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(Texto atualizado com mais informações e declarações)
Por Rodrigo Viga Gaier e Eduardo Simões
RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 12 Abr (Reuters) – A Polícia
Federal deflagrou nesta quinta-feira operação para investigar
irregularidades nos fundos de pensão dos Correios, o Postalis, e
do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o
Serpros, que teria incluído o pagamento de 20 milhões de reais
em propinas a lobistas e pessoas ligadas aos fundos, informaram
a PF, o Ministério Público Federal e a Receita Federal nesta
quinta-feira.
Dez pessoas foram alvos de mandados de prisão –seis foram
presas e quatro já haviam sido localizadas até o início da
tarde, de acordo com a PF– e 140 policiais federais também
cumpriram 21 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em
São Paulo e no Distrito Federal. São investigados os crimes de
lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
De acordo com o MPF, doleiros ligados ao ex-governador do
Rio de Janeiro Sergio Cabral, que está preso, lavaram dinheiro
para o empresário Arthur Pinheiro Machado, presidente do
Americas Trading Group (ATG), empresa que atua diretamente no
mercado financeiro. Segundo os promotores, o empresário está
envolvido em fraudes nos dois fundos de pensão.
Machado foi um dos presos na operação desta quinta-feira.
Também foram alvos Marcelo Sereno, que foi assessor de José
Dirceu quando ele foi chefe da Casa Civil no governo do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Milton Lyra, apontado
em outras investigações como suposto operador do MDB.
Machado, de acordo com os investigadores, teria pago propina
a lobistas responsáveis por indicações de pessoas em fundos de
pensão e a funcionários desses fundos.
“É uma organização criminosa que se instaurou dentro do
Postalis e do Serpros, que estava ligada a empresas e corretoras
que criavam fundos… as investigações começaram há alguns anos,
mas agora a gente não visa detectar o desvio de recursos, mas a
lavagem de dinheiro, a evasão de divisas e recebimento desses
valores", disse o delegado da PF Alessandro Bessa.
“Foram identificados doleiros e por meio desses doleiros,
por meio de quebra de sigilo, bem como uma colaboração premiada,
chegamos ao pagamento de vantagens indevidas e remessas de
recursos ao exterior”, acrescentou.
De acordo com o MPF, Machado criou um fundo de investimentos
em 2010 que, inicialmente, teve como principais investidores as
empresas de responsabilidade dele e o Postalis, que ingressou
com 119 milhões de reais. Três anos depois, o Serpros passou a
aplicar no fundo, com os aportes chegando a 72 milhões de reais
até 2015.
As investigações apontaram que foram distribuídos pelo menos
20 milhões de reais em vantagens indevidas a lobistas e
funcionários dos fundos de pensão. Lyra e Sereno estão entre os
destinatários desses recursos, disseram os investigadores.
“Os fundos de pensão tem recursos altos para serem
investidos e uma parte é usada em produtos com risco baixo e
outros em investimentos para desenvolver a economia
brasileira… Mas o que ocorreu no Brasil é que partidos
políticos indicaram para fundos de pensão pessoas que escolhiam
empresas para fazer aportes volumosos e depois havia cobrança de
um kick back (contrapartida)”, disse o procurador Eduardo El
Hage, coordenador da Lava Jato no Rio de Janeiro.
A operação foi batizada de Rizoma, uma espécie de caule que
se ramifica sob a terra. De acordo com a PF, trata-se de uma
referência ao processo de lavagem de dinheiro e ao
entrelaçamento existente entre as empresas investigadas.

SOFISTICADO ESQUEMA
De acordo com a PF e o Ministério Público, Machado aplicou
um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento
de propina aos responsáveis pelos fundos de pensão e, para isso,
usou doleiros ligados a Cabral.
“As investigações começaram em outubro de 2017 e começou com
colaboração premiada que veio espontaneamente e esclareceu que a
rede de doleiros de Cabral foi usada para outros crimes", disse
Hage.
"Esse colaborador era ligado a Arthur Pinheiro Machado, que
queria criar uma nova bolsa de valores… os fundos de pensão
aportavam recursos nos fundos dele e Arthur pagava propina aos
fundos de pensão”, explicou.
Em nota, a defesa de Machado e de Patricia Iriarte, também
alvo da operação e que é ligada à ATG, disse refutar "de forma
veemente, qualquer relação entre os empresários e atos
ilícitos".
"Informa que ambos sempre agiram no mais absoluto respeito à
legislação e que não compactuam com práticas ilegais",
acrescentou a nota.
Os advogados Pierpaolo Bottini e Alexandre Jobim, que
representam Lyra, afirmaram que o empresário "já havia se
colocado à disposição da Justiça do Distrito Federal, que apura
o caso, para esclarecimento dos fatos".
"(A defesa) afirma também que as atividades profissionais do
empresário são lícitas, o que já foi comprovado em diversas
oportunidades, e que seu cliente continua à disposição para
colaborar com a Justiça e com a investigação."
A defesa de Sereno não foi imediatamente encontrada para
comentar.
Também nesta quinta-feira, a PF deflagrou outra operação,
batizada de Encilhamento, para investigar fraudes na aplicação
de recursos de 28 institutos municipais de previdência. Neste
caso, estavam sendo cumpridos 60 mandados de busca e apreensão e
20 de prisão temporária nos Estados de São Paulo, Rio de
Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e
Goiás.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Edição de Maria Pia Palermo e Tatiana Ramil)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))


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