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(Texto reescrito e atualizado com mais informações e
declarações)
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 7 Dez (Reuters) – O presidente Michel Temer fez um
apelo às lideranças partidárias para garantir apoio da base para
aprovar a nova versão da reforma da Previdência na Câmara dos
Deputados ainda neste ano, relataram à Reuters dois
participantes do jantar que ele ofereceu na quarta-feira no
Palácio da Alvorada.
No encontro, Temer pediu empenho para atingir os votos
necessários e declarou que o momento da reforma avançar é
agora, acrescentando que não se pode ter a "ilusão" de que a
proposta vai passar na Câmara no início de 2018, um ano
eleitoral.
Em uma das intervenções, conforme relato de um dos
presentes, o presidente reafirmou a necessidade de aprovar a
proposta e disse que a reforma não vai trazer prejuízos para os
mais desfavorecidos. "Por que não votar?", questionou ele aos
presentes.
Apesar da defesa enfática da votação por Temer e do aumento
do discurso otimista de lideranças da base nos últimos dias, o
governo decidiu adiar para esta quinta-feira à tarde uma
eventual decisão sobre se a versão enxuta da Previdência será
colocada em votação no plenário da Câmara dos Deputados na
próxima semana.
Essa posição foi a posição de consenso do jantar promovido
por Temer com a presença de 19 ministros, 7 presidentes de
partidos, 18 deputados, boa parte deles líderes de bancada, e do
secretário de Previdência Social, Marcelo Caetano.
A expectativa inicial dos governistas era tratar a quarta
como o "Dia D" da reforma, marco para acertar a votação da
proposta a partir de um número seguro de votos.
Contudo, após pente-fino nas bancadas feito por dirigentes
partidários, o Palácio do Planalto ainda não tem segurança que
dispõe de ao menos 308 votos para pedir ao presidente da Câmara,
Rodrigo Maia (DEM-RJ), para pautar a votação do texto.
Durante a quarta, uma série de aliados divulgaram números
díspares de apoios à reforma, motivo de advertência pública
feita pelo próprio Rodrigo Maia.
"Alguns partidos trouxeram as suas informações das bancadas
e outros estão ainda conversando com suas bancadas. Ficou
definido, até a pedido do presidente Michel Temer, para que eles
tragam essas informações até o meio dia de amanhã para o líder
(do governo na Câmara) Aguinaldo Ribeiro e só dessa maneira
vamos fazer o fechamento (para realizar a votação). Lógico, com
esse fechamento, o presidente Rodrigo Maia vai ter condições de
analisar se pauta já para a próxima semana", disse o deputado
Beto Mansur (PRB-SP), um dos vice-líderes do governo na Câmara,
em entrevista coletiva após o jantar.
Mansur disse que a base vai trabalhar "intensamente" para
aprovar a reforma ainda este ano e destacou que ainda faltam 15
dias de trabalhos legislativos antes do início do recesso
parlamentar.
"Estamos chegando num número positivo para colocar em
votação", reforçou.
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que foi incumbido de compilar os
números dos apoios com os líderes da base em favor da reforma,
deverá apresentar ao governo os números mais realistas de votos
nesta tarde a fim de o Palácio do Planalto avaliar se toma uma
decisão sobre colocar em pauta a matéria.

VOTAÇÃO
A partir de uma articulação direta de Temer no fim de
semana, a aposta do governo e aliados era tentar fechar a conta
dos apoios na quarta para começar a discutir a proposta na
segunda-feira e votá-la em seguida, no primeiro turno.
Uma das principais apostas para garantir esse calendário era
o fechamento de questão a favor da reforma pelos partidos da
base, o que pressionaria os deputados a apoiarem a reforma sob
risco de serem punidos internamente dentro de suas legendas.
Contudo, até o momento somente o PMDB, partido de Temer e
que é a maior bancada da Câmara, com 60 deputados, e o PTB, com
apenas 16 deputados, fecharam questão.
O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, chegou a dizer na
terça que esperava que 7 partidos da base mais o PSDB, que
deverá deixar o governo em convenção partidária no sábado,
seguissem essa linha de atuação na reforma.
De modo geral, no entanto, os partidos da base têm
sinalizado que querem apoiar a reforma por meio do convencimento
de seus parlamentares. No jantar, conforme relatos, o presidente
do PP, senador Ciro Nogueira (PI), disse que a legenda, com 46
deputados, não deve fechar questão por ora em favor do texto.
O líder do PR na Câmara, José Rocha (BA), disse no encontro
que trabalha para aumentar os apoios na bancada em favor da
proposta. O partido tem 37 deputados. "Não está fácil", admitiu
ele, em entrevista à Reuters, ao reforçar que a legenda também
não fechará questão sobre a matéria.
Também presente ao jantar O presidente do DEM, senador
Agripino Maia (RN), disse à Reuters que o partido, por ora, não
tomará nenhuma decisão nesse sentido e que espera convencer os
deputados da necessidade da aprovação da proposta. "Não haverá
nenhuma imposição", afirmou ele, cuja bancada tem 29 deputados.
O presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou que ainda há
muito "chororô" da base, que tem se queixado da falta de
cumprimento pelo governo de acordos com deputados, mas está
otimista em se conseguir votos para apreciar a proposta.
Ele disse que houve parlamentares que defenderam o pagamento
de emendas individuais de 2017, mas "ninguém" cobrou no jantar
sobre se o governo vai honrar com a iniciativa de criar uma
"verba extra" para aumentar recursos de emendas para o próximo
ano, conforme mostrou reportagem da Reuters de terça-feira.
"Ninguém tocou naquilo, porque os deputados estão
preocupados com o passado", disse. "Eles sabem que essa é a
última cartada, então o ingresso está com ágio elevado",
completou.
Para aprovar a reforma na Câmara são necessários os votos de
308 dos 513 deputados em dois turnos de votações no plenário da
Casa. Posteriormente, a Proposta de Emenda à Constituição que
muda as regras previdenciárias terá ainda de ser analisada pelo
Senado.

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(Edição de Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))


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