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(Texto atualizado com mais informações)
Por MacDonald Dzirutwe
HARARE, 21 Nov (Reuters) – Robert Mugabe renunciou à
Presidência do Zimbábue nesta terça-feira, uma semana depois de
o Exército e seus antigos aliados políticos se voltarem contra
ele, encerrando quatro décadas de um governo comandado por um
homem que foi de herói da independência a arquétipo da
truculência.
O líder de 93 anos se apegou ao cargo durante uma semana
após um golpe do Exército e a expulsão de seu próprio partido, a
União Nacional Africana do Zimbábue (Zanu-PF), mas renunciou
pouco depois de o Parlamento iniciar um processo de impeachment
visto como a única via legal para forçá-lo a sair.
Grandes comemorações irromperam durante uma reunião conjunta
do Parlamento quando o presidente da Casa, Jacob Mudenda,
anunciou a renúncia de Mugabe e suspendeu os procedimentos de
impeachment.
Pessoas dançavam e carros tocavam buzinas nas ruas de Harare
após a notícia de que a era Mugabe – que comandou o Zimbábue
desde a independência em 1980 – finalmente terminou.
Algumas pessoas exibiam pôsteres do chefe do Exército,
general Constantino Chiwenga, e do ex-vice-presidente Emmerson
Mnangagwa, cuja demissão neste mês desencadeou o levante militar
que afastou Mugabe.
"Estou muito feliz com o que aconteceu", disse Maria Sabawu,
apoiadora do partido opositor Movimento pela Mudança Democrática
(MDC), diante do hotel onde o processo de impeachment
transcorria.
"Sofri muito nas mãos do governo de Mugabe", afirmou,
mostrando a ausência de um dedo da mão que conta ter perdido na
violência que se seguiu a um segundo turno presidencial entre
Mugabe e o líder opositor Morgan Tsvangirai em 2008.
Mugabe é o único líder que o Zimbábue conheceu desde que uma
guerrilha acabou com o comando da minoria branca da antiga
Rodésia.
Durante seu governo ele levou o país antes rico à ruína
econômica e se aferrou ao poder reprimindo seus oponentes,
embora se gabasse de ser o Grande Ancião da política africana e
conservasse a admiração de muitas pessoas do continente.
Apesar das grandes demonstrações de alegria nas ruas, a
queda de Mugabe foi tanto um resultado de disputas internas na
elite política quanto de uma revolta popular, embora milhares de
pessoas o tenham defendido nos dias que se seguiram à
intervenção militar da semana passada.
O Exército assumiu o poder depois que Mugabe demitiu
Emmerson Mnangagwa, favorito do Zanu-PF para sucedê-lo, para
abrir caminho à sua esposa, Grace, para a Presidência. A
primeira-dama de 52 anos era chamada por seus críticos de "Gucci
Grace" devido a seu suposto apego por itens de luxo.
A recusa de Mugabe em renunciar desencadeou o impeachment.
Sua carta de renúncia, lida por Mudenda, não indicou nenhum
favorito à sucessão. Mudenda disse estar tratando de questões
legais para que um novo líder assuma até o final de
quarta-feira.
Mnangagwa, o vice cujo paradeiro é desconhecido desde que
ele fugiu do país por motivos de segurança, vai prestar
juramento como presidente na quarta ou quinta-feira, de acordo
com o partido Zanu-PF.
Ex-chefe de segurança conhecido como O Crocodilo, ele foi um
assessor crucial de Mugabe durante décadas e é acusado de
participar da repressão de zimbabuanos que desafiavam o líder.
Em setembro a Reuters noticiou que Mnangagwa estava tramando
para suceder Mugabe com apoio do Exército à frente de uma ampla
coalizão.
O complô almejava um governo de união nacional interino que
teria a bênção da maioria da comunidade internacional e
permitiria o reatamento do Zimbábue com o mundo exterior, mas
seu objetivo primordial seria estabilizar a economia.
A Anistia Internacional disse que o Zimbábue deve abandonar
os abusos do passado e acolher o Estado de Direito.
Durante três décadas de repressão violenta, dezenas de
milhares de pessoas foram torturadas, assassinadas ou
desapareceram à força, traços de uma cultura de impunidade que
permitiu que "crimes grotescos florescessem", disse o grupo de
direitos humanos.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS TR


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