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(Texto atualizado com mais informações)
Por Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 13 Nov (Reuters) – Em um movimento que deve
antecipar a reforma ministerial do governo, o ministro das
Cidades, Bruno Araújo, pediu demissão nesta segunda-feira, pouco
depois de fazer sua última cerimônia à frente do cargo, o
lançamento do Cartão Reforma, na primeira baixa tucana na equipe
do presidente Michel Temer.
Com o partido ameaçando deixar o governo e o presidente
confirmando que fará uma redistribuição dos cargos de primeiro
escalão, Araújo alegou, em sua carta de demissão, que não tem
mais apoio do PSDB para continuar no ministério.
"Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a
minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que
permita seguir nessa tarefa", admitiu ele, na carta.
Ao sair a primeira denúncia contra Temer, em maio deste ano,
o deputado chegou a pedir demissão, no dia mais crítico do
governo Temer. No entanto, foi convencido a ficar e aguardar a
decisão do partido.
O PSDB tem ainda outras três pastas: Direitos Humanos, com
Luislinda Valois; Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo, e
Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores.
A saída de Araújo deve precipitar um rearranjo na Esplanada
dos Ministérios com o aumento de espaço de partidos do centrão,
que, ao contrário dos tucanos, votaram praticamente coesos na
rejeição das duas denúncias contra Temer.
O presidente resistia a fazer uma reforma agora, mas foi
avisado por aliados que somente assim poderia ter chances de
aprovar uma reforma da Previdência "enxuta".
A expectativa de aliados é de que as mudanças na Esplanada
sejam realizadas nas duas próximas semanas, a tempo hábil de se
tentar votar a nova versão reforma no plenário da Câmara ainda
este ano.

DISPUTA DE ESPAÇO
Nos bastidores, com a saída de Araújo, o PP é um dos
partidos que pressiona o governo para ter o controle do
Ministério das Cidades. O líder do partido na Câmara, Arthur
Lira (AL), negou que a legenda esteja reclamando maior espaço na
Esplanada.
Lira afirmou que a decisão de Bruno Araújo de pedir demissão
pode "ajustar" o tamanho adequado das legendas da base aliada a
fim de garantir um apoio "firme" para retomar a votação da
agenda de reformas.
Questionado se a saída de Araújo pode acelerar o desembarque
do PSDB do governo, o líder partidário disse que se trata mais
de uma "questão interna" dos tucanos e que não cabe a ele
comentar.
"Não é só a posição do Bruno, é uma rearrumação. Imagino que
temos partidos que estão subrepresentados e outros
superrepresentados e ministros que não representam voto nenhum
no Congresso", disse ele, que defendeu que o colega tucano,
Antonio Imbassahy, siga o mesmo caminho de Araújo e deixe a
Secretaria do Governo.
A expectativa é que, se o governo for contemplar o PP nas
Cidades, o ocupante do partido não seja um parlamentar que vá
disputar as eleições no próximo ano. Isso porque, se entrar
agora, terá de deixar o Ministério em abril, prazo para que os
candidatos a cargos eletivos têm para se desincompatibilizar.
Dessa forma, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro
(PB), ex-ministro das Cidades, não deverá voltar à Esplanada por
ser candidato à reeleição.
Nesse cenário, o presidente da Caixa Econômica Federal,
Gilberto Occhi, que já foi titular da pasta, é um dos nomes
cotados para assumir o ministério mais uma vez. Occhi é
mencionado pelo empresário Lúcio Funaro, em delação, de que
teria, quando ocupou anteriormente cargo na Caixa, uma meta para
distribuir propinas a membros do PP. Ele já negou em nota ter
cometido qualquer irregularidade.
Um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Mansur
(PRB-SP), disse que o PP já tem um bom espaço na Esplanada e
reconheceu que o governo não tem como atender a todo mundo. Ele
defendeu que se resolva a questão dos espaços da base
"rapidamente".
"Não pode demorar. Não estou nem contando voto (para a
reforma da Previdência) sem resolver isso. Precisa resolver essa
questão política", disse Mansur.

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(Edição de Alexandre Caverni)
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