Clicky

mm lci boxe 728

O Brasil ficou no radar dos investidores globais com as delações premiadas dos donos de um dos maiores grupos do mundo de proteína animal, a J&F Participações (holding do grupo JBS). Os pagamentos de propinas para campanhas políticas, confirmados em fotos, áudios gravíssimos envolvendo nomes de peso, entre outros benefícios, ainda estão mexendo com todos os pilares do País. A gravidade dos fatos geraram até agora oito pedidos de Impeachment contra o presidente da República Michel Temer.

Nesta sexta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou a íntegra da delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. A medida foi tomada depois que o ministro, Edson Fachin, homologou os depoimentos firmados com a Procuradoria-Geral da República (PGR). São cerca de 2 mil páginas. As oitivas foram gravadas em vídeo.

300×250 4 reais

Ontem (18), depois de retirar o sigilo dos depoimentos, o STF divulgou o áudio gravado por Joesley Batista em uma reunião com o presidente Michel Temer. Também foram citados os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Zezé Perrella (PMDB-MG), além da ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro Guido Mantega.

O ministro Fachin considerou legais as gravações feitas pelos empresários e enviadas à Procuradoria-Geral da República (PGR). O entendimento está na decisão de ontem, na qual o ministro autorizou a abertura de investigação sobre o presidente Michel Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Os três foram gravados em conversas com o empresário e citados nos depoimentos de delação premiada da empresa JBS.

Ao aceitar o pedido de abertura de investigação, Fachin disse que a jurisprudência do STF valida gravações feitas por um investigado para captar conversas com terceiros. Na decisão, o ministro não fez juízo sobre as acusações.

“Desse modo, não há ilegalidade na consideração das quatro gravações em áudio efetuadas pelo possível colaborador Joesley Mendonça Batista, as quais foram ratificadas e elucidadas em depoimento prestado perante o Ministério Público (em vídeo e por escrito), quando o referido interessado se fez, inclusive, acompanhado pelo defensor”, argumentou o ministro.

Nos vídeos mostrados hoje, o dono do grupo JBS disse que fez depósitos em contas no exterior no valor de US$ 70 milhões para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de US$ 80 milhões para a ex-presidente Dilma Rousseff. O valor total dos depósitos teria atingido US$ 150 milhões em 2014.

O diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F, Ricardo Saud, disse que o presidente Temer recebeu R$ 15 milhões em vantagens indevidas para a campanha à vice-presidência em 2014 e para atuar em favor do grupo empresarial. Segundo o delator, o valor foi repassado pelo PT.

Diante dessa prévia, os brasileiros estão estarrecidos.

No pronunciamento de ontem, o presidente Temer foi muito claro ao afirmar que não vai renunciar, porém, ruídos dão conta de que muitas conversas estão acontecendo em Brasília. Os próximos três dias serão decisivos para o destino do País e sua Democracia.

Por outro lado, diante do furacão que assolou o Brasil o mercado apresentou recuperação hoje, embora a cautela tenha ficado como pano de fundo para as operações da bolsa, de dólar e juros futuros.

Enquanto isso, em dia de agenda fraca, no cenário externo a Ásia fechou em alta, bem como a Europa e os Estados Unidos. Wall Street recuperou as perdas com o presidente Donald Trump em viagem internacional.

ÁSIA

As bolsas da Ásia ficaram com ganhos nesta sexta-feira, com os mercados dando sinais de calmaria, depois de declínios por quase oito semanas e sem indicadores de peso.

Ao final da jornada, o índice Asia Dow ficou em alta de 0,25%. O Xangai ficou em alta de 0,02% aos 3.090. O Hang Seng, Hong Kong, ficou em alta de 0,15% aos 25.174. Na Índia, o índice Sensex, bolsa de Bombai, ficou em alta de 0,10% aos 30.464. O Nikkei 225, bolsa do Japão, ficou em alta de 0,19% aos 19.590 pontos. O índice Kospi, Coreia do Sul, ficou em alta de 0,07% aos 2.288 pontos. O índice FTSE ST, Singapura, ficou em queda de 0,15% aos 3.216.

Entre as empresas, a Singapore Airlines Ltd caiu para os piores patamares desde agosto de 2011, depois de registrar uma perda líquida surpreendente no quarto trimestre.
Na outra ponta, a Alibaba Health Information Technology Ltd. saltou 14% com os planos para comprar um negócio de produtos nutricionais.
EUROPA
As bolsas europeias fecharam com ganhos nesta sexta-feira, com os investidores avaliando a extensão dos declínios que puxaram as ações para as mínimas em duas semanas.

Ao final da jornada, o índice Stoxx Europe 600 ficou em alta de 0,60% aos 391,51, em Londres e fechando a semana em queda de 1%; o FTSE-MIB (Milão) ficou em alta de 1,26% aos 21.567; o Ibex 35 (Madri) ficou em alta de 1,41% aos 10.835; o DAX 30 (Frankfurt) subiu 0,39% aos 12.638; o FTSE-100 (Londres) subiu 0,46% aos 7.470; o CAC 40 ganhou 0,66% aos 5.324 pontos; e o PSI-20 (Lisboa) ficou em alta de 2,03% aos 5.176.

O euro reforçou 0,7% para US$ 1,1182, elevando seu ganho esta semana para 2,2%, o máximo em cinco dias. A libra britânica ficou 0,5%, a mais alta em US$ 1,3002.

O temor dos investidores nas últimas semanas era com o cenário político nos Estados Unidos na “suposta” relação entre o presidente Donald Trump com a Rússia.

As ações voltaram para o terreno positivo, depois de nomeado o ex-diretor do FBI, Robert Mueller, como Conselheiro Especial para investigar os esforços russos para influenciar as eleições americanas de 2016, bem como possíveis conluios dos assessores de Trump.

Entre as empresas, a Dufry AG subiu 4,9%, o depois que um pedido de regulamentação mostrou que a Richemont adquiriu uma participação de 5% na varejista de viagens.

Os indicadores da Alemanha, em dia de agenda fraca, ficaram no radar dos investidores de Frankfurt.

ESTADOS UNIDOS

A bolsa de Nova York fechou em alta nesta sexta-feira, com a recuperação das últimas sessões tumultuadas por conta do cenário político norte-americano refletindo no humor dos investidores O presidente Donald Trump está na primeira viagem internacional.

Ao final, o S&P ficou em alta de 0,68% aos 2.381; o Dow Jones ficou em alta de 0,69% aos 20.804; e o Nasdaq ficou em alta de 0,47% aos 6.083.

Hoje, o setor de energia puxou o S&P e liderou em alta de 1%. Os dois índices, S&P e Dow Jones, fecharam a semana em queda de 0,4% na semana. O Nasdaq fechou a semana em 0,6%.

Os investidores, segundo analistas internacionais, estão atentos para a política fiscal e as medidas regulatórias do presidente Trump que ainda estão engavetadas.

A melhora nas negociações de hoje também foram puxadas pela queda na solicitação de seguro-desemprego divulgada pelo Departamento do Trabalho nesta quinta-feira.

Além disso, a crise no Brasil adicionou outra camada de preocupação nos investidores. O pronunciamento do presidente Michel Temer na tarde desta quinta-feira, desafiando os apelos para que ele renunciasse, afirmando que o Supremo Tribunal Federal (STF) irá desmentir alegações dos executivos da JBS também ficaram no radar de Wall Street.

De outro lado, as questões geopolíticas permaneceram no centro das atenções, em meio a relatos de que a Marinha dos Estados Unidos está movendo o segundo porta-aviões para a Península coreana e que jatos chineses interceptaram um avião da Força Aérea dos Estados Unidos.

A primeira viagem de Donald Trump como presidente é Riad, no sábado, a convite do rei saudita, Salman bin Abdulaziz. Depois da Arábia Saudita, Trump visita Tel Aviv e Roma antes de se dirigir para a reunião de cúpula da OTAN em Bruxelas e ao encontro do G-7 na Sicília.

BRASIL

A bolsa de valores de São Paulo fechou a semana em queda de 8,18%, com o resultado puxado pela desvalorização do índice nesta quinta-feira (18).

Já nas negociações de hoje, os investidores mantiveram a cautela, mas partiram para o risco e o índice voltou para fechar em alta de 1,69% aos 62.639 pontos. O volume financeiro ficou em R$13,549 bilhões.

“A recuperação foi fundamentada na economia diante do cenário de ontem. Lá fora, as ADRs reagiram também com a delação e com o pronunciamento de Temer. A leitura que o mercado fez foi a de que ele sabendo das declarações do empresário, inclusive citando nomes, permaneceu calado. Ele pecou pela omissão. Agora resta ver o restante das delações e a reação popular. As reformas já estão paralisadas e se espera que isso se resolva”, considerou o gerente de B3 da HCommcor, Ari Santos.

Os mercados ficaram mais calmos, mas os investidores seguiram digerindo o teor das gravações envolvendo o presidente Michel Temer e o empresário do Grupo J&F, Joesley Batista.

As ações com ganhos
Gerdau Met. PN, alta de 12,18%; Estacio Part. ON, alta de 8,94%; SMILES ON, alta de 8,60%; Ecorodovias ON, alta de 7,38%; e Siderúrgica Nacional ON, alta de 7,14%.

As ações com perdas
TIM Participações ON, queda de 3,00%; Embraer ON, queda de 1,62%; BRF ON, queda de 1,20%; Braskem PNA, queda de 1,07%; e AMBEV ON, queda de 0,96%.

A Vale ON ficou em alta de 1,45% e a PN, alta de 0,63%.
A Petrobras ON ficou em alta de 0,98% e a PN, alta de 3,57%.

Carteira Teórica

A Carteira Teórica, que passou a vigorar de 02 de maio a 01 de setembro no Ibovespa, mostra os cinco ativos com maior peso no índice: Itauunibanco PN (11,453%), Bradesco PN (8,244%), Ambev S/A ON (7,299%), Petrobras PN (5,331%) e Vale PNA (4,727%).

Moedas

O dólar comercial fechou a semana em alta de 4,26%, com o avanço forte nas duas últimas sessões. Já nesta sexta-feira, a divisa recuou com a atuação do Banco Central do Brasil (BCB) em leilões de swap entre ontem e hoje.

Nesta sexta-feira, na intervenção, o BCB ofertou 40 mil contratos de swap cambial tradicional resultando em US$2 bilhões. O leilão anunciado nesta quinta-feira (18) com o de hoje somam US$6 bilhões injetados no mercado. Na operação foram ofertados 14.500 contratos para agosto, 9.300 para outubro e 16.200 para 2018.

Conforme o comunicado do BCB, além de hoje, serão realizados leilões nos dias 22 e 23 de swap cambial tradicional. “A quantidade ofertada em cada leilão será de 40 mil contratos e as condições gerais serão objeto de comunicado que precederá cada evento.”

A autoridade monetária também afirmou que permanece atenta às condições de mercado e, sempre que julgar necessário, poderá realizar operações adicionais de swap.

No interbancário, a moeda ficou cotada a R$3,253 para a compra e R$3,257 para a venda, queda de 3,893%.

“A reação do mercado cambial ficou por conta da atuação do Banco Central, ontem em especial, considerando que a moeda perdeu força lá fora também. O que se viu ontem foi um exagero. O que se espera agora é uma decisão sobre a continuidade das votações no Congresso e seguir lidando com o estresse político. Na mesma linha de instabilidade ficaram os DIs, já que estamos próximos da reunião do Copom [dia 31] e que se pensava num corte mais forte na Selic, mas isso já não é mais certo”, considerou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

O euro comercial estava em R$3,642 para a compra e R$3,644 para a venda, queda de 2,52%.

O dólar Ptax está em R$3,287 para a compra e R$3,287 para a venda, queda de 2,75%.

O dólar Turismo está em R$3,210 para a compra e R$3,900 para a venda, queda de 3,42%.

O euro x dólar – Bacen estava em R$1,118 para a compra e R$1,119 para a venda, alta
de 0,54%.

O euro Turismo estava em R$3,580 para a compra e R$3,810 para a venda, queda de 3,30%.

A libra estava em R$4,236 para a compra e R$4,237 para a venda, queda de 2,88%.

Em Frankfurt, o euro subiu nesta sexta-feira nas negociações e alcançou seu valor mais alto desde novembro em função da desvalorização do dólar em meio à turbulência política no governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Às 15h GMT (12h de Brasília), a moeda europeia estava cotada a US$ 1,1196, valor superior ao de ontem no mesmo horário, que foi de US$ 1,1122.

Por sua vez, o Banco Central Europeu (BCE) fixou hoje o câmbio oficial do euro em US$ 1,1179.

Commodities

O contrato futuro para entrega em junho do petróleo tipo WTI é negociado a US$ 50,46 o barril, com alta de 2,25%.

O minério de ferro negociado no porto de Gingdao, China, fechou em alta de 1,77% a US$62,69 a tonelada seca e com 62% de pureza.

Com apoio da EBC.


Assuntos desta notícia