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(Texto atualizado com comentário da ex-presidente)
BUENOS AIRES, 7 Dez (Reuters) – Um juiz federal argentino
indiciou e pediu a prisão da ex-presidente da Argentina Cristina
Kirchner nesta quinta-feira, por tentar ocultar o possível papel
do Irã na explosão de um centro comunitário judaico, que deixou
85 mortos em 1994, segundo despacho judicial.
Como Cristina é senadora, o Congresso precisa aprovar a
remoção de sua imunidade parlamentar antes que ela possa ser
detida. O juiz federal Claudio Bonadio também indiciou e pediu
que o ex-ministro de Relações Exteriores de Cristina Hector
Timerman cumpra prisão domiciliar.
Cristina Kirchner convocou uma entrevista coletiva no
Congresso para negar a irregularidade e acusar Bonadio e o
presidente Mauricio Macri de degradar o poder judiciário.
"É um caso inventado sobre fatos que não existiram", disse
ela, vestida de branco.
O advogado de Timerman não pôde ser imediatamente contatado
para comentar.
Embora a remoção da imunidade de autoridades do Congresso
seja rara na Argentina, o Congresso o fez no dia 25 de outubro
para o ex-ministro de Planejamento de Cristina Julio De Vido e
ele foi preso no mesmo dia. De Vido é acusado de fraude e
corrupção, o que ele nega.
Mais cedo nesta quinta-feira, outros dois aliados de
Cristina foram presos com base na mesma decisão de Bonadio:
Carlos Zannini, um assessor jurídico, e Luis D'Elia, o líder de
um grupo de manifestantes aliado a seu governo.
Há um ano, um tribunal de recursos ordenou a reabertura de
uma investigação sobre a possibilidade de uma ocultação
relacionada à explosão. Em janeiro de 2015, o promotor que fez a
acusação inicial, Alberto Nisman, foi encontrado morto no
banheiro de seu apartamento em Buenos Aires.
A morte foi classificada como um suicídio, embora uma
autoridade investigando o caso tenha dito que o incidente
parecia ser homicídio. O corpo de Nisman foi descoberto algumas
horas antes de quando ele deveria passar informações para o
Congresso sobre a explosão do centro.
Nisman havia dito que Cristina trabalhou nos bastidores para
livrar o Irã e normalizar as relações bilaterais para fechar um
acordo de grãos por petróleo com Teerã.
Bonadio escreveu que evidências do caso demonstraram que o
Irã, com a ajuda de cidadãos argentinos, pareceu atingir seu
objetivo de evitar ser declarado como um Estado "terrorista"
pela Argentina.
(Reportagem de Jorge Otaola, Eliana Raszewski e Caroline
Stauffer)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 22237141))
REUTERS MCP AC TR


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