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(Texto atualizado com mais informações)
RIO DE JANEIRO, 13 Mar (Reuters) – A nova fase da operação
Lava Jato no Rio de Janeiro, que prendeu nesta terça-feira um
ex-secretário de Administração Penitenciária do Estado e um
delegado da Polícia Civil por desvios de recursos no sistema
prisional, descobriu pela primeira vez operações envolvendo
bitcoin para lavagem de dinheiro, informou a Receita Federal.
As autoridades identificaram pagamentos que totalizam 300
mil reais por meio de transações com bitcoin no exterior, o que
poderia ser um "teste" em busca de novas formas de burlar as
fiscalizações, de acordo com o superintendente-adjunto da 7ª
Região Fiscal da Receita, Luiz Henrique Casemiro.
"Nos chamou a atenção na Receita Federal, com relação a essa
operação específica, porque pela primeira vez aparecem operações
envolvendo bitcoin. Isso é uma novidade, mostra que as pessoas
estão tentando sofisticar de alguma forma, talvez voar abaixo do
radar da Receita Federal e do Banco Central", disse Casemiro em
entrevista sobre a nova fase da operação.
"A ideia eu tenho a impressão que é tentar receber dinheiro
no exterior usando esse instrumento, que não é regulado na maior
parte dos países. Então é algo que nos chama a atenção, é
bastante interessante", acrescentou.
De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de
Janeiro (MPRJ), houve um prejuízo de ao menos 44,7 milhões de
reais aos cofres públicos do Estado devido ao esquema de
corrupção na compra de alimentos para o regime prisional
revelado pelas autoridades nesta terça-feira.
A operação, nova fase da Lava Jato no RJ, é mais uma ação da
PF contra o amplo esquema de corrupção liderado pelo
ex-governador Sérgio Cabral na administração do Estado. Cabral,
que está preso desde o fim de 2016, já foi condenado em
diferentes ações por ter liderado o desvio de recursos públicos
em diversas áreas de seu governo.
Foram expedidos mandados de prisão contra 16 suspeitos na
chamada Operação Pão Nosso. Inicialmente as autoridades
informaram que eram 24 mandados de prisão, mas há mandados
duplicados para diversos suspeitos, o que reduz para 16 o número
de pessoas a serem presas no âmbito da ação.
Entre os detidos estão o ex-secretário estadual de
Administração Penitenciária César Rubens Monteiro de Carvalho e
o delegado Marcelo Martins, atual diretor de Polícia
Especializada da Polícia Civil. Não foi possível contactar
representantes de Carvalho e de Martins de imediato.
"De acordo com as investigações, funcionários públicos da
Secretaria de Administração Penitenciária associaram-se aos
gestores da Iniciativa Primus –uma Organização da Sociedade
Civil de Interesse Público (OSCIP)– e a outros agentes da
iniciativa privada para a prática de atos fraudulentos e
lesivos, que resultaram em um prejuízo de aproximadamente 44,7
milhões de reais aos cofres do Estado do Rio de Janeiro", disse
em comunicado o Ministério Público do Rio de Janeiro, que
participa da investigação ao lado da PF e do Ministério Público
Federal.
As investigações também apontaram que o patrimônio de César
Rubens de Carvalho aumentou ao menos dez vezes enquanto ele
esteve à frente da secretaria, de acordo com o Ministério
Público.

(Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier
Edição de Tatiana Ramil)
(([email protected]; 55 21 2223-7128; Reuters
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