estamos em épocas excepcionais, se você não der
saída, perde seu parceiro."

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(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644 7723; Reuters
Messaging: [email protected];))


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