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(Texto reescrito e atualizado com mais informações)
Por Maria Carolina Marcello
BRASÍLIA, 14 Mai (Reuters) – Os pré-candidatos à Presidência
da chamada centro-esquerda, como Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva
(Rede), apresentaram melhoras no cenário eleitoral, apontou
pesquisa de intenção de voto CNT/MDA divulgada nesta
segunda-feira, que mostrou, ao mesmo tempo, um aumento da
rejeição ao pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.
Dados da sondagem divulgada nesta segunda apontam que Ciro
inverte posicionamento do levantamento anterior e passa a
figurar numericamente à frente de Alckmin, embora ainda
tecnicamente empatado com ele, em todos os cenários pesquisados
em que o tucano aparece.
Marina, por sua vez, mantém a posição que já tinha na
pesquisa anterior, mas agora em empate técnico com Ciro em todos
os cenários, mesmo que numericamente à frente.
A pesquisa também mostrou que o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) mantém a primeira colocação no cenário em que
aparece como candidato, enquanto o deputado Jair Bolsonaro (PSL)
segue na liderança nos cenários sem o petista.
Lula registrou 32,4 por cento das intenções de voto em
cenário de primeiro turno, à frente de Bolsonaro (PSL), com 16,7
por cento, e Marina, com 7,6 por cento, numericamente à frente
de Ciro, com 5,4 por cento. Na pesquisa anterior, de março, Lula
tinha 33,4 por cento, Bolsonaro tinha 16,8 por cento e Marina
aparecia com 7,8 por cento, seguida de Alckmin, que registrava
6,4 por cento dos votos.
Em cenário de primeiro turno sem Lula e com uma quantidade
maior de candidatos, Bolsonaro ocupa o primeiro lugar com 18,3
por cento, à frente de Marina, com 11,2 por cento, e com Ciro em
terceiro, com 9 por cento, numericamente à frente de Alckmin,
com 5,3 por cento. No levantamento de março, Bolsonaro tinha 20
por cento no cenário sem Lula, enquanto Marina aparecia com 12,8
por cento. Em seguida vinha Alckmin, com 8,6 por cento, e Ciro,
com 8,1 por cento.
Nos cenários de simulação de segundo turno, Lula é o
vencedor em todas as disputas em que aparece como candidato.
Sem o petista, Bolsonaro é quem lidera em quase todos os
cenários de segundo turno, mas o deputado empata com Marina,
ambos com 27,2 por cento, e também ocorre um empate técnico dele
com Ciro –Bolsonaro angaria 28,2 por cento e o pré-candidato do
PDT acumula 24,2 por cento.
Na avaliação do presidente da CNT, Clésio Andrade, os
candidatos mais posicionados à esquerda estão melhor colocados
no cenário eleitoral do que os de centro-direita.
“Uma questão importante é que o (presidente Michel) Temer
está fora de jogo, não tem condições de ser reeleito. Rodrigo
Maia (DEM), Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos),
também têm muita dificuldade, praticamente fora do jogo. E o
Alckmin está começando a enfrentar algumas dificuldades”, disse
Clésio a jornalistas.
“Os candidatos de centro começam a se complicar muito aí. Os
candidatos de centro-esquerda, que a gente considera Ciro e
Marina, já estão se posicionando melhor”, avaliou.
A análise do presidente da CNT é que, nos cenários que não
consideram a candidatura de Lula, é perceptível um aumento de
votos justamente para Ciro e Marina, mas há um grande aumento
dos votos brancos, nulos e indecisos –em simulações de segundo
turno chega a superar os 50 por cento.
“Os dois que mais se beneficiam com essa saída do presidente
Lula são Ciro… e Marina”, afirmou.
Lula está preso há mais de um mês em Curitiba cumprindo pena
de 12 anos e 1 mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
no caso do tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo. Ele deve
ficar inelegível e consequentemente impedido de entrar na
disputa por causa da Lei da Ficha Limpa.
Por outro lado, ainda não pode ser percebido o impacto da
desistência do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)
Joaquim Barbosa de concorrer à Presidência da República pelo PSB
nos índices dos demais concorrentes. A pesquisa teve início um
dia após o anúncio da desistência da Barbosa.
“Não foi para candidato nenhum, foi para branco, nulo e
indeciso”, disse Clésio em entrevista coletiva.
A pesquisa entrevistou 2.002 pessoas em 137 municípios,
entre os dias 9 e 12 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos
percentuais.

DE JEITO NENHUM
A pesquisa desta segunda apontou um alto índice de rejeição
a todos os pré-candidatos, o que traz ainda mais indefinição ao
cenário eleitoral.
Também foi identificado um aumento da rejeição a Alckmin. O
percentual de entrevistados que declarou que não votaria “de
jeito nenhum” no ex-governador de São Paulo passou de 50,7 por
cento em março para 55,9 por cento em maio.
O fenômeno pode estar relacionado, segundo o presidente da
CNT, às recentes denúncias envolvendo o PSDB, que pode ter
prejudicado os índices do tucano, considerado “ainda
competitivo” por Clésio Andrade.
Na avaliação dele, mesmo com percentual de rejeição acima
dos 40 por cento –algo que em outras eleições poderia ser
determinante para impedir a eleição de um candidato–, Ciro
também coloca-se como um candidato “competitivo”.
Dentre os entrevistados, 46,4 por cento declararam que não
votariam em Ciro. No caso de Marina, a rejeição chega a 56,5 por
cento. O presidente Michel Temer chega aos 87,8 por cento de
rejeição como candidato.
A rejeição terá, avalia Clésio, forte influência na decisão
do eleitorado, principalmente no segundo turno.
“Cria uma dúvida de quem pode ser eleito, mesmo”, avaliou o
presidente da CNT. “O segundo turno com certeza vai eleger o
menos pior… mas com branco e nulo alto. Isso vai pesar, sim, a
rejeição vai pesar no segundo turno”, afirmou.

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(Edição de Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))


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