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(Texto atualizado com mais declarações e outras informações)
Por Eduardo Simões e Pedro Fonseca
SÃO PAULO/NITERÓI, 8 Mai (Reuters) – O ex-presidente do
Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa afirmou nesta
terça-feira que não pretende ser candidato a presidente da
República, numa decisão que muda o cenário para a eleição
presidencial deste ano e que tem potencial para beneficiar o
campo centrista.
O anúncio de Barbosa, que disse em sua conta no Twitter
tratar-se de uma "decisão estritamente pessoal", também lança
uma incógnita sobre o destino do PSB na disputa. A sigla –que
tem uma ala próxima a Alckmin, mas que também chegou a manter
conversas com o PDT, do presidenciável Ciro Gomes– disse que
buscará construir alternativas ao país.
"Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão,
finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a
presidente da República. Decisão estritamente pessoal", afirmou
Barbosa em sua conta no Twitter.
O ex-ministro se filiou ao PSB no fim do prazo necessário
para garantir a participação na eleição de outubro se assim
desejasse, mas vinha dizendo que ainda não havia decidido se
seria ou não candidato.
Em nota, o partido disse que a definição de Barbosa "ocorre
nos termos da pactuação realizada em sua filiação", quando nem o
partido lhe assegurou legenda para a disputa e nem o ex-ministro
prometeu que se candidataria.
"O PSB segue doravante, com serenidade, na tentativa de
contribuir para a construção de alternativas para o país, que
contemplem os amplos clamores populares, pela renovação da
prática política, algo que a possibilidade da candidatura do
ministro Joaquim Barbosa tão bem representou", afirma a nota do
PSB.
Em pesquisa Datafolha realizada no mês passado, Barbosa
chegava a ter 10 por cento das intenções de voto em seu melhor
cenário. Tanto analistas como políticos viam grande potencial na
sua candidatura.
Uma das dificuldades postas à candidatura de Barbosa eram as
questões locais do PSB. Em São Paulo, por exemplo, o governador
Márcio França era vice e assumiu o cargo em abril após a
renúncia do tucano Geraldo Alckmin para disputar a Presidência.
França chegou a defender publicamente a candidatura presidencial
de Alckmin.
Em nota após a decisão de Barbosa, França disse que o
ex-presidente do STF não foi o primeiro e nem será o último
"outsider" a desistir da disputa presidencial deste ano.
"A política hoje exige experiência e enorme capacidade de
suportar críticas e injustiças. O ministro Joaquim Barbosa é um
dos homens mais capazes que já conheci e que certamente vai
continuar contribuindo para o país, mesmo não sendo candidato",
disse o governador.
Em Pernambuco, terra de lideranças históricas do PSB, como
Miguel Arraes e Eduardo Campos, que era candidato à Presidência
em 2014 até morrer em um acidente aéreo em agosto daquele ano, o
receio era que a candidatura de Barbosa dificultasse uma
composição local com o PT. Procurada, a direção estadual do PSB
no Estado afirmou reiterar a nota da direção nacional da
legenda.
Uma fonte do PSB que pediu para não ter seu nome revelado,
disse à Reuters que a decisão de Barbosa não pode ser
considerada uma surpresa. "Não dá pra dizer que a decisão dele
está fora do previsto, das hipóteses estabelecidas, desde o
início", disse a fonte.

REAÇÕES E BENEFICIÁRIOS
Para o analista da Tendências Consultoria Rafael Cortez, a
decisão de Barbosa mostra o alto custo de entrada em uma disputa
presidencial, especialmente em um partido como o PSB que não tem
a mesma capilaridade de legendas maiores e no qual uma
candidatura nacional pode afetar arranjos locais.
"É uma decisão que em boa medida beneficia sobretudo o
Geraldo Alckmin, que é a centro-direita tradicional que vinha
enfrentando concorrência relevante para mobilizar o anti-petismo
e o eleitorado descontente com o governo", disse Cortez, que
aponta que a pré-candidata da Rede, Marina Silva, também pode se
beneficiar da decisão.
Na avaliação do sócio da Distrito Relações Governamentais
Danilo Gennari, a decisão de Barbosa reforça a expectativa de
redução no número de candidatos.
"Acho que limpa um pouco o terreno e começa a deixar as
coisas mais claras. E coloca o PSB agora numa posição de começar
a negociar apoio", disse o analista.
Uma liderança emedebista, que pediu para não ser
identificada, avaliou que a desistência abre um pouco de espaço
para os candidatos do chamado centro político, mas admitiu que a
tendência é de o PSB se coligar com algum partido de esquerda,
como o PDT do pré-candidato Ciro Gomes.
Em Niterói, onde participou de evento da Frente Nacional de
Prefeitos (FNP), Ciro disse que o anúncio de que Barbosa não
participará do jogo eleitoral não devia ser comemorado. Ele
disse que a presença do ex-ministro era boa para o debate e
teceu elogios ao PSB.
"O PSB acho que deve –independentemente de ter candidato ou
não– ser reconhecido como partido que tem grande tradição na
luta do povo brasileiro", disse Ciro.
Candidata à Presidência pelo PSB em 2014 após a morte de
Campos, Marina disse respeitar a decisão de Barbosa e voltou a
afirmar que tem canal de diálogo com as siglas que a apoiaram há
quatro anos, caso do PSB.
"Mas obviamente que com o necessário respeito à dinâmica
interna do PSB que agora, enfim, irá fazer suas novas
avaliações", disse Marina ao participar do mesmo evento.
Alckmin, por sua vez, usou sua conta no Twitter para afirmar
que lamenta a decisão do ex-presidente do STF. Mais tarde, em
evento na Associação Comercial do Rio de Janeiro, disse que já
gostaria de estar caminhando ao lado do PSB.
“Se dependesse de mim, nós já estávamos juntos do PSB, mas
temos que respeitar o outro partido que tem uma lógica própria”,
disse Alckmin.
O presidente da Câmara e presidenciável do DEM, Rodrigo
Maia, disse que a decisão de Barbosa "deixa o jogo cada vez mais
aberto" e garantiu que leva sua candidatura "até o fim".
Também fez a avaliação de que seria bom Barbosa participar
do debate e que é difícil saber quem herdará a intenção de votos
do ex-ministro. "Eu acho que pode pulverizar. Ele ainda não
tinha se posicionado do ponto de vista ideológico, era mais uma
representação de algo, vamos dizer, de fora da política", disse
Maia.
Pré-candidato do Podemos ao Planalto, o senador Alvaro Dias,
disse admirar Barbosa e avaliou que sua ausência empobrece o
debate eleitoral.
"Mas certamente a ausência dele deixa o espaço aberto no
campo da ética… Espero sim herdar votos do Joaquim Barbosa",
disse Dias também em Niterói.
Outro que apontou a si próprio como beneficiário da
desistência de Barbosa foi o pré-candidato do PRB, o empresário
Flávio Rocha, que disse ainda prestar "homenagens" ao
ex-presidente do Supremo.
"Com relação ao efeito sobre a nossa candidatura, eu acho
que nossa candidatura, neste momento de crescimento, é um
desaguadouro natural desse eleitorado por esse anseio por
renovação, por ficha limpa."
O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que tenta
viabilizar sua candidatura pelo MDB, viu na saída de Barbosa uma
oportunidade de crescimento.
"Acho que esses eleitores (que votariam em Barbosa) estarão
dispostos a votar em quem tem um passado, uma história de
probidade, uma história de integridade pessoal, além de
competência e seriedade", disse Meirelles em Niterói.

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(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro;
Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito, em Brasília
Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 5511 56447702; Reuters
Messenger: [email protected]))


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