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(Texto atualizado com nota da Presidência informando sobre
reforma)
Por Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 13 Nov (Reuters) – Em um movimento que antecipou a
reforma ministerial do governo, o ministro das Cidades, Bruno
Araújo, pediu demissão nesta segunda-feira, pouco depois de
fazer sua última cerimônia à frente do cargo, o lançamento do
Cartão Reforma, na primeira baixa tucana na equipe do presidente
Michel Temer.
Poucas horas depois, o Palácio do Planalto confirmou que
Temer vai aproveitar o pedido de demissão para iniciar a
reforma, que deverá estar concluída, segundo nota, até meados de
dezembro.
"O presidente Michel Temer recebeu na tarde de hoje o pedido
de exoneração do ministro das Cidades, Bruno Araújo, a quem
agradece pelos bons serviços prestados. O presidente dará início
agora a uma reforma ministerial que estará concluída até meados
de dezembro", afirma uma nota curta da Secretária de Comunicação
da Presidência.
Bruno Araújo alegou falta de apoio de seu partido, que vem
ameaçando deixar o governo, para continuar no ministério.
"Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a
minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que
permita seguir nessa tarefa", admitiu ele, na carta.
Ao sair a primeira denúncia contra Temer, em maio deste ano,
o deputado chegou a pedir demissão, no dia mais crítico do
governo Temer. No entanto, foi convencido a ficar e aguardar a
decisão do partido.
O PSDB tem ainda outras três pastas: Direitos Humanos, com
Luislinda Valois; Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo, e
Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores.
A saída de Araújo precipitou um rearranjo na Esplanada dos
Ministérios com o aumento de espaço de partidos do centrão, que,
ao contrário dos tucanos, votaram praticamente coesos na
rejeição das duas denúncias criminais contra Temer.
O presidente resistia a fazer uma reforma agora, mas foi
avisado por aliados que somente assim poderia ter chances de
aprovar uma reforma da Previdência "enxuta".
Os aliados esperavam que as mudanças na Esplanada fossem
realizadas nas próximas duas semanas, a tempo hábil de se tentar
votar a nova versão da reforma no plenário da Câmara ainda este
ano.

DISPUTA DE ESPAÇO
Nos bastidores, com a saída de Araújo, o PP é um dos
partidos que pressiona o governo para ter o controle do
Ministério das Cidades. O líder do partido na Câmara, Arthur
Lira (AL), negou que a legenda esteja reclamando maior espaço na
Esplanada.
Lira afirmou que a decisão de Bruno Araújo de pedir demissão
pode "ajustar" o tamanho adequado das legendas da base aliada a
fim de garantir um apoio "firme" para retomar a votação da
agenda de reformas.
"Não é só a posição do Bruno, é uma rearrumação. Imagino que
temos partidos que estão subrepresentados e outros
superrepresentados e ministros que não representam voto nenhum
no Congresso", disse Lira.
A expectativa é que, se o governo for contemplar o PP nas
Cidades, o ocupante do partido não seja um parlamentar que vá
disputar as eleições no próximo ano. Isso porque, se entrar
agora, terá de deixar o Ministério em abril, prazo para que os
candidatos a cargos eletivos têm para se desincompatibilizar.
Dessa forma, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro
(PB), ex-ministro das Cidades, não deverá voltar à Esplanada por
ser candidato à reeleição.
Nesse cenário, o presidente da Caixa Econômica Federal,
Gilberto Occhi, que já foi titular da pasta, é um dos nomes
cotados para assumir o ministério mais uma vez. Occhi é acusado
pelo empresário Lúcio Funaro, em delação premiada, de ter,
quando ocupou anteriormente cargo na Caixa, uma meta para
distribuir propinas a membros do PP. Ele já negou em nota ter
cometido qualquer irregularidade.
Um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Mansur
(PRB-SP), disse que o PP já tem um bom espaço na Esplanada e
reconheceu que o governo não tem como atender a todo mundo. Ele
defendeu que se resolva a questão dos espaços da base
"rapidamente".
"Não pode demorar. Não estou nem contando voto (para a
reforma da Previdência) sem resolver isso. Precisa resolver essa
questão política", disse Mansur.

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(Edição de Alexandre Caverni e Eduardo Simões)
(([email protected]; +55.61.34267000;
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